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AESP - Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

Programa de satélite em parceria com a China enfrenta incertezas

Publicado em 10 setembro 2015

Por Virgínia Silveira

As quinze principais empresas fornecedoras do programa espacial brasileiro já começaram a trabalhar no desenvolvimento do novo satélite de sensoriamento remoto Cbers-4A, o quinto do programa feito em parceria com a China, mas o projeto está cercado de incertezas e ainda depende da liberação de recursos. O Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) prevê R$ 21,2 milhões para o desenvolvimento do satélite em 2015. O orçamento total do projeto é de R$ 100 milhões.

A liberação dos recursos, segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo depende, porém, da aprovação do protocolo complementar ao acordo de parceria assinado entre o Brasil e China em abril. "O protocolo está na Casa Civil e de lá vai para o Congresso. Acredito que esse trâmite não seja demorado", disse.

As empresas, segundo o diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Leonel Perondi, também poderão contar com parte da verba de R$ 40 milhões que será disponibilizada a partir de um acordo assinado, na semana passada, com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O diretor do Inpe disse que os projetos desenvolvidos no âmbito do acordo contribuem para manter ativa a indústria espacial brasileira, que hoje tem sua sobrevivência ameaçada pela falta de projetos e de contratos. "Se houver planejamento e firmeza de propósitos o Brasil poderá se tornar um grande fabricante de sistemas espaciais, tanto para atender seus interesses quanto também para a exportação", afirmou Perondi.

Segundo o diretor da Mectron (do grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia), Valter Rodrigues, a indústria espacial internacional vem crescendo cerca de 10% ao ano, com a crescente demanda de novos sistemas espaciais de transmissão de dados. "Os países emergentes estão comprando novos sistemas para substituir tecnologias mais antigas."

Os novos satélites prometem salto na velocidade de transmissão de dados dos atuais um megabyte (MB) para 300 MB. "O Brasil tem a chance de inserção nessa indústria, da mesma forma que a visão estratégica do governo na década de 50 (com a criação do ITA e do DCTA) permitiu o surgimento Embraer ", afirmou Perondi.

Mas na área espacial os investimentos não aconteceram de forma regular e planejada. O Brasil iniciou a sua corrida neste segmento junto com a China e a Índia, mas acabou ficando para trás. Em 2014 o PNAE autorizou a destinação de R$ 366,4 milhões para o desenvolvimento de projetos, equipamentos e infraestrutura espacial, mas só R$ 109,2 milhões foram liberados.

As empresas do setor, segundo o presidente da Orbital, Célio Vaz, estão sem novas oportunidades de contratos há quase cinco anos. "Estamos prospectando negócios na área de energia renovável para continuar sobrevivendo, mas ainda vivemos das receitas do segmento espacial", disse. A Orbital atua na produção de painéis solares para satélites e de sistemas para motor foguete a propulsão líquida.

Um dos principais contratos vigentes hoje na indústria espacial é o da produção do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica (SGDC). O fornecimento está a cargo da francesa Thales Alenia Space e é coordenado no Brasil pela Visiona Tecnologia Espacial (joint-venture entre Embraer e Telebras). Com lançamento marcado para setembro de 2016, o satélite vai custar R$ 1,3 bilhão.

O plano de absorção e transferência de tecnologia do SGDC prevê destinação de R$ 40,9 milhões em 2015, mas apenas uma empresa, a Cenic, foi contratada para fornecer peças para o primeiro satélite.

Valor Econômico - Empresas

De São José dos Campos