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PROGRAMA DA FAPESP RECEBE PRÊMIO

Publicado em 03 dezembro 1999

O mais ambicioso programa sobre biodiversidade já desenvolvido no Brasil, o Biota-Fapesp, recebeu o Prêmio Henry Ford de Conservação Ambiental na categoria Iniciativa do Ano na área de meio ambiente. O prêmio, entregue em ato realizado em 24/11, em Recife, também incluiu as categorias Ciência e Formação de Recursos Humanos, Conquista Individual e Negócios em Conservação. Conhecido na Europa há 15 anos, o Prêmio Ford foi trazido para o Brasil em 96, quando a Conservation Internacional do Brasil e a Ford fixaram parceria. A meta é incentivar organizações e pessoas responsáveis pela implantação de projetos que possam servir de modelo para o país. O Biota-Fapesp, programa multidisciplinar, vai mapear e analisar os inúmeros aspectos da biodiversidade do Estado de SP, formando amplo banco de dados aberto via Internet. Sua meta é sistematizar informações que permitam a criação de políticas públicas de conservação e uso sustentável da biodiversidade paulista. O programa, aprovado em fevereiro deste ano, fará um levantamento que compreende 250 mil km2, área pouco maior que a Grã-Bretanha. O universo dos estudos desenvolvidos pelas diferentes equipes de pesquisadores científicos de SP envolve desde microrganismos até seres mais complexos, como os vertebrados, tanto do ambiente terrestre quanto do aquático. A iniciativa de lançar o programa vem ao encontro dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil depois da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), especialmente a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Agenda 21, que preconizam o uso sustentável dos recursos naturais e novo modelo de desenvolvimento. Este é um grande desafio, porque o Brasil abriga entre 15% e 20% do número total de espécies do planeta e faltam muitas informações a respeito de sua diversidade. (Assessoria de Imprensa da Fapesp) LUTA PARA LANÇAR SATÉLITES COMERCIAIS José Monserrat Filho O Brasil luta mais do que nunca para poder lançar satélites comerciais dos EUA. O Ministério da C&T deu mais alguns passos valiosos para colocar o Centro de Alcântara, perto de São Luís, no Maranhão, no mercado mundial de lançamentos, como alternativa altamente competitiva. Alcântara, a 2,18° ao sul da Linha do Equador, permite lançamentos mais econômicos. Sua privilegiada situação geográfica é tão boa quanto a do Centro de Kourou, na Guiana Francesa, acima do Amapá, a 59 ao norte da Linha do Equador. Kourou, "o porto europeu para o espaço" em plena América Latina, com suas excelentes instalações e os foguetes Ariane, de enorme confiabilidade, mantém-se há anos entre os líderes do próspero negócio de lançamentos. Para pôr Alcântara neste negócio (de US$ 15 bilhões, hoje), o Brasil acha indispensável: 1) ter, pelo menos, um consórcio de empresas interessadas em aproveitar as vantagens comparativas de nossa base espacial e 2) garantir que o governo dos EUA não vete o lançamento, desde Alcântara e por foguetes de outros países, de satélites de suas empresas de telecomunicações, consideradas os maiores clientes no mercado de hoje e da próxima década. O atendimento ao primeiro requisito avançou muito com a assinatura, em Kiev, Ucrânia, em 18-11-1999, do acordo-quadro de cooperação espacial entre os governos brasileiro e ucraniano. Este acordo vem dar cobertura oficial aos entendimentos, em curso há quase dois anos, para a formação de um consórcio internacional integrado pelas empresas ucranianas lujnoie e lujni, a italiana Fiat Avio e a brasileira Infraero, responsávefpçla comercialização de Alcântara (desde 18 de novembro de 96). O primeiro memorando do futuro consórcio, firmado em 7 de abril de 98, refere-se à criação em Alcântara das condições necessárias para o lançamento do foguete ucraniano Ciclon-4. Mas o projeto ainda depende do segundo requisito, ou seja, de uma decisão positiva de Washington. Isto se tornou imperioso, em março deste arto, quando o governo dos EUA adotou nova lei, dificultando bastante o lançamento de satélites de empresas norte-americanas por empresas de outros países. Para agravar o quadro, soube-se, em maio, que o Departamento de Estado enviara um "non-paper" (documento diplomático sigiloso) à chancelaria italiana, não recomendando o uso de Alcântara pela empresa italiana Fiat Avio, sob a alegação de que isto poderia facilitar a proliferação de tecnologia de mísseis. Esta atitude pouco amistosa, capaz de cortar pela base a idéia do consórcio em torno de Alcântara, levou o governo brasileiro a negociar com o governo norte-americano sobre a delicada questão, a partir de agosto. O esforço brasileiro, felizmente, coincidiu com a pressão de grandes empresas norte-americanas prejudicadas com a nova orientação de Washington que "politizou" a decisão sobre a exportação de equipamentos espaciais, ao passá-la do Departamento de Comércio para o Departamento de Estado. Tal pressão parece ter logrado que o Congresso dos EUA afrouxasse certas normas nesta área, em favor de países "aliados", que reclamavam estar sendo tratados como "adversários". Um ato (authorization bill) do Departamento de Estado para o ano 2000, segundo informa a imprensa norte-americana especializada, deve reduzir as barreiras para exportações do setor espacial a países "aliados". O Brasil poderá ser beneficiado, claro. Mas ainda falta um acordo final com os EUA. Novas conversações entre os dois países devem ocorrer no início do ano. "Pontos específicos" precisam ser acertados, como se anuncia. Serão novas dificuldades? Conforme for, poderemos, literalmente, soltar foguetes. Ou não.