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Programa da Fapesp auxilia startups a conhecer melhor o mercado

Publicado em 10 dezembro 2019

Por Elton Alisson | Pesquisa para Inovação

Os projetos desenvolvidos por startups apoiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, podem gerar benefícios à sociedade em diversos ramos do conhecimento. Um dos exemplos é na área da saúde.

O engenheiro Pedro Henrique de Oliveira Colombo passou por diversas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia nos últimos anos. Graduado em 2013 em Engenharia Química pela Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), um ano depois ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no tronco encefálico, que debilitou as funções motora, visual e a fala.

Com base na experiência prévia com programação e, mais recentemente, como paciente, Pedro Henrique de Oliveira Colombo fundou uma startup social, batizada de InCloude, com a proposta de desenvolver uma plataforma de reabilitação assistiva baseada em tecnologias digitais como aplicativos para smartphones e dispositivos de internet das coisas: a [email protected]

Por meio de uma iniciativa apoiada Pipe, o engenheiro e o pesquisador principal da empresa, o engenheiro de controle e automação John Lennon Oliveira Couto, pretendem validar a proposta tecnológica da plataforma.

“A ideia da plataforma é potencializar os processos terapêuticos e, dessa forma, proporcionar maior bem-estar tanto aos pacientes como aos profissionais responsáveis por atendê-los”, explica Pedro Henrique de Oliveira Colombo à Agência Fapesp.

Treinamento

Ao participar da 13ª edição do Programa de Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia (Pipe Empreendedor), os empreendedores puderam refinar a proposta de valor do primeiro módulo da plataforma, o aplicativo para fonoaudiólogos “Fala pra mim”. O evento de encerramento foi realizado no dia 3 de dezembro.

“A plataforma [email protected] tem vários módulos de implementação. Estamos nos focando, em um primeiro momento, no módulo voltado à reabilitação da fala porque é um problema que o Pedro conhece bem porque passou por sessões de fonoaudiologia por mais de dois anos”, salienta à Agência Fapesp John Lennon Oliveira Couto.

O aplicativo busca corrigir desvios de fala e treinar pacientes que precisam ajustar erros tônicos em palavras. Ao acessar a ficha de um paciente por meio da plataforma, o fonoaudiólogo pode definir uma lista de palavras cujo treino precisa ser intensificado.

A pronúncia das palavras pelo paciente é comparada pelo aplicativo com uma base de dados e seu desempenho pode ser avaliado pelo profissional que o acompanha. Dessa forma, os fonoaudiólogos podem avaliar a evolução, identificar desvios fonéticos e entender melhor as reais necessidades do paciente.

“Antes de participar do Pipe Empreendedor, nossa visão sobre a aplicação do ‘Fala pra mim’ era muito restrita à experiência do Pedro, que se ressentia de não ter maior independência para fazer seus exercícios de reabilitação. Durante o treinamento, fizemos diversas entrevistas com outros pacientes e fonoaudiólogos e constatamos que essa era uma queixa comum”, diz John Lennon Oliveira Couto.

Cuidadores

Durante as entrevistas, os empreendedores também identificaram um personagem importante no processo de reabilitação, até então fora do radar: os cuidadores dos pacientes. “São os cuidadores que motivam e organizam a rotina dos pacientes”, afirma John Lennon Oliveira Couto.

Os pesquisadores também constataram que a reabilitação da fala envolve outros problemas além da disartria, como é definida a dificuldade motora de fala, que geralmente é acompanhada por um algum grau de afasia – dificuldade linguístico-cognitiva – ou problema de retenção da informação que está sendo transmitida pelo aplicativo para o paciente, observaram os empreendedores.

Nova proposta de valor

Outra startup participante do programa de treinamento, a Fertgel também conseguiu durante as entrevistas definir melhor os potenciais clientes do hidrogel fertilizante de baixo custo que desenvolve projeto apoiado pelo Pipe, da Fapesp.

Ao participar do curso, os pesquisadores da empresa constataram que os principais nichos de mercado para o polímero biodegradável que desenvolveram na forma de pó e grânulos, carregados com fertilizantes, estão entre produtores de soja, cana-de-açúcar, citros e café.

“Embora a tecnologia tenha potencial para ser aplicada em qualquer cultivo agrícola, as entrevistas nos ajudaram a identificar que os produtores dessas culturas são os que enfrentam maiores problemas relacionados ao controle hídrico e de nutrientes. Com base nessa observação, passaremos a focar mais neles”, revela à Agência Fapesp Adriel Bortolin, pesquisador principal da empresa.

O produto é aplicado diretamente no solo. Em contato com a chuva ou por meio de sistemas de irrigação, o material é capaz de absorver até mil vezes seu peso em água e a libera junto com os nutrientes de forma controlada. “O produto mantém um reservatório de água e nutrientes acessíveis para as plantas em períodos de estiagem ou veranico”, completa.

 

Ajustes na rota

Para Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, promover ajustes no modelo de negócios das startups, como ocorreu com a Fertgel e a InCloude, é justamente um dos principais objetivos do Pipe Empreendedor.

“Esse treinamento tem se mostrado um componente importante do programa ao permitir que as empresas participantes possam ter um contato mais direto com o mercado, de modo a identificar potenciais clientes e parceiros”, enfatiza à Agência Fapesp. “Isso é fundamental para melhorar os planos de negócios e permite assegurar a perenidade dessas empresas, que é o principal objetivo da ação”, finaliza.