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Cruzeiro do Sul

Programa da Fapesp apoia dez projetos em Sorocaba

Publicado em 23 julho 2013

Por Marcelo Roma

O Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), incentiva o desenvolvimento de projetos de inovação em pequenas empresas e em Sorocaba há dez deles em andamento. O maiores números de projetos no Interior estão em Campinas, com 195, São Carlos (184), São José dos Campos (81), Ribeirão Preto (47), Botucatu (23), Piracicaba (18), Mogi das Cruzes (14) e Paulínia (12). As universidades e indústrias já instaladas favorecem o avanço dessas cidades como centros de pesquisa.

Em Sorocaba, o Pipe ajuda pequenas empresas a criar tecnologia desde o ano 2000. Além dos 10 projetos, há oito bolsas. Com o incentivo, em verba para a pesquisa, o projeto sai do papel e dependendo do desenvolvimento feito pela empresa após a vigência do programa, pode entrar em último estágio com a produção em escala industrial. Em todo o Estado, a Fapesp desembolsou R$ 180 milhões para apoiar mais de mil projetos, desde 1997.

O detector de descarilamento de trens, por exemplo, da empresa Viatech, pretende evitar e minimizar esse tipo de acidente. O equipamento deverá ser colocado nos vagões e conectado à rede de ar a fim de captar oscilações dos trilhos em compatibilidade com a velocidade da composição. Em caso de descarilamento ou na sua iminência, o sistema de frenagem é acionado automaticamente. Normalmente, o maquinista não percebe o início do descarilamento e os vagões que seguem atrás vão tombando.

O engenheiro mecânico José Carlos Carneiro é proprietário da Viatech e ele mesmo o pesquisador. O dispositivo, patenteado, está em fase final de testes e o empresário acredita que em um ano ou menos poderá ser comercializado. O auxílio à pesquisa do Pipe teve vigência de julho de 2010 a abril de 2011 e, conforme Carneiro, foi de aproximadamente R$ 90 mil. O engenheiro cita que os maiores custos na primeira fase foram em medições e equipamentos. Para Carneiro, o apoio no desenvolvimento de tecnologias é fundamental para os projetos, que podem gerar outros usos não previstos inicialmente. A sua ideia do detector de descarilamento surgiu na década de 80 e demandou um processo trabalhoso de planejamento, medições e aperfeiçoamento até chegar agora à etapa final.

O cosmético despigmentante, da empresa Chemyunion Química, tem por finalidade o tratamento de hipercromias cutâneas (manchas na pele). A vigência do auxílio à pesquisa está em andamento, com prazo até fevereiro do ano que vem. As tecnologias desenvolvidas com apoio do Pipe são de setores variados, como biologia, química, informática, metalurgia e mecânica. Outro projeto, de produção de ouro colorido e cujo auxílio do Pipe se encerrou em julho de 2009, abriu possibilidades para a indústria de joias. A pesquisa foi realizada pelo engenheiro metalurgista Edval Gonçalves de Araújo, dono de uma pequena empresa que leva seu nome.

Interior do Estado

A Fapesp se interessa em expandir a atuação do Pipe para o interior do Estado, em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que tem presença regional. Em junho, o professor da Unicamp e membro da Coordenação Adjunta de Pesquisa para Inovação da Fapesp, Sérgio Robles Reis de Queiroz, disse que “a atuação do Pipe ainda está muito concentrada em algumas cidades do Estado”.

Os projetos são desenvolvidos sob a responsabilidade de um pesquisador principal, que tenha vínculo empregatício com essas empresas ou que esteja associado a elas para sua realização. O valor máximo do apoio a cada projeto selecionado é de R$ 1,2 milhão, em duas fases. Na fase 1, com duração de até nove meses, até R$ 200 mil podem ser destinados à análise de viabilidade técnico-científica da inovação proposta. Para a fase 2, de desenvolvimento do produto ou processo inovador em prazo de até 24 meses, o limite de recursos disponível por projeto é até R$ 1 milhão. O site da Fapesp é http://www.fapesp.br.

marcelo.roma@jcruzeiro.com.br