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Programa Centelha vai oferecer R$ 60 mil para incentivar projetos de inovação

Publicado em 07 agosto 2019

Diretor-presidente da Fundect fala na Educativa 104.7 FM sobre parceria com a Finep que visa a estimular processos que melhorem as comunidades e gerem emprego e renda Márcio Pereira, diretor-presidente da Fundect, explicou como funciona a seleção de projetos para o Centelha, que vai financiar com até R$ 60 mil a implementação de ideias inovadoras no Estado. 

Seguem abertas até 25 de agosto as inscrições para o Programa Centelha, pelo qual a Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia e Tecnologia de Mato Grosso do Sul) vai selecionar 28 projetos a serem financiados com até R$ 60 mil. A intenção é buscar ferramentas inovadoras que, antes de focar simplesmente na tecnologia, permitam incentivar a economia e melhorar as condições de vida das diferentes comunidades.

O diretor-presidente da Fundect, Márcio Araújo Pereira, detalhou os aspectos do projeto no Bom Dia Campo Grande desta quarta-feira (7). Segundo ele, a intenção é, por meio do Centelha, “colocar a ciência, tecnologia e inovação de Mato Grosso do Sul no mapa do Brasil”.

O programa foi baseado em uma experiência de Santa Catarina, hoje considerado uma frente tecnológica do país e que incentivou o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), a levar a experiência aos Estados –21 deles participam do Centelha.

“Mato Grosso do Sul, por meio da Fundect, aderiu, entendendo que era o momento de investir no empreendedorismo. Até porque percebemos que há um movimento forte: Campo Grande e Mato Grosso do Sul evoluíram”, destacou Pereira na Educativa 104.7 FM.

Aberto a todas as pessoas com mais de 18 anos que tenham ideias inovadoras, o edital do projeto e as inscrições podem ser feitas no site http://www.programacentelha.com.br/ms. Mais de uma iniciativa pode ser inscrita por CPF ou pessoa jurídica que tenha menos de um ano de vida e faturamento inferior a R$ 4,8 milhões por ano. “A exigência é de que a pessoa seja residente no Estado e invista nele”.

Campos

Pereira destacou que, embora campos como ciência e tecnologia estejam diretamente atrelados à inovação, esta pode contemplar outros setores. “A inovação está além do que você imagina”, disse, pontuando que “se isso mudar a vida das pessoas na comunidade já é uma inovação”.

Pelo projeto, prosseguiu ele, espera-se incentivar a atitude empreendedora de se explorar as possibilidades em busca da solução. Ele citou como exemplo o projeto Doutores da Alegria que, por meio de uma abordagem diferente para se abordar os pacientes, levou alegria e melhora na qualidade de vida dessas pessoas. “A inovação pode ser a forma de abordagem. De repente alguém já fez isso, mas nessa mudança traz uma melhora no trabalho”.

O diretor-presidente da Fundect reforçou que o Centelha não prevê empréstimos. “Trata-se de um apoio governamental, vindo do trabalho entre Finep e Governo de Mato Grosso do Sul, para que o empreendedor desenvolva sua ideia. É uma subvenção econômica: quando solicitado, deverá haver prestação de contas, mas em cima do resultado que se vai colocar. Não estamos preocupados com a parte financeira, mas sim no impacto na sociedade que isso vai ter”, destacou.

A expectativa é de que, na fase inicial, mil ou mais pessoas inscrevam suas ideias. Na segunda etapa, serão selecionados 200 propostas, a serem trabalhadas como projeto de empreendimento e serem preparadas para por em prática. “Desses 200 sairão os 28 que receberão R$ 60 mil para aplicação da sua ideia”, pontuou Pereira. Do total, R$ 40 mil sairão da Finep e R$ 20 mil da Fundect.

Pereira afirma que iniciativas contempladas no Centelha não precisam ser, necessariamente, vinculadas a campos como ciência e tecnologia, mas devem representar ganho para a sociedade. (Foto: Pedro Amaral/Fertel)

“Aí sim é que começa, mas não é só destinar recurso. Não vamos largar essa pessoa no vácuo: ela terá acompanhamento”. Estudos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) apontam que, a cada real investido em ciência, tecnologia e inovação representam um retorno de R$ 10, por meio da criação de novas empresas e geração de emprego e renda. “Vai que também, destas saia uma empresa que receba investimento de milhões de fora do Estado ou do país. Investimento chama investimento”, emendou Pereira, ao reforçar que, apesar dessa perspectiva, a preocupação é com o ganho social.

Pelas suas observações, o diretor da Fundect avalia que, assim como Santa Catarina e Espírito Santo tiveram seu salto no setor, Mato Grosso do Sul, ao lado do Pará, reúnem condições “para serem a nova frente desse setor no país”.

Tema livre

O edital do Centelha não detalha as áreas de aplicação do projeto, mas Pereira enumerou alguns campos de interesse, “desde a alta tecnologia e automação até a blockchain (que pode ser usada para validação de documentos) e soluções simples que trazem economia para todo o setor, em design, eletrônica, engenharia, inteligência artificial”. A linguagem de computação foi outro campo ilustrado –além das intervenções sociais e da agro e bioeconomia, estes dois últimos setores intimamente ligados com a matriz econômica local.

“Mato Grosso do Sul tem essa lógica de trabalhar em conjunto o agro e o meio ambiente, e nisso tem uma vantagem positiva imensa”, salientou.

A comissão julgadora ainda será selecionada pela Fundect, a partir de seu cadastro de pesquisadores de diferentes partes do Brasil. “Será tudo feito de forma transparente, de forma que as melhores propostas sejam escolhidas para o Estado”, afirmou Pereira, complementando que “quanto mais propostas, melhor será para Mato Grosso do Sul. Demonstramos uma demanda grande por inovação e queremos mostrar isso para o país e, logo atrair investimentos e formar um cadastro”.