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Jornal da Unesp online

Programa Biota comemora 10 anos

Publicado em 10 junho 2009

O Workshop Biota+10 comemorou os dez anos do programa Biota, cujo objetivo principal é fomentar pesquisas que estudam a biodiversidade do Estado de São Paulo. Centenas de pesquisadores das principais instituições científicas paulistas se reuniram para discutir as prioridades do Biota até 2020. O evento foi realizado em São Paulo, dias 3 e 4 de junho.

Oito grupos de trabalho, três deles coordenados por pesquisadores da Unesp, discutiram o plano científico do Biota para os próximos dez anos. Apesar de tudo o que já foi feito, o programa precisa melhorar sua infraestrutura e estudar mais certos grupos de espécies e regiões do estado.

O zoólogo Célio Haddad, do câmpus de Rio Claro, junto com Mariana Oliveira, do Instituto de Biociências da USP, coordenaram o grupo de trabalho "Inventários, DNA barcoding e estudos filogeográficos". Haddad explicou que ao longo do Biota a sua pesquisa com anfíbios e répteis passou a integrar técnicas tradicionais da zoologia com análise de DNA e de modelos do clima por computador. O uso dessas técnicas em conjunto se chama filogeografia.

Segundo Haddad, o consenso do grupo de trabalho é que é preciso investir mais na manutenção das coleções de espécies, na tomada de dados para uma modelagem climática precisa, e um treinamento específico para a coleta e o armazenamento de amostras de DNA das espécies.

A botânica Silvia Machado, do Instituto de Biociências, câmpus de Botucatu, coordenou com Luiza Kinoshita, do Instituto de Biologia da Unicamp o grupo de trabalho Biota Educação, que discutiu como melhorar a divulgação dos resultados do Biota para alunos do ensino fundamental e médio.

A bioquímica Vanderlan Bolzani, do Instituto de Química, câmpus de Araraquara, coordenou o grupo de trabalho "Bioprospecta e parcerias com o setor produtivo". Bioprospecta é o subprograma do Biota que integra as pesquisas com substâncias extraídas de animais, plantas e microorganismos que possam ter valor comercial.

"Precisamos trazer ao Bioprospecta mais farmacólogos e toxicólogos", avaliou Varderlan. A pesquisadora notou ainda a necessidade de melhorar o acesso a base de dados de todas as substâncias estudadas e de automatizar os ensaios que testam o efeito dessas substâncias em tecidos vivos.

Criado com apoio da Fapesp em 1999, o Biota não apenas financia projetos, mas também promove o compartilhamento de dados entre os cientistas. "A padronização dos dados de coleta permitiu aos pesquisadores o acesso online a quase todas as coleções do estado", disse o biólogo Carlos Joly, da Unicamp, coordenador geral do Biota.

De acordo com avaliação feita por Joly a partir de 76 questionários respondidos por pesquisadores do Biota, durante os primeiros dez anos do programa foram descobertas 93 espécies de vertebrados, 564 de invertebrados e 1109 de microorganismos.

O programa também promoveu a divulgação do resultado das pesquisas à sociedade, na forma de exposições, livros educacionais, atlas e até uma série de TV.

O mapeamento da biodiversidade produzido pelo Biota chegou inclusive a orientar a criação de novas leis de proteção ambiental, como a delimitação de zonas para plantações de cana-de-açucar, promulgada pelo governo estadual em setembro de 2008.