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Diário da Manhã (GO)

Profissão de arqueólogo é regulamentada no Brasil

Publicado em 29 abril 2018

Área de estudos popular, que atrai a atenção de curiosos e estudiosos em todo o mundo, a arqueologia tem, agora, sua área profissional regulamentada no Brasil. Com a Lei 13.653/2018, sancionada no último dia 19, o pais conheceu as exigências para a atuação de arqueólogos em território nacional.

Comemorada por profissionais, pesquisadores e entidades ligadas à área, a novidade foi recebida como um importante passo para a valorização de arqueólogos no pais. "É uma antiga aspiração da comunidade e uma conquista coletiva de gerações de arqueólogas (os) que juntas ousaram sonhar para que este projeto se tornasse realidade", diz a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), em nota pública. Coordenadora do curso na PUC Goiás, a professora Loriza Dantas também comemorou.

"A regulamentação é de suma importância no processo de valorização das atividades desenvolvidas por estes profissionais, que atuam diretamente na preservação do patrimônio arqueológico brasileiro", frisa. A universidade é a única a oferecer o curso no Centro-Oeste, desde 2006. Atualmente coma maior nota concedida pelo MEC em todo o Brasil, o curso da PUC Goiás já formou mais de 100 profissionais, que atuam no país e no exterior. É o caso da egressa Jordana Batista Barbosa, 29, que está atualmente em intercâmbio na Universidade de Tübingen, na Alemanha. "Estou fazendo disciplinas sobre técnicas que não temos no Brasil", informa ela, que conclui, este ano, o mestrado em Arqueologia do Programa de Pós-Graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP). Com sua pesquisa concentrada em Goiás, ela conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), inclusive para a mobilidade internacional.

O TRABALHO

Para além da investigação e escavação de sítios arqueológicos, o arqueólogo temem seu escopo de trabalho a consultoria e acompanhamento para o licenciamento ambiental de grandes obras. "Toda obra que for impactar o solo deve ter acompanhamento arqueológico. Dessa forma, grandes construções como usinas hidrelétricas, linhas de transmissão e gasodutos devem ter o acompanhamento de um especialista", afirma Jordana. "O licenciamento aumentou sobremaneira a demanda por profissionais. Hoje temos mais de 25 mil sítios arqueológicos cadastrados em todo o país e 1.432 em Goiás. Entre eles, o sítio arqueológico pré-histórico de Serranópolis, no sul do Estado, que conserva pinturas rupestres datadas em mais de 11 mil anos", reflete a coordenadora do curso, Loriza Dantas. Até mesmo por conta da demanda crescente e da importância do trabalho realizado por esses profissionais para a preservação do patrimônio arqueológico nacional, a regulamentação da atividade é vista com bons olhos por especialistas.

"A necessidade de regulamentar a profissão não está apenas no reconhecimento do profissional, mas também na demonstração para a sociedade da importância do patrimônio cultural", afirma Jordana. "Antes da regulamentação, despertar o sentimento de pertencimento cultural nas pessoas não era um exercício fácil. Espero que esse quadro mude", conclui.

O CURSO

Oferecido na modalidade de bacharelado, o curso de Arqueologia tem duração de três anos e meio. A única instituição a oferecer o curso no Centro-Oeste é a PUC Goiás, por meio do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA). Na universidade, a graduação está disponível desde 2006, quando encabeçou o movimento de reabertura de cursos de Arqueologia no país. "A PUC deu início às atividades do curso em 2006, em consonância comas discussões sobre a importância de se criar novamente cursos de graduação em Arqueologia no Brasil", relembra a professora Loriza, que integrou a primeira turma. Hoje, apenas 14 instituições de ensino contam com o curso.

Na universidade, a grade atual de disciplinas - revisada em2014, contribuindo para a avaliação positiva do Ministério da Educação (MEC), com a nota 5, conceito máximo dado pela instituição- possibilita ao estudante, além do alinhamento entre teoria e prática, o estudo de áreas como geoprocessamento, pré-história, estatística, antropologia, museologia, geologia, anatomia humana, filosofia, metodologia científica, análise espaciaL entre outras. O curso é ofertado regularmente a cada semestre e é elegível para programas de bolsas e financiamentos.