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Professores participam de conferência sobre ciência, tecnologia e inovação

Publicado em 22 abril 2010

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) realizou, dias 12 e 13/4, a Conferência Estadual Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação (C&T&I). Promovida como reunião preparatória para a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (que ocorrerá em Brasília, de 26 a 28/5), a atividade contou com a presença de professores da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP: Luiz Carlos de Campos (diretor da Faculdade), Ely Antonio Tadeu Dirani, Ana Lucia Manrique, Ana Maria Alfonso Goldfarb e Márcia Helena Mendes Ferraz.

Campos relatou que, durante o evento, debateu-se o futuro do Sistema Paulista de C&T&I, considerando-se as componentes acadêmica, empresarial e privada sem fins lucrativos, em um prazo de 15 a 20 anos. As discussões foram realizadas em cinco mesas de debates sobre os temas: pesquisa e desenvolvimento (P&D) no setor privado; áreas focais para P&D em São Paulo; pesquisa acadêmica; formação de recursos humanos; e São Paulo e o sistema nacional de C&T&I.

O professor Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, apresentou na ocasião dados que mostram a intensa atividade de pesquisa no estado de São Paulo, tanto no mundo acadêmico quanto no setor empresarial. De acordo com ele, o dispêndio em P&D no estado foi de 1,52% do PIB em 2008, o que representa um volume da ordem de R$ 15,5 bilhões. Segundo Cruz, esse valor coloca o estado no ranking internacional acima de países como Portugal, Espanha, Itália, Brasil, Rússia, Índia, Chile, Argentina e México: Nosso principal desafio, tanto na academia como nas empresas, é aumentar o impacto internacional dessa atividade de pesquisa. São Paulo possui uma base forte para enfrentar esse desafio, mas temos uma fraqueza: a disponibilidade de pessoal qualificado, afirmou.

PESQUISA ACADÊMICA - Durante o Congresso, foram apresentados dados relativos aos doutorados defendidos em 2007 em várias universidades paulistas e nos Estados Unidos, além da relação entre o número de doutores formados e o número de professores das universidades. Na PUC-SP (355 doutores para 1.406 docentes) essa relação ficou em 0,25; na Unicamp (748 doutores para 1743 professores), o resultado foi de 0,43; na USP (2265 doutores para 5434 professores), 0,42; na Unifesp (235 para 775), 0,30; na Unesp (765 para 3554), 0,22; e na UFSCar (175 para 832), 0,21. Na Universidade Berkeley (802 para 2028), a relação ficou em 0,40; na Universidade Stanford (642 para 1878), 0,34.

A equipe da Fapesp apresentou outros dados referentes ao ensino superior no estado de São Paulo: nas instituições de ensino superior no estado de São Paulo somente 9,7% das matriculas são em Engenharias e 10,1% em cursos de Ciências, Matemática ou Computação; além disso, as matrículas em Engenharia somadas às em Ciências Exatas são de 37% no sistema publico e de 17% no sistema privado. Esses dados mostram vários desafios que precisam ser atacados, avalia o professor Campos. É preciso incentivar a qualificação de instituições privadas para que desenvolvam cursos de Engenharia de qualidade.

Ao final das discussões sobre o tema pesquisa acadêmica, foram destacadas algumas necessidades e compromissos que as instituições de ensino superior e institutos de pesquisas devem assumir e lutar para implementar. Alguns desses desafios que devem ser enfrentados são: aumentar o número de pesquisadores (investir na formação de doutores para São Paulo alcançar o nível equivalente aos países avançados, isto é, passar dos atuais 1000 para 5000 cientistas/milhão de habitantes); aumentar a qualidade da pesquisa (após o sucesso verificado no volume de produção científica, é fundamental cuidar da qualidade da produção, considerando-se o fator de impacto); reformar o ensino superior, criando novas modalidades de organização nas universidades (pois as pesquisas de alta qualidade exigem abordagens multidisciplinar e multisetorial); melhorar a infraestrutura de pesquisa nas universidades; e fomentar a participação das universidades nos fóruns de políticas científicas, de forma a estabelecer uma política científica de estado e não de governo.

Com informações do professor Luiz Carlos de Campos