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Professores elogiam programa de cotas de SP

Publicado em 21 dezembro 2012

Apesar de, historicamente, as universidades estaduais serem contrárias à adoção de cotas, professores consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo aprovaram o projeto anunciado nesta quinta-feira (20). O programa será debatido nas unidades (faculdades e institutos) e, depois, levado aos conselhos universitários.

Para o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, mesmo os cursos de ponta não devem sofrer queda de qualidade com a política de cotas atrelada ao colégio comunitário. Ele se diz curioso, no entanto, para sentir a reação interna.

— Quero saber como será a reação da Faculdade de Medicina a essa notícia. Mas eu estou otimista e quero ver como será a experiência dessa inserção que não despreza o mérito.

A docente de Arquitetura Maria Lucia Refinetti, também da USP, acha que a decisão é "justa e pertinente", mas acredita que se deva tomar dois cuidados primordiais. O primeiro é evitar a discriminação dessa população e, o outro, garantir que a qualidade do ensino não seja diminuída.

— Na verdade, uma coisa está relacionada à outra. Se os alunos tiverem em nível de igualdade de conhecimento, eles não serão discriminados.

É exatamente o uso do mérito, diz o sociólogo Simon Schwartzman, o que faz o programa paulista melhor que o federal. Mesmo assim, alerta, é preciso cautela.

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— Seria melhor não assumir metas tão ambiciosas antes de que tudo fosse testado.

Docente da Escola Politécnica da USP, a Poli, o engenheiro Jorge Leal Medeiros pondera o tamanho do porcentual.

— Não sei se precisaria ser tão radical, como fizeram as universidades federais.

Apesar da ressalva, no entanto, ele diz ser favorável às cotas sociais, principalmente as raciais.

— Precisamos prestigiar as classes menos favorecidas e, no caso dos negros, nós temos uma dívida histórica.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, explica que, da forma como foi desenhado o projeto paulista, não faz sentido acreditar que ele dará espaço a candidatos mal preparados.

— As pessoas acham que assim serão admitidos candidatos piores. Mas não. Nesses cursos, a diferença de nota entre o classificado em centésimo como o que ficou na posição 800 é ínfima. Não dá para dizer que um é melhor que outro.