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Professores da Unesp analisam obras clássicas da comunicação

Publicado em 20 agosto 2013

Por Samuel Antenor, da Agência FAPESP

Para conhecer um campo de pesquisa, é preciso considerar seus autores basilares, pois qualquer área que não conhecer sua história corre o risco de não se sustentar. O princípio norteou o segundo dia do Ciclo de Conferências ‘50 anos das Ciências da Comunicação no Brasil: a contribuição de São Paulo, dia 16 de agosto, na sede da Fapesp. Os palestrantes comentaram alguns dos autores pioneiros das ciências da comunicação no Brasil, articulando princípios trabalhados por eles décadas atrás, até hoje presentes no campo da Comunicação.

José Luis Bizelli, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp, Câmpus de Araraquara, analisou o livro ‘Comunicação de Massa’, de Samuel Pfromm Netto, ressaltando o perfil de pioneirismo e a importância seminal da obra para a área da Comunicação.

Segundo ele, as observações feitas pelo autor em 1972 – quando, embora não contasse com dados empíricos, trabalhava com a ideia de que pelo menos um quarto do tempo das pessoas era dispendido com assuntos ligados à Comunicação – mostram que o conhecimento e a discussão teórica, já naquela época, eram importantes para a compreensão da comunicação contemporânea.

Com base em sua apresentação, pode-se inferir que a obra permanece atual, inclusive para a compreensão do uso das novas tecnologias, que alteram as práticas e influenciam os processos comunicacionais, em maior ou menor grau.

Outra obra inovadora por inserir aspectos pouco discutidos na Comunicação foi apresentada por Juliana Gobbi, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, Câmpus de Bauru. A pesquisadora ressaltou a questão da inserção dos negros na sociedade e o papel do rádio para essa inserção, trabalhados no livro Cor, profissão e mobilidade, o negro e o rádio em São Paulo, de João Batista Borges Pereira. Segundo ela, desde 1967, quando o livro foi lançado, pouca coisa mudou em relação a essa questão.

Em seus estudos sobre o rádio, a visão antropológica e sociológica do autor revelou que a presença de negros é maior nesse meio, em comparação a outros, como nas redações. A obra permanece atual, sobretudo, se considerarmos que, ainda hoje, é possível notar que a presença profissional de negros na área da Comunicação ainda é muito pequena.

Com moderação da professora Anita Simis, da FCL da Unesp, Câmpus de Araraquara, a programação da parte da tarde do evento discutiu outros autores considerados pioneiros na área.

Anita falou sobre o livro ‘Ideologia da Cultura Brasileira’, tema da tese de livre docência de Carlos Guilherme Mota na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. No livro, o autor traça a história do pensamento brasileiro no século XX e das ideologias que “encobrem as lutas sociais e ajudam a perpetuar as desigualdades sociais”.

Por sua vez, Pelópidas Cipriano, do Instituto de Artes da Unesp, Câmpus de São Paulo, lembrou o impacto que o livro ‘Shazam’, de Alvaro Moya, teve em sua formação intelectual.

O evento

Promovida pela Fapesp e pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a série de oito encontros semanais – que serão realizados até o dia 4 de outubro, sempre às sextas-feiras – tem como objetivo discutir alguns dos principais aspectos da Comunicação no Brasil nas últimas cinco décadas.

O próximo encontro do Ciclo de Conferências “50 anos das Ciências da Comunicação no Brasil: a contribuição de São Paulo” será na sexta-feira (23/08), na sede da FAPESP, com o tema “Timoneiros das Ciências da Comunicação”.

Mais informações sobre o ciclo: www.fapesp.br/7888

Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações de Samuel Antenor, da Agência Fapesp