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Borimbora

Professora perseguida pela ditadura será reintegrada à UFBA

Publicado em 17 dezembro 2015

Por Kátya Elpydio

A Universidade Federal da Bahia realiza nesta sexta-feira, dia 18 de dezembro, às 10 horas, no Salão Nobre da Reitoria, no Canela, a solenidade de reintegração da professora e jornalista baiana Mariluce Moura aos quadros da UFBA.  A reintegração acontece mais de 40 anos depois que ela foi presa e torturada durante o período da ditadura militar no Brasil, quando foi demitida de sua função no Departamento de Comunicação da universidade. A professora foi absolvida posteriormente pela própria Justiça Militar, mas ainda assim não tinha conseguido recuperar o emprego.

O pedido oficial de desculpas do governo brasileiro aos professores perseguidos durante a ditadura militar ocorreu no mês de outubro deste ano, em sessão da Comissão de Anistia realizado em homenagem ao Dia do Professor. A comissão reconheceu o período em que a professora Mariluce Moura ficou afastada do trabalho na universidade e, através de portaria do Ministério da Justiça, concedeu a ela o direito de ser reintegrada à UFBA.

“Fui em presa em Salvador em 1973, estava grávida. Meu marido foi preso e assassinado no mesmo ano. Em 1974, fui julgada e absolvida pela Justiça Militar, portanto, eu era uma cidadã livre. Prestei concurso público e fui aprovada como professora da UFBA. Mas por uma determinação do Ministério da Educação, meu vínculo com a universidade foi cortado em 1975. A ditadura negou o meu direito de ter uma carreira acadêmica. Direito conquistado com mérito, após aprovação em concurso público”, relembra a professora.

Sobre o processo de anistia, Mariluce Moura afirma que decidiu pedir a anistia política em 2011, e uma das questões colocadas no processo foi sobre a perseguição e demissão que sofreu enquanto professora universitária. Após o julgamento na Comissão de Anistia, ela poderia escolher receber uma indenização e um pagamento mensal ou ser reintegrada como professora da UFBA. Escolheu a segunda opção.

“Meu vínculo com a UFBA começou aos 11 anos, quando fui aluna do colégio aplicação. Retorno à universidade vinculada à Faculdade de Comunicação e gostaria muito de dar a minha contribuição, especialmente na área do jornalismo científico, à qual tenho me dedicado nos últimos 27 anos”, ressalta Moura.

Mariluce Moura

Diplomada em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mariluce Moura é mestra e doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Iniciou a sua carreira jornalística em 1969, no mesmo ano em que começou a graduação, atuando como jornalista de Economia por muitos anos, até se dedicar ao jornalismo científico a partir de 1988. Entre várias publicações, foi repórter e editora no Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Exame, Senhor e Isto É. No final dos anos 1980 foi assessora de comunicação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e também atuou como assessora de comunicação da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo,em 1990. No ano de 1995 implantou o setor de comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do qual foi gerente até julho de 2002.