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Professora é reintegrada à UFBA após demissão e tortura na Ditadura Militar

Publicado em 18 dezembro 2015

A professora Mariluce Moura foi reintegrada na manhã desta sexta-feira (18) à Universidade Federal da Bahia (UFBA) após ser demitida da insituição durante o período da Ditadura Militar, presa e torturada. A profissional trabalhava no Departamento de Comunicação, e apesar de ter sido absolvida pela própria Justiça Militar, não conseguiu restituição do cargo.

De acordo com o Correio 24h, Mariluce recebeu o direito à reintegração como professora da UFBA no dia 14 de outubro deste ano, por meio de uma portaria publicada pelo Ministério da Justiça, que reconheceu o período em que ela fico afastada do cargo.

O processo de anistia foi aberto em 2011. Após o julgamento pela Comissão de Anistia, a professora escolheu retornar à universidade, ao invés de receber uma indenização e pagamento mensal. Mariluce Moura conta que foi presa em Salvador em 1973, mesmo estando grávida na época. O marido dela foi preso e assassinado no mesmo ano.

“Em 1974, fui julgada e absolvida pela Justiça Militar, portanto eu era uma cidadã livre. Prestei concurso público e fui aprovada como professora da Ufba. Mas por uma determinação do Ministério da Educação, meu vínculo com a universidade foi cortado em 1975. A ditadura negou o meu direito de ter uma carreira acadêmica. Direito conquistado com mérito, após aprovação em concurso público”, relembra a professora em nota.

Com o retorno, a professora irá atuar na área do jornalismo científico na Faculdade de Comunicação da Ufba. Formada na insituição de ensino, Mariluce Moura passou a se dedicar ao jornalismo científico em 1989, quando mudou-se para São Paulo. Ela criou uma das mais importantes revistas de divulgação científica brasileira, a Pesquisa Fapesp, a qual dirigiu entre os anos de 1999 e 2014, informou o Correio 24h.