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Professor da USP usa nova técnica para imprimir taça Jules Rimet em metais

Publicado em 06 dezembro 2019

Por Matheus Pichonelli

O professor Reginaldo Teixeira Coelho, do Departamento de Engenharia de Produção da USP São Carlos (SP), tinha sete anos quando Pelé percebeu a passagem de Carlos Alberto Torres pela direita e apenas rolou a bola para a bomba do capitão do tri. O gol fechou a conta da final da Copa de 1970, no México, contra a Itália: 4 a 1.

O tricampeonato deu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet, troféu de 3,8 quilos de ouro que hoje valeria quase R$ 200 mil e que seria roubado em 1983, na sede da CBF, dando origem a uma série de teorias e filmes, como "A Taça do Mundo é Nossa", protagonizado pelo elenco da trupe Casseta & Planeta. A versão oficial é que a taça acabou fundida.

"Vi pela TV o Carlos Alberto levantar a taça. Assistimos todos os jogos da seleção, em preto e branco. É uma lembrança muito boa da infância", resume Teixeira Coelho, que é coordenador do Laboratório de Processos Avançados e Sustentabilidade (LAPRAS) da universidade.

Para celebrar, em 2020, os 50 anos da conquista, a equipe do professor decidiu construir uma réplica em tamanho real da Taça Jules Rimet com a ajuda de uma nova tecnologia de impressão aditiva em metais.

Neste modelo, a peça não é lapidada a partir de um bloco de polímeros, como acontece na impressão 3D tradicional, mas esculpida através de um laser que funde metal em pó a mais de 1.700ºC.

A máquina híbrida usa tecnologia DED (Direct Energy Deposition), uma impressora aditiva que pertence ao parque de equipamentos do LAPRAS e foi desenvolvida com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Essa máquina, segundo o professor, serve para imprimir qualquer peça metálica para aplicações, inclusive implantes ósseos. Pode também reparar peça metálica desgastada ou danificada e imprimir peças de reposição de aviões e carros antigos.

A taça tem um custo estimado de cerca de R$ 7.000 e deve levar 30 horas para ficar pronta.

Para chegar ao modelo, Teixeira Coelho conta ter usado uma imagem digitalizada da taça original em 3D obtida em um site.

"A nitidez foi boa. Estaremos imprimindo com resolução de 2 mm, depois iremos fazer acabamento por usinagem", revela.

A réplica, de acordo com a equipe, será composta de aço inoxidável e deve ficar pronta ainda no primeiro semestre de 2020. Ela será doada, na sequência, para a CBF.

A apresentação do projeto de construção do troféu será realizada no próximo dia 12, durante o 1º Workshop de Manufatura Híbrida da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

"Será como ganhar nossa própria copa, no conhecimento tecnológico", resume o professor.

Colaboração para Tilt