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A Folha (São Carlos, SP)

Professor da USP - São Carlos é o novo diretor-presidente do IPT

Publicado em 29 janeiro 2008

João Fernando Gomes de Oliveira, novo diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Indica do pelo Conselho de Administração do IPT, Oliveira terá mandato de dois anos e substituirá o engenheiro civil Vahan Agopyan, que está à frente do instituto desde maio de 2006. A cerimônia de posse, aberta ao público, será presidida pelo vice-governador e secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Alberto Goldman.

"Inicio uma gestão que tem o desafio de melhorar ainda mais a relevância e a inserção do IPT nos sistemas paulista e brasileiro de inovação tecnológica. Trata-se do maior e mais antigo instituto de pesquisas no Brasil, com mais de cem anos de existência e cerca de 1,5 mil funcionários", disse Oliveira à Agência FAPESP.

'A atuação do instituto junto ao setor empresarial em setores estratégicos para o Brasil, como petróleo, aeroespacial e engenharia naval, é muito intensa e tem crescido a cada ano, o que se traduz na importância das pesquisas realizadas para o desenvolvimento econômico do país", afirmou.

Para que esse processo continue em curso, segundo ele, será necessário ampliar as atividades de pesquisa e desenvolvimento do IPT para áreas de atuação que sejam estratégicas para a indústria nacional.

"Precisamos expandir os horizontes tanto na sua temática, inserindo novas áreas do conhecimento em nos sas linhas de pesquisa, como na sua abrangência regional em termos estaduais, de modo que os serviços do instituto atinjam empreendimentos instalados em novas regiões do estado", destacou.

Outro desafio de sua gestão, explica o novo diretor- presidente, será fazer com que as atividades da instituição auxiliem no processo de consolidação dos parques tecnológicos que estão em fase de implementação no Estado de São Paulo, cujo relatório final com os resultados dos estudos de viabilidade foi apresentado em dezembro em evento na sede da FAPESP.

O IPT deve ser um instrumento de apoio ao desenvolvimento do sistema pau lista de parques tecnológicos. O instituto terá que se preparar para atender às novas demandas geradas pelos parques', disse.

"Nesse contexto, é fundamental que o instituto continue identificando potenciais oportunidades de transferência de inovações tecnológicas das universidades para o plano empresarial, servindo como uma ponte sólida para a criação de novos produtos e soluções em processos que atendam a essas demandas", afirmou.


Larga Experiência

O engenheiro mecânico Gomes de Oliveira graduou se em 1982, concluiu o doutorado em 1988 e a livre-do cência em 1992 pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), no interior paulista, onde é professor titular desde 1995 do Departamento de Engenharia de Produção. Obteve pós-doutorado em 1994 pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.

Em 1983, fundou o Laboratório de Pesquisas em Retificação de Precisão no Departamento de Engenharia Mecânica da EESC, na época o primeiro laboratório de pesquisas nessa área no hemisfério Sul. Ali, começou a formar os primeiros especialistas na área da manufatura, tendo orientado, nos primeiros sete anos do laboratório, dez mestres e quatro doutores, além de ter publicado mais de 70 artigos sobre processos de precisão.

Gomes de Oliveira tem experiência na área de engenharia mecânica, com ênfase em máquinas de usinagem e atua principalmente nos seguintes temas: retificação de precisão, monitoramento de processos e de sistemas de produção.

Em 1988, participou da fundação da Associação Técnica Brasileira de Abrasivos (ATBA), com o objetivo de aproximar universidades e empresas no desenvolvimento dessa área no Brasil. Faz parte também do grupo de fundadores do Núcleo de Manufatura Avançada da USP, em São Carlos, de onde já saíram dez empresas de alta tecnologia.

Gomes de Oliveira criou um processo para avaliação de superfícies de ferramentas abrasivas baseado em emissões acústicas de alta freqüência. O método hoje é utilizado por fabricantes de ferramentas de retificação nos Estados Unidos e na Europa. Todos os recursos obtidos com a patente são doados para o Laboratório de Otimização de Processos de Fabricação da EESC.

O novo diretor-presidente do IPT é representante da área de Engenharias III da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e coordenador do Instituto Fábrica do Milênio, projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com mais de 600 pesquisadores que tem o objetivo de promover o desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira.

Integra ainda o corpo editorial dos periódicos Journal of Engineering Manufacture, Journal of Manufacturing Science and Engineering e Machining Science and Technology. É membro da Associação Brasileira de Ciências Mecânicas, da Sociedade de Engenheiros em Manufatura e da Academia Internacional em Engenharia Industrial, na qual é vice-presidente do Grupo Técnico e Científico sobre Processos Abrasivos.

Tem mais de 200 trabalhos publicados em periódicos, congressos, revistas e jornais e quatro patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Orientou 29 mestrados, 14 doutorados e seis pós-doutorados, sendo dois deles na Alemanha e na Itália. É também consultor de diversas empresas no Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia no segmento metalmecânico.