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Professor da Unicamp lança livro "Riqueza e miséria do trabalho no Brasil"

Publicado em 09 outubro 2006

Por Fábio de Castro, Agência FAPESP

Para onde vai o mundo do trabalho? Mais complexa do que aparenta, a questão permeia as 500 páginas do livro Riqueza e miséria do trabalho no Brasil, lançado na última quinta-feira (5/10) no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Organizada por Ricardo Antunes, professor do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a obra é resultado de uma ampla pesquisa realizada durante cinco anos em diversos setores da economia brasileira.
O objetivo foi tentar entender as mutações do mundo do trabalho no Brasil, fazendo um desenho consistente da realidade setorial brasileira", disse Antunes em debate realizado no lançamento. O livro traz trabalhos de pesquisadores de diversas instituições e monta um mosaico bastante coeso - e crítico - das novas formas produtivas no país. Entre os colaboradores estão Márcio Pochmann, professor do Departamento de Economia da Unicamp, Giovanni Alves, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e o pensador húngaro István Mészáros, da Universidade de Sussex, na Inglaterra.
Além de discutir as novas modalidades de trabalho e de sua precarização, as novas faces do desemprego e a crise do sindicalismo, a obra expõe detalhadamente a pesquisa de campo realizada em diversos setores produtivos, como automobilístico, bancário, têxtil, telecomunicações, trabalho informal e até mesmo o ramo do canto erudito.
A análise de cada um dos setores permite observar uma completa mudança na morfologia do trabalho após a década de 1990. "Há elementos que aparecem em diversos retratos do mundo do trabalho, como a terceirização, precarização, erosão de direitos, individualização, planos de demissão voluntária ou lesões por esforços repetitivos (LER)", disse Antunes à Agência FAPESP.
O panorama atual do trabalho é destacado já na introdução. Durante o evento de lançamento do livro, Antunes abordou a questão, observando que a era do desenvolvimento da informatização criou o pior dos mundos para o trabalhador.
"Os anos 80, considerados pelo capital como uma década perdida, foram um momento de intensa luta social na América Latina. Nos anos 90, ocorreu o que chamo de desertificação neoliberal. Nossos bolsões de informalidade, que não passavam de 20%, hoje giram em torno de 60% a 70%. Vivemos no continente da superexploração do trabalho", explicou.
Antunes ressalta que, mesmo com todo o rigor científico das pesquisas - e até em decorrência dele - o leitor não deve esperar neutralidade. "Não fazemos sociologia da empresa, mas sociologia do trabalho. Nosso livro renuncia assumidamente à neutralidade. Fomos ao inferno do trabalho, mostrando sua exploração pelas empresas", afirmou.
Mais informações: www.boitempoeditorial.com.br. [FAPESP]