Notícia

Federação da Saúde

Professor da UNICAMP Gonçalo Pereira afirma que as energias renováveis podem ser um vetor de desenvolvimento do Brasil

Publicado em 16 julho 2018

O programa +Opinião São Paulo, da Fundação Leonel Brizola Alberto Pasqualini, conversou com o professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, titular da Unicamp, sobre políticas energéticas para o Brasil. O evento foi transmitido pelo Facebook na noite desta quinta-feira (12) e contou com a participação do presidente da CSB, Antonio Neto, e o estudante de economia da PUC SP Gabriel Cassiano como entrevistadores.

O professor diz que a atual política de Estado para reconhecer o papel estratégico dos biocombustíveis não funciona no Brasil porque o País prioriza o petróleo. “O Brasil tem o RenovaBio, mas isso não se estabiliza porque o maior rival é o petróleo. O biocombustível precisa de uma política para se ter uma estabilidade. O biocombustível é capaz de comandar o país”, diz o professor da Unicamp.

Gonçalo Pereira diz que “o etanol de segunda geração é uma forma de democratização dos combustíveis” e que o combustível fóssil só faz sucesso porque “vivemos numa bolha de energia”.

O especialista explica como o País poderia tornar o etanol uma fonte estável. “O Brasil, pela sua desorganização, importou US$ 50 bilhões em combustível. Você queimou R$ 160 bilhões. Em vez disso, se tivesse investido em produção de etanol, teria 1 milhão de postos de trabalho estáveis mais postos de trabalho que foram gerados para a construção das usinas, com um PIB de 170 bilhões”, explica.

Durante a conversa, o professor criticou a administração da Petrobrás por agir apenas como uma “indústria do petróleo”, matéria-prima finita e que põe em risco a saúde do planeta, em vez de voltar à sua vocação de ser uma “empresa de energia”.

O entrevistado do + Opinião São Paulo se diz otimista sobre o Brasil explorar melhor sua potência energética para criar políticas que levem o País para a ponta do setor produtivo. O especialista vê o Brasil como potência no futuro. “Antes de eu morrer quero viver em um país desenvolvido”, afirma Pereira.

Momento brilhante de inovação

Gonçalo Pereira diz que o Brasil precisa se entender como uma potência científica. “A gente não olha com racionalidade todo os recursos que tem. Toda a área de renovável está se reiniciando e tem muita tecnologia a ser desenvolvida, e o Brasil é uma potência científica. Somos o 13º maior produtor de ciência do mundo, mas o centésimo em inovação”. E completa dizendo que “as energias renováveis podem ser um vetor de desenvolvimento de todo o País”.

“O petróleo está acabando com o planeta, e é por isso que temos que parar de usar essa energia, e não porque ela vai acabar. Estamos na meca das energias renováveis; temos que olhar para isso no Brasil”, salienta o professor.

O especialista afirma que o principal problema dessa questão é ter “uma ciência desacoplada que não chega ao setor produtivo”. “Temos de desengaiolar o conhecimento que está preso nas universidades e levar para o setor produtivo, e isso se faz com as startups”, argumenta.

Para dar um exemplo da potencialidade do Brasil na questão de “que quando a gente (Brasil) se organiza podemos fazer qualquer coisa”, ele revela: “Em 1997, através de Fapesp, foi feito o genoma da laranja, e só depois o do Câncer”. Por isso, finaliza Pereira de forma otimista, o Brasil é uma potência genômica, principalmente na capacidade de analisar dados e pode ir longe na questão dos biocombustíveis.

Fonte: CSB