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Correio Popular

Professor da Unicamp é enterrado em Itu

Publicado em 06 abril 2004

O sociólogo Octavio Ianni, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falecido no último domingo, aos 77 anos, vítima de câncer, foi enterrado ontem, no Cemitério Municipal de Itu. Cerca de 300 pessoas compareceram à cerimônia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte do pensador, que nos anos 60 foi ponto de referência para toda uma geração de novos cientistas sociais. "A morte do professor Octavio Ianni representa uma grande perda não só para a sociologia brasileira como para a luta em favor da justiça social no País. Ianni deixa uma obra inspiradora para todos os que se empenham em favor da igualdade racial, da reforma agrária, do desenvolvimento e da soberania do Brasil", disse Lula em nota oficial. O mesmo pesar foi demonstrado pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e ex-reitor da Unicamp, Carlos Vogt. "Primeiro, eu lamento a perda do amigo e depois do grande intelectual, atento às grandes transformações e referência dos temas contemporâneos. Ele deixou um legado de amigos e seguidores por onde passou e deixou trabalho realizado". Ianni sofria de câncer havia mais de um ano e estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde a última segunda-feira. Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, nas últimas semanas, mesmo doente, ele continuava freqüentando sua sala no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), ao qual era ligado. Nascido em Itu em 1926, Ianni, participou da chamada Escola de Sociologia Paulista. Na década de 50, fez parte, com Florestan Fernandes e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), do grupo de sociólogos que participou de uma pesquisa sobre relações raciais no Brasil. O resultado do trabalho obrigou a uma profunda revisão do conhecimento sociológico da realidade étnica brasileira. Na década de 90, Ianni continuou sua trajetória intelectual. Integrou a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, ao regressar do exílio imposto pelo regime militar que o obrigou a se aposentar compulsoriamente da Universidade Estadual de São Paulo (USP) em 1969. Nos últimos anos, dedicou seus estudos à globalização, deixando claro sua visão crítica em artigos e livros. O sociólogo defendia um projeto nacional de desenvolvimento. (Da Agência Anhangüera)