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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Professor da Uniara vai participar do mapeamento da Mata Atlântica

Publicado em 03 março 2000

O curso de Biologia do Centro Universitário de Araraquara (Uniara) vai participar do projeto que vai mapear a biodiversidade da Mata Atlântica - hoje uma das prioridades de preservação da ONU. Financiado com recursos da Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o projeto vai ter duração de cerca de 4 anos, num custo total de US$ 300 mil. Esse estudo está inserido em um programa mais amplo, o Biota/Fapesp, que tem a finalidade de conhecer todos os organismos vivos e a forma de interação entre eles para se estabelecer políticas de preservação no Estado de São Paulo. O projeto da Uniara é um dos 15 aprovados pelo Biota/Fapesp, que conta com US$ 12,5 milhões em recursos. Dentro do programa, a Uniara vai estar envolvida no estudo de insetos (cupins, vespas, abelhas e formigas). A inclusão do Centro Universitário surgiu a partir do projeto do professor doutor Marcelo Teixeira Tavares, especialista em vespas parasitóides. Seu trabalho será coordenado pelo Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo). As outras instituições que irão desenvolver estudos desses insetos são Instituto Biológico de São Paulo (Lab. Reg. Ribeirão Preto), Museu de Zoologia da USP. Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal de São Carlos, Embrapa/Bahia e Universidade Federal de Viçosa, entre outras. "Nosso estudo vai abranger desde a Paraíba até o Estado de Santa Catarina", afirma. O professor pretende aplicar, no futuro, o conhecimento adquirido no estudo das áreas de Mata Atlântica existentes no interior do Estado. "A similaridade entre os dois tipos de mata é muito grande e, dessa forma, estaremos colaborando, também, para o conhecimento da biodiversidade das matas da nossa região", diz ele. Além desse projeto, o professor da Uniara vai participar do levantamento da flora e fauna do córrego do Pinheirinho, junto com outros três subprojetos. Com recursos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Jacaré, os três subprojetos têm a finalidade de recuperar a área do córrego. PESQUISA E MESTRADO As pesquisas desenvolvidas por professores da Uniara na área ambiental, como as de Tavares, irão dar suporte para o primeiro curso do interior paulista de mestrado em administração que vai tratar da gestão ambiental. O mestrado começa dia 24 de março, na Uniara. É o caso das pesquisas de impacto ambiental desenvolvidas pelos professores doutores Roberto da Gama Alves e João Alberto da Silva Sé. Alves desenvolveu um método preciso de análise do nível de poluição dos rios, lagos e represas, por meio do estudo de organismos chamados bentônicos -ou seres que habitam o fundo de água doce. "Essa técnica é mais eficiente e precisa que a análise dos componentes químicos e físicos da água, pois esses organismos são os primeiros a sentirem a alteração do meio ambiente", afirma o professor. Segundo ele, esse tipo de análise, além de ser mais precisa, é capaz de evitar que qualquer dano ao meio ambiente traga prejuízos maiores, como a mortandade de peixes. Dois estudos foram desenvolvidos pelo professor na bacia hidrográfica do Ribeirão do Ouro, onde foi verificada a contaminação de alguns trechos por material orgânico. Atualmente ele está participando do projeto de recuperação do córrego do Pinheirinho, fazendo a avaliação qualitativa da fauna bentônica do Parque do Basalto. A linha de pesquisa levada a cabo por Alves está dentro da programação da Gestão Ambiental do mestrado de Administração da Uniara. "O interesse na preservação do ecossistema é do Estado, da sociedade e também dos empresários. Hoje já não é mais possível para estes fugirem da questão, e devem compatibilizar o crescimento econômico com a qualidade de vida." Já o professor João Alberto da Silva Sé, cuja especialidade é educação ambiental, tem um extenso trabalho desenvolvido na bacia do Rio Monjolinho, em São Carlos. O professor fez um levantamento de diversos itens, como a geologia, a vegetação, a qualidade da água e, principalmente, as mudanças provocadas pela ocupação humana na bacia e traçou linhas para a recuperação do ambiente a curto, médio e longo prazo.