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Folha da Cidade (Araraquara, SP) online

Professor da Uniara é homenageado com nome científico de nova espécie de mosquito

Publicado em 08 janeiro 2011

O professor doutor Juliano José Corbi, do curso de Biologia do Centro Universitário de Araraquara - Uniara, recebeu uma homenagem de sua orientadora de mestrado e doutorado, a professora doutora Susana Trivinho-Strixino, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que batizou uma nova espécie de mosquito descoberta no Ribeirão das Anhumas com o nome Paratanytarsus corbii.

Segundo o docente da Uniara, a coleta do inseto no Ribeirão das Anhumas, próximo à cabeceira da represa do Clube Náutico, foi realizada entre os anos de 2001 e 2002, durante o trabalho de campo exigido para a sua tese de mestrado em Ecologia e Recursos Naturais (Ecologia de Ambientes Aquáticos) pela UFSCar.

"O meu trabalho teve como foco as espécies existentes nos sedimentos e na vegetação presentes nas águas da represa. O Ribeirão das Anhumas é uma das áreas naturais mais preservadas de toda a região, o que facilita qualquer trabalho de pesquisa científica. Só ali é possível encontrar 41 espécies de invertebrados aquáticos. A espécie coletada é parecida com um pernilongo, mas tem algumas diferenças, como o fato de não picar, por exemplo", ressalta Corbi.

Após a coleta de larvas, a espécie foi analisada no Laboratório de Entomologia Aquática do Departamento de Hidrobiologia da UFSCar. A professora doutora Susana Trivinho-Strixino confirmou que se tratava de um gênero que ainda não havia sido registrado na chamada "região neotropical", que compreende as Américas do Sul e Central. Segundo ela, a pesquisa fez parte de um amplo trabalho apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realizado por diversos pesquisadores, para o estudo das espécies existentes na fauna e na flora paulistas.

"O Paratanytarsus corbii foi identificado analisando um macho adulto. Verificamos a evolução nas diferentes fases (larva, pupa e adulto) e acabamos comprovando que se tratava de uma nova espécie. Acredito que seja uma descoberta importante para auxiliar no conhecimento da diversidade da fauna que temos na região e, ao mesmo tempo, para esse trabalho apoiado pela Fapesp, por se tratar de uma descoberta de relevância internacional", destaca Susana.

Processo

O professor da Uniara conta que todo o processo para confirmação de que se trata de uma nova espécie é bastante longo e complexo. "Até que seja possível comparar com outras espécies do gênero Paratanytarsus existentes em outros continentes, fazer todo o trabalho de taxidermia (arte de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo) e redigir um artigo científico com todos os detalhes e referências, são necessários vários anos", explica. No caso dessa espécie, foram nove anos até que o reconhecimento fosse alcançado.

Em março de 2010, o artigo foi submetido à avaliação de uma das mais importantes publicações especializadas do mundo, a neozelandesa "Zootaxa". Depois de sete meses, no dia 20 de dezembro, o texto foi publicado, descrevendo não só a descoberta do Paratanytarsus corbii, mas também a de outra espécie da mesma família (Diptera: Chironomidae), a Paratanytarsus silentii, descoberta no Córrego do Silêncio, situado no Parque Estadual do Jaraguá, na capital paulista.

Corbi, que é pós-doutor em Zoologia e professor de Zoologia dos Invertebrados do curso de Biologia da Uniara, classifica a homenagem como "bastante representativa". Ao mesmo tempo, ele acredita que o trabalho servirá como referência para outros estudos que contribuam no entendimento de ecossistemas de ambientes aquáticos e dos diferentes níveis de impactos ambientais existentes em áreas de preservação.

"O fato de o Ribeirão das Anhumas ter uma espécie como essa é o que pode ser chamado de "bioindicador" para que seja possível avaliar o padrão de qualidade ambiental, que ali pode ser considerado bastante satisfatório. Sem dúvida, o Anhumas serve como referência para que tenhamos uma preservação maior de outras áreas de Araraquara e região, como o Ribeirão das Cruzes, por exemplo", conclui o docente.