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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Ararquara recebe honraria por Projeto Genoma

Publicado em 23 março 2000

Por Célia Pires - Redação
O dia 21 de fevereiro foi uma noite de festa para a ciência produzida no Estado de São Paulo e para toda a história da ciência brasileira, as honrarias entregues aos 192 pesquisadores do Projeto Genoma marcou a entrada do Brasil no rol dos países- o primeiro tora no eixo Europa, Estados Unidos e Japão e o único Hemisfério Sul a desvendar a genética de um microorganismo vegetal, a Xylella fastidiosa, com uma homenagem que emocionou todos os presentes. O fato inédito foi saudado pela comunidade científica internacional com admiração. Quem esteve presente entre os homenageado foi o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Unesp de Araraquara, professor Paulo Inácio da Costa. De acordo com o professor Paulo a bactéria Xylella fastidiosa é uma; bactéria que tem uma grande importância econômica. "Haja visto a grande perda da agricultura por causa desta bactéria. Isto envolve um problema econômico principalmente no Estado de São Paulo, onde você tem uma grande quantidade de fazendas produtoras de laranja e as indústrias que estão basicamente concentradas no Estado de São Paulo em termos econômicos é uma bactéria que causa um grande prejuízo". INÍCIO Costa conta que em 1997 deu-se início na própria FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) o interesse em desenvolver um Projeto Genoma. "Associou-se o interesse econômico (a importância econômica dessa bactéria pelo que está causando na economia) e o interesse da FAPESP em desenvolver um Projeto Genoma que fosse genuinamente paulista e que este projeto poderia dar inicio a uma sofisticação tecnológica dentro do Estado de São Paulo com capacitado de laboratórios e de pessoal para o desenvolvimento de técnicas- que são usadas no Primeiro Mundo e que colocaria o Estado de São Paulo e o Brasil como um país de destaque no Hemisfério Sul como sendo o primeiro país a desenvolver um Genoma dessa natureza, ou seja, seqüenciar todo constituinte genético dessa bactéria e a partir desse momento ter conhecimento de tudo que essa bactéria produz- a partir do conhecimento da genética da bactéria, de tudo que ela armazena no seu genoma" INVESTIMENTO Esse projeto iniciou um grande investimento em parte da FAPESP, o governo do Estado de São Paulo apoiando, o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas basicamente o grande, o montante utilizado neste projeto veio da FAPESP e também a participação do Fundecitrus (Fundo da Defesa da Citricultura). "Nesse caso uma parceria entre a instituição pública e a iniciativa privada em se desenvolver um projeto de uma natureza como essa do Projeto Genoma da Xylella Fastidiosa". Para desenvolver esse projeto houve a necessidade da capacitação laboratorial e de pessoal que não existia. "A FAPESP acabou criando essa capacitação através de recursos destinados a 35 laboratórios que foram selecionados no Estado de São Paulo e dentro desses 35 laboratórios, os vários pesquisadores envolvidos com cada laboratório. Cada grupo que foi formado em cada laboratório". No final de 99 esse projeto que tinha uma previsão até um pouco maior de tempo para seu desenvolvido antes do prazo. "Isso foi uma grande vitória para esses grupos, para a coordenação do projeto o término antes do previsto e basicamente 30% a mais daquilo que se esperava. Se esperava um genoma 30% menor do que o que foi alcançado. Todos os laboratórios conseguiram concluir este trabalho". Preocupação Paulo Inácio da Costa participou desse projeto junto com um grupo da USP de Ribeirão Preto. "Integrei esse grupo que é o do Prof. Vanderlei Rodrigues, da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto". Na finalização houve uma preocupação por seu um primeiro projeto nacional e dentro do nosso país o Estado de São Paulo incorporando isto de criar um marco histórico dentro da ciência e tecnologia no Estado de São Paulo e no Brasil. "Esse marco histórico foi com o reconhecimento de todos os que participaram desse projeto. Os envolvidos com o Projeto Genoma e todos os pesquisadores, portanto, receberam um mérito cientifico e tecnológico por par- te da FAPESP e esse mérito foi cedido pelo governo do estado, através do governador Mário Covas". Costa explica que a cerimônia ocorreu no dia 21 de fevereiro no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo e contou com a presença do governador Mário Covas, e com os diretores da FAPESP, diretores do Fundecitrus, ministro da Ciência e Tecnologia e várias outras pessoas importantes dentro da área científica nacional. ÁREA Professor Paulo Inácio da Costa, 37, é professor de imunologia clínica nada a ver com o projeto, assim como a maioria dos laboratórios que participam e continuam participando dos projetos genoma da FAPESP não necessariamente estão relacionados com a sua linha de pesquisa. Houve uma preocupação inicial de se capacitar esses laboratórios e num esforço conjunto de chegar ao resultado que chegou, não importando a aérea de cada um. "Aqui a nossa área é trabalhar com controle de sangue, doador de sangue e doenças sexualmente transmissíveis e AIDS. Essa é a minha atividade aqui, mas a gente coloca dentro da Faculdade Ciências Farmacêuticas também um marco histórico junto com esses grupos envolvidos no seqüenciamento do DNA. Costa diz que gostaria de agradecer a oportunidade da própria Faculdade de Ciências Farmacêuticas da acolhida da minha vinda de Ribeirão Preto, os diretores que estiveram, nessa fase de seis anos que estou aqui, os colegas que sempre estiveram do lado da gente dando a maior força para que isso acontecesse é que esse mérito na realidade não é só meu é de toda comunidade científica e também da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara. RETORNOS INCALCULÁVEIS O primeiro seqüenciamento genético de uma bactéria vegetal não foi um trabalho simples. Implicou em construir um instituto virtual de pesquisas formado por uma rede de 35 laboratórios paulistas conectados via Internet- a Rede ONSA (Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos), que tem como símbolo o mais típico felino brasileiro- a onça. Sem paredes, descentralizado, coro uma estrutura leve e flexível. O Instituto tem um custo a quem dos padrões internacionais e conseguiu maximizar os recursos financiados pelo governo do estado de São Paulo, por meio da FAPESP em parceria com a Fundecitrus, entidade privada que reúne produtores de laranjas. Foram quase 3 milhões de bases genéticas examinadas de ponta aponta e dispostas em sua exata seqüência. Em menos de dois anos e meio - o megaempreendimento - começou em outubro de 97 e terminou quatro meses antes do prazo fixado a força tarefa de 192 cientistas desvendou toda a organização molecular de um minúsculo ser vivo, a bactéria Xylella Fastidiosa, responsável pela perda de milhões de laranjeiras, uma em cada três plantadas no Estado. O custo da pesquisa US$15 milhões trará retornos ainda incalculáveis para São Paulo e para o Brasil a médio prazo. A previsão é que em cinco anos as implicações dessas descobertas estejam produzindo resultados concretos para começar a erradicar a praga do amarelinho a partir de árvores geneticamente resistentes à bactéria Xylella.