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Tribuna da Cidade

Professor Albert Audubert morre na França

Publicado em 31 agosto 2006

Um grande admirador do Brasil morreu nesta terça-feira (29/8) na França aos 77 anos. O lingüista Albert Audubert, que atuou mais de 20 anos no Brasil, de 1963 a 1985, exerceu grande influência sobre um grande números de brasileiros que resolveram estudar a língua francesa, após entrar em contato com ele.

Professor da Universidade de São Paulo, responsável pela Cátedra de Francês, teve grande atuação no desenvolvimento dos estudos lingüísticos e literários franceses em São Paulo e no Brasil.

"Ele influenciou muitos alunos da Universidade de São Paulo, por onde ele circulou mais.

Depois, inclusive, acabei indo para a França e sendo indicado por ele para a Unicamp", explica Rodolfo Ilari, que até hoje, mesmo aposentado, trabalha no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas, que ele ajudou a fundar.

"Claro que outros professores, como o Antonio Cândido, também colaboraram para isso."

O enterro do professor Audubert ocorreu nesta quarta-feira (30), no cemitério de La Chapelle-aux-Sains, Departamento da Corrèze, Sul da França.

Sobre ele, os registros históricos da Universidade de Bordeaux III, onde ele lecionou após voltar do Brasil para sua terra natal, são categóricos.

"Graças às ações de Albert Audubert é que se desenvolveram os estudos de línguas dos países ibéricos e latino-americanos", diz o documento Les Cahiers d'outre-mer escrito por Alain Huetz de Lemps em 1997.

"Seu nome está ligado à constituição do grupo que fundou o departamento de Lingüística na Unicamp e que depois daria origem ao IEL", disse Carlos Vogt, presidente da FAPESP.

Audubert ocupou o cargo de diretor do setor de portugês na Universidade de Bordeaux III antes de optar pela aposentadoria.

"A lista de pessoas que ele influenciou é muito grande. No meu caso, posso dizer que ele determinou a minha vida profissional", disse Ilari, que costumava se corresponder com Audubert com freqüência nos últimos anos.

Segundo Ilari, Audubert era socialista convicto, amigo pessoal do presidente François Mitterand e do primeiro-ministro português Mário Soares.

"Ele orgulhava-se de ter enfrentado e vencido em sua terra natal o atual presidente francês, Jacques Chirac".

Na França, o lingüista fez da mansão setecentista em que morava um verdadeiro museu do Brasil.

Lá havia quase tudo: recortes de jornais acumulados e escritos dos antigos alunos. "Naquela casa, ele também recebia com grande generosidade os brasileiros que o procuravam".

Entre os trabalhos publicados sobre o Brasil está o Dictionnaire d'argot bresilien (giria) - argot français, obra que retrata as gírias faladas no Brasil na época em que Audubert viveu por aqui.

"Quem quiser saber mais sobre essa figura, que teve presença tão próxima e tão marcante para toda uma geração, aconselha-se a leitura da introdução desse dicionário de gíria.

Lá, Kurt Baldinger fala do Audubert, da terra natal dele, a Occitânia.

E de alguns de seus itinerários intelectuais, em que sempre se cruzaram o Brasil e a França, o culto da filologia e da história, e a preocupação em abrir caminhos".