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O Diário de Mogi

Prof. Jorge Nagle morre aos 90 anos

Publicado em 25 junho 2019

O professor Jorge Nagle faleceu neste final de semana, quatro dias após completar 90 anos. Ele escolheu residir na cidade no final da década de 1990, quando recebeu o convite para atuar na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), onde dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas de Ensino. Era um especialista em educação brasileira, com vários livros e teses publicadas, passagens por organizações como os conselhos Federal de Educação, Superior da Fapesp, e dos Reitores das Universidades Estaduais e Brasileiras, além de títulos e condecorações.

Reitor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Araraquara entre 1984 a 1989, foi considerado peça-chave no processo de pacificação administrativa da instituição, durante a reabertura democrática.

Ele veio atuar em Mogi após ser convidado pelo ex-reitor da USP, Roberto Leal Lobo, quando este assumiu a reitoria da UMC. Integrou a mesma leva de professores que migraram do ensino público para o privado, formada por Lobo, onde estavam o professor José Sebastião Witter, de quem era amigo pessoal, Oscar Hipólito e Isaac Roitman.

Formado em Pedagogia pela USP, Nagle trabalhou na universidade mogiana até 2000, mas aqui permaneceu cultivando hábitos rotineiros como as idas ao Varejão, aos domingos, onde conhecia pelo nome os proprietários das barracas por onde circulava. Segundo Elton Gomes Costa, gerente bancário que acabou tornando-se conhecido de Nagle, “ele era uma pessoa diferente, irreverente, de humor apurado e contador de piadas, mas introspectivo, solitário. Nós convivemos durante anos e apenas duas vezes estive na porta da casa dele, para lhe dar carona. Uma das vezes foi no lançamento de um dos livros do Witter [1933-2014], na sede de O Diário. Nós tínhamos um gosto em comum, os pássaros, mas nunca conheci os que ele cuidava”, comentou.

A professora e pesquisadora da UMC. Luci Mendes de Melo Bonini, destaca que Nagle foi um incansável lutador pela melhoria da qualidade da Educação. “E aqui na UMC não foi diferente. Dentro do Núcleo de Educação, ele realizou uma pesquisa com professores e alunos do Ensino Fundamental, que teve inclusive apoio da Fapesp. Ele se preocupava com a cultura universitária e com a graduação”, lembrou Luci.

O educador possui ampla produção bibliográfica, onde percorre temas como o ensino brasileiro, a reforma escolar e didática, entre outros.

Em entrevista ao portal da Unesp, em 2004, descobre-se um pouco do que pensava o acadêmico sobre temas pertinentes. Para Nagle, “muitas vezes, a convivência acadêmica era mais importante do que o conteúdo de uma disciplina. Por isso, defendo a ideia que se dê todo poder à sala de aula”. E numa crítica ao sistema universitário, ponderou: “Temos um ensino superior sem cultura superior. Todo o ensino superior deveria articular educação, cultura e desenvolvimento nos níveis federal, estadual e municipal. Enquanto isso não acontecer, continuará sendo culturalmente pobre, pois a tendência é segmentar o conhecimento, o que leva a um estreitamento do campo de abrangência da educação superior”.

Nascido em Cerqueira César, tanto gostou de Mogi das Cruzes que logo após sua mudança, adquiriu um espaço no Cemitério Parque das Oliveiras, onde foi enterrado neste domingo.

Nagle sofreu uma queda acidental na rua e não mais se recuperou das sequelas. Foi casado com Márcia Meirelles Nagle e deixou os filhos Alexandre e Maurício.