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Monitor Mercantil

Produtores brasileiros estão usando mais defensivos biológicos

Publicado em 22 março 2019

A indústria de controle biológico brasileira, formada por empresas produtoras de defensivos agrícolas para combate a pragas e doenças nas lavouras, está ampliando sua participação na agricultura. Os produtos biológicos estão sendo empregados em dez milhões de hectares no Brasil. Em cinco anos, o número de biofábricas dobrou: já são 70 indústrias de produtos do tipo no país. As empresas estão investindo mais em pesquisa e as universidades abrindo espaço para o debate e a produção científica.

Inovações técnicas estão surgindo, inclusive com a utilização de drones nas plantações. “Estamos vivendo um momento de profissionalização. No passado, o uso do defensivo biológico levantava dúvidas e não havia muita pesquisa. Hoje, as universidades também estão aumentando o foco sobre o tema”, destacou Arnelo Nedel, empresário e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira em São Paulo.

O conjunto das empresas membros da ABCBio e que representa 70% do mercado de agente biológico comercializado no Brasil, encerrou 2018 com vendas totais da ordem de R$ 464,5 milhões, resultando numa expansão de 77% sobre os R$ 262,4 milhões obtidos em 2017. É o maior índice de crescimento da história do segmento. Amália Borsari, diretoria executiva da ABC Bio, explicou que a participação total dos biológicos no mercado de defensivos é de 1% a 2%. “O biológico e o sintético são mercados diferentes, mas a expansão do biodefensivo é mais acelerada”, comparou. Amália contou que a associação vem sendo procurada por empresas estrangeiras interessadas em fazer parceria no Brasil.

Em termos de regulação, os produtos passam pelo crivo do Ministério da Agricultura, da Anvisa e outros controles que asseguram o uso no campo. A tecnologia também é uma forte aliada do segmento, assim como as agências de financiamento, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Os biodefensivos são altamente específicos para a praga alvo, que permite a vida de insetos benéficos à produção (predador natural), e diminui a dependência de mais agroquímicos. A maioria dos biodefensivos é isenta de limites máximos de resíduos em alimentos em todo o mundo, reduzindo a exposição dos consumidores e do meio ambiente a resíduos tóxicos”, explicou a ABCBio que reúne 21 empresas associadas.

Lançamentos Além do trabalho de divulgação sobre os benefícios dos defensivos agrícolas biológicos, o aumento nas vendas no ano passado foi alavancado pelo lançamento nos últimos dois anos de produtos no mercado brasileiro. Diversas novas formulações foram colocadas à disposição do produtor entre o final de 2017 e durante 2018. Algumas delas ganham espaço no pacote tecnológico de controle de pragas e doenças das lavouras por proporcionarem aumento de vida útil e, consequentemente, maior tempo de prateleira.

Além disso, os novos ativos que estão chegando ao mercado possibilitam controlar diferentes pragas e doenças, alguns possuem mais de um ativo biológico num mesmo composto e há ainda os chamados agentes híbridos, que combinam ativos biológicos com ingredientes de origem química. Segundo a associação, os produtos são inofensivos para as pessoas se forem usados de forma adequada. As principais culturas que usam o insumo são a soja, cana, café, hortaliças e frutas. Para Arnelo Nedel, eleito recentemente para a gestão do biênio 2019-2020, o desempenho expressivo do segmento ganha ainda mais relevância por ser uma média.

“Houve segmentos onde o aumento de vendas atingiu a espantosa marca de 148%, como no caso dos biofungicidas”. Ele explicou que os agricultores estão aumentando o uso de defensivos biológicos. “O bom resultado no segmento depende muito da aplicação correta do produto”, ressaltou o presidente da ABCBio. Para ampliar a divulgação sobre as novas tecnologias utilizadas no controle biológico de pragas e doenças que afetam a agricultura brasileira, a entidade tem uma série no YouTube que ajuda a disseminar o uso de biodenfensivos na agricultura brasileira. A série tem como público agricultores, consultores e técnicos interessados em aprofundar o conhecimento sobre o uso de defensivos biológicos.

O vídeo, que tem duração de cinco minutos. Novo posicionamento As indústrias produtoras de defensivos têm se aproximado mais do agricultor, oferecendo suporte, assistência técnica, sobretudo em relação as formas de aplicação de agentes que são organismos vivos que, portanto, demandam maior controle no seu manejo. Há casos de agentes biológicos que já apresentam a mesma eficácia dos produtos convencionais. “O que se nota é que havia, e ainda há, uma demanda reprimida por soluções de defesa vegetal que resultem em menor impacto em termos de resíduos, principal característica dos agentes biológicos”, comentou o presidente da ABCBio. Uma pesquisa feita pela ABCBio, na safra 2017-18, com 1.762 agricultores de todo o país, apontou que 43% dos produtores rurais não conheciam os biodefensivos.

E cerca de 98% dos entrevistados que usaram defensivos biológicos na safra 2017-18 disseram que pretendiam usá-los também na próxima safra. Entre os fatores mais citados para a decisão do uso está a eficiência do controle, mencionado por 76% dos produtores ouvidos. O mercado mundial de defensivos agrícolas biológicos tem registrado índices de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivos químicos. No Brasil, a expectativa é de maior crescimento do segmento nos próximos anos. Dos produtores ouvidos na pesquisa da ABCBio, por exemplo, 96% disseram que deve haver crescimento no uso desse tipo de insumo no paísl nos próximos cinco anos. Controle biológico A expansão do uso de defensivos agrícolas biológicos no Brasil é motivada por alguns fatores: Uma nova mentalidade do setor produtivo – o Manejo Integrado de Pragas (MIP) cresce num ritmo acelerado e os defensivos biológicos são primordiais neste sistema.

Oferta limitada de novas moléculas químicas convencionais. Foco em uma agricultura mais sustentável, com menor toxidade ao ambiente, ao homem e aos animais. Condição climática brasileira e a prática de monocultura favorecem a proliferação de novas pragas. Avanços tecnológicos oferecem caminho para desenvolvimento do potencial de produtos biológicos mais eficientes. A pressão regulatória pela gestão de resíduos favorece a aprovação de produtos mais seguros e naturais. Aumento da demanda do consumidor e supermercados (busca por produtos com resíduos zero). Aumento de estudos de compatibilidade, de pesquisa e desenvolvimento favorece o uso dos defensivos biológicos compatíveis com os defensivos sintéticos, convencionais. Evolução continua da escala de produção e métodos de aplicação.