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Produtor considera programa dos tucanos mais abrangente

Publicado em 25 outubro 2006

Por Priscila Machado Luiz Silveira

O agronegócio considera que o candidato tucano Geraldo Alckmin tem propostas mais detalhadas e abrangentes para o setor do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. Há uma divisão em relação aos dois candidatos, como ficou demonstrado em duas recentes manifestações de produtores (sexta-feira em Mato Grosso, a favor de Alckmin, e anteontem em São Paulo, pró-Lula), mas os representantes do setor consideram mais completas as propostas apresentadas pelo ex-governador de São Paulo.
"Comparando os programas do governo em relação ao agronegócio, fica claro que Alckmin fez a lição de casa e mostrou conhecimento dos desafios para o crescimento da agricultura", afirma João de Almeida Sampaio Filho, presidente da Sociedade Rural Brasileira.
Em relação à reforma agrária, há também maior apreensão do agronegócio em relação ao programa do presidente Lula.
Para o presidente em exercício da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio Meirelles, há uma preocupação básica em relação às propostas dos dois candidatos à Presidência da República no que se refere à agropecuária: o setor não está entre as prioridades dos candidatos. "Parece até certo ponto que não existe essa atividade no Brasil", afirma Meirelles, que é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp).
Ao comparar os programas de governo de Lula e Alckmin, Fábio Meirelles considera um erro que não haja uma linha clara para a proposta de atuação na política agrícola. Para ele, o programa de Alckmin para o setor erra ao não dar essa definição para sua atuação na economia neste momento, em que "a agropecuária vai bem e a população está satisfeita, mas em que o peso dessa felicidade foi colocado nos ombros do produtor".
Na avaliação de Fábio Meirelles, o setor se sente "incomodado" por não ser prioritário no programa do atual presidente da República, repetindo o sentimento que predominou no setor durante o governo Lula.

Familiar versus empresarial
Um dos pontos em que há maiores críticas ao programa apresentado pelo presidente Lula é a dicotomia entre agricultura familiar e empresarial. "Na verdade, trata-se de uma coisa só", afirma o presidente da Sociedade Rural Brasileira.
Nesse item, na avaliação de João Sampaio, há uma diferença a favor do programa de Geraldo Alckmin: "O candidato do PSDB propõe uma política agrícola única, com nuances específicas para o pequeno e o grande produtor".
Quanto à defesa sanitária, Sampaio considera que o programa do presidente Lula tem um equívoco: "Há confusão entre custo e investimento. O próximo governo precisa fazer um investimento pesado na defesa sanitária".

Reforma agrária e Embrapa
Com relação à reforma agrária, Fábio Meirelles, da CNA, comenta que há um ponto importante para o setor, que está fora dos programas dos dois candidatos: a questão da revisão dos índices de produtividade agropecuária. Esses números são a base para definir as terras consideradas improdutivas que podem ser desapropriadas para a reforma agrária.
"Esse é um assunto que deveria ser decidido pelo Ministério da Agricultura, com bases técnicas", reclama Meirelles, que não vê preocupação dos candidatos com o tema. O aumento dos índices está sendo discutido nos últimos meses nos corredores do Congresso Nacional.
João Sampaio, da Sociedade Rural Brasileira, lembra que o atual presidente da República deveria dar maior atenção à Embrapa em seu programa de governo e recorda: "O governo Lula começou mal ao tentar mudar o direcionamento da Embrapa, deixando-a sem recursos. O órgão deve ser reforçado, ter mais recursos, e deve acabar a visão equivocada de que a Embrapa deveria fazer pesquisas apenas para a agricultura familiar".

Biocombustíveis
No segmento de biocombustíveis, em que o agronegócio tem presença preponderante, os programas dos dois candidatos são considerados semelhantes, mas há elogios à atuação de Geraldo Alckmin quanto ao desenvolvimento da biotecnologia. A secretária executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Lerayer, lembra que Lula assinou um programa para a apoiar a biotecnologia, mas que o plano de governo do candidato tucano possui as mesmas bases para o setor: nanotecnologia e biocombustíveis.
"A biotecnologia foi uma prioridade da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) durante o governo Alckmin", recorda Alda.