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A Tribuna (Santos, SP) online

Produto não elimina insetos-predadores

Publicado em 15 agosto 2005

A natureza possui suas próprias armas para combater as pragas que destróem as plantas. Entre elas estão os chamados insetos-predadores. Para cada praga, há um ou mais insetos à espreita, prontos para o bote.

Esse equilíbrio, entretanto, foi sendo drasticamente alterado na medida em que as lavouras foram crescendo de tamanho, ocupando áreas hoje equivalentes a dezenas de campos de futebol.

Esse fato, aliado ao uso dos defensivos químicos cada vez mais poderosos, não só dizimou uma boa parte das pragas, como, por tabela, os seus predadores.

Segundo o professor Mauricio Boscolo, o pesticida feito com açúcar e óleo de soja não causa esse indesejável efeito colateral. "Esses predadores não são tão afetados pelos derivados da sacarose", explicou.

Além disso, na medida em que as lavouras aumentam e cresce o uso dos agentes químicos, surge um outro grave problema: as pragas vão se tornando mais e mais resistentes. O resultado disso é o aumento na dosagem dos agrotóxicos, em um processo desastroso para a saúde dos consumidores.

O produto desenvolvido na Unesp evita esse círculo vicioso. Diferentemente dos agentes químicos, que interferem no funcionamento das células, o biopesticida age apenas no exoesqueleto das pragas - estrutura que sustenta o corpo desses animais e que uma vez rompida, provoca perda de água e morte por desidratação.

Por não agir no nível celular, a substância à base do éster "impede que esses organismos se adaptem e desenvolvam defesas", comentou Boscolo.

Grudado e estressado

Mas os benefícios não param por aí. O novo defensivo produz efeitos tanto ao atingir o corpo do inseto-praga quanto ao se depositar na superfície dos vegetais.

"No segundo caso, por sua viscosidade, o produto adere às pernas do animal que, devido ao esforço para liberá-las, deixa de se alimentar da planta e transmitir doenças, acabando por fugir para outro local ou morrendo em função do estresse", explicou.

Por ser composto de ésteres de açúcar, Fernandes enfatiza que o produto não oferece risco para a saúde. "Como também é biodegradável, não polui o ambiente nem afeta o desenvolvimento da planta", esclareceu.

Uma outra vantagem é o custo de produção. Boscolo assinala que, com menos de R$ 5,00, é possível adquirir açúcar e óleo de soja suficientes para obter 1 quilo do pesticida. Diluído em água, esse volume do produto rende 500 litros, capazes de pulverizar cerca de 1 hectare de uma cultura como o tomate. "Para proteger essa área com pesticidas disponíveis no mercado, o agricultor chega a gastar R$ 100,00", comparou.

A equipe espera iniciar, ainda em 2005, uma nova etapa de atividades, promovendo testes de campo. Os estudos recebem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.