Notícia

DCI

Produção de metais já se beneficia da nanotecnologia

Publicado em 03 junho 2004

Compostos nanoestruturados já fazem parte do dia-a-dia de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). Desenvolvidos pela Rede de Cerâmicas Nanoestruturadas e Interfaces (RCNI), coordenada por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), alguns dos compostos nanoestruturados servem para tornar superfícies mais refletoras e resistentes, enquanto outros são catalisadores. A pesquisa brasileira em nanotecnologia pode contribuir ainda mais na melhoria de materiais usados em metalurgia, eletrônica e indústria do petróleo. A nanotecnologia é o estudo e engenharia de compostos formados por partículas nanométricas, ou seja, que têm tamanho da ordem de um bilionésimo de metro. No caso da cerâmica nanoestruturada, o professor Élson Longo, da UFSCar, um dos principais pesquisadores da RCNI, explica que a pesquisa parte de materiais já conhecidos, modificando-os para conseguir partículas menores, que tem propriedades diferentes. Um dos avanços da RCNI foi o composto chamado titanato de cálcio, usado na forma de nanopartículas para revestir os cadinhos na indústria metalúrgica, o que já é feito na CSN. listes cadinhos são normalmente revestidos com grafite, mas Longo diz que o titanato é mais refratário e resistente do que o grafite, e aumenta a vida media do cadinho de 10 para 15 anos. Como este equipamento custa cerca de US$ 80 milhões, este aumento representa economia para a indústria, diz Longo. As pesquisas do grupo também levaram à descoberta de catalisadores mais eficientes, como o usado na CSN, que usa nanopartículas de níquel para transformar metano e gás carbônico em monóxido de carbono e hidrogênio, que são então usados para reduzir o óxido de ferro. Na CBMM. que segundo Longo é a maior produtora de nióbio do mundo, nanopartículas de nióbio são usadas como catalisadoras, de forma mais eficiente do que as partículas usadas anteriormente. A rede desenvolveu também um sensor de gases que usa nanopartículas para determinar quando o catalisador do carro deve ser trocado. Hoje em dia, o proprietário troca o catalisador após certo tempo de uso, mas muitas vezes ele ainda está funcionando. Este produto foi desenvolvido em laboratório mas não é produzido industrialmente por nenhuma empresa. Longo diz que a ênfase nas pesquisas, agora, será em catalisadores para a indústria do petróleo, pois há interesse de uma empresa do setor, em materiais cerâmicos para memória de computadores, em novos materiais refratários e anticorrosivos, e em sensores de gases. A RCNI tem cerca de 180 pesquisadores em centros de pesquisa de 10 estados, e existe desde 1985, segundo Longo. A rede é um dos 10 centros de excelência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da qual recebe recursos. Longo diz que as pesquisas são custeadas também pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. Para Longo, o interesse da indústria na pesquisa de nanotecnologia depende muito do relacionamento dos pesquisadores com os empresários. Ele diz que é preciso haver confiança, porque muitas pesquisas são sigilosas e envolvem somas grandes de dinheiro. A RCNI tem muitos projetos em conjunto com empresas porque interage com elas há muito tempo, diz Longo, o que não costuma acontecer com outros grupos de pesquisadores. Paula Leite