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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Produção de maracujá cresce 150%

Publicado em 15 julho 2005

Por Patrícia Zamboni

Associação que reúne produtores de Bauru e região expande suas atividades e projeta novos mercados para 2006

A associação Bauru Frutas está passando por um importante momento no cenário local da fruticultura. Fundada em fevereiro de 2004, a entidade iniciou seus trabalhos com 15 associados e uma produção em torno de dez toneladas de maracujá por mês. Atualmente, 34 agricultores integram a associação e a produção mensal é de 25 toneladas da fruta (crescimento de 150%)..
De acordo com o professor doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Aloísio Costa Sampaio, sócio benemérito da associação, a produção da Bauru Frutas encontrou tanta aceitação no mercado que a previsão para a próxima safra (abril a agosto de 2006) é de colher cerca de 35 toneladas/mês da fruta. No próximo ano, o escoamento da produção deve extrapolar os limites regionais e avançar até Campinas, São Paulo e outras cidades.
Segundo o presidente da associação, Luiz Carlos de Almeida Neto, atualmente a produção dos 34 pequenos agricultores é escoada para a Central de Abastecimento de São Paulo (Ceasa), supermercados e agroindústrias de Bauru e região. "Um equipamento classificador de frutas separa as de primeira linha (melhor qualidade) para serem vendidas in natura. As demais são beneficiadas e transformadas em suco concentrado", explica.
A Bauru Frutas nasceu de uma parceria - projeto de políticas públicas - entre a Unesp, Universidade do Sagrado Coração (USC), Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae) e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).
A implantação do projeto foi possível por meio de uma parceria firmada com a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). A idéia era fomentar o cultivo de frutas no município, e o maracujá foi o escolhido pelos produtores justamente pelo retorno rápido que proporciona. Além disso, trata-se de um ótimo investimento para a agricultura familiar e já está provado que a região de Bauru é muito propícia para a fruticultura.
Expansão
Com o crescimento da produção, desde o início deste ano a associação se instalou no prédio da Casa das Sementes, para onde o grupo pretende levar os equipamentos que processam a polpa da fruta, utilizados no momento pelos produtores (em outro local) e que serão cedidos pela Fapesp à associação. No momento, no prédio funcionam os setores de armazenamento e classificação das frutas de mesa.
"Esse equipamento (que processa a polpa) está no centro experimental Campo Novo da USC, espaço que utilizamos para a produção do maracujá. Em agosto, a parceria da Fapesp no projeto acabará e a máquina será cedida à Bauru Frutas. Nós também estamos solicitando ao CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) uma embaladeira, um equipamento para a secagem da casca da fruta e uma extratora de óleo de semente", conta Sampaio.
A partir da secagem da casca do maracujá, será possível produzir uma farinha utilizada para fins medicinais, segundo o professor da Unesp. O objetivo é o total aproveitamento da matéria-prima.
No centro experimental da USC também há uma estufa utilizada para a produção de mudas. "Hoje, nós temos lá cerca de 15 mil mudas, que vão para o campo em setembro. A associação está crescendo muito", comemora Sampaio.
Recente concurso feito pela Apta trouxe mais quatro pesquisadores para a unidade da instituição em Bauru, o que motiva ainda mais os produtores da Bauru Frutas.
"Somente neste ano, já realizamos três cursos de cultivo em Bauru e temos muitos planos para o segundo semestre. A associação é de fundamental importância para os pequenos produtores, pois eles precisam de apoio para crescer", diz a pesquisadora Aparecida Marques de Almeida.