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Olhar Direto

Produção de biodiesel de abacate é apresentado em palestra

Publicado em 04 maio 2011

A Faculdade de Sorriso - FAIS, através do Curso Superior de Tecnologia em Agronegócio, promoveu na noite de ontem (03), uma palestra sobre a produção de biodiesel a partir do abacate. A palestra, ministrada pelo pesquisador do departamento de química da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), Prof. Dr. Manoel Lima de Menezes, versou sobre a utilização da fruta para a produção de biocombustível, uma vez que a mesma tem mostrado nas pesquisas que é ainda mais rentável que a soja no processo de obtenção do biodiesel a partir do óleo do caroço.

De passagem por Sorriso e convidado pelo coordenador do Curso, Prof. Me. Caio Batista Mullher, o pesquisador aprestou aos acadêmicos de Agronegócio diversas informações sobre esta fonte renovável de energia que pode ser produzida no município e em toda a região.

A fórmula do biodiesel do abacate foi desenvolvida após quase dois anos de estudos do Prof. Dr. Manoel Lima de Menezes, do Departamento de Química da Faculdade de Ciências da UNESP, Campus de Bauru. Ele teve de superar não somente os desafios químicos do processo - como desidratar uma fruta composta em 75% por água -, mas também o de criar equipamentos que pudessem atender às etapas de produção de forma barata e na pequena escala da pesquisa. Ao final, ele obteve tanto o combustível quanto um modelo que pode vir a ser adotado por pequenos produtores.

Conforme Menezes, o abacate apresenta vantagem em relação a outras oleaginosas estudadas ou usadas para a produção de biocombustível, como a soja. O motivo é que do mesmo fruto é possível extrair as duas principais matérias-primas do biodiesel: óleo (da polpa) e álcool etílico (do caroço). "O objetivo principal da pesquisa era a extração do óleo para produção de biodiesel. Mas, ao tratarmos o resíduo, que é o caroço, conseguimos obter álcool etílico. Isso, por si só, é uma grande vantagem, já que da soja é extraído somente o óleo e a ele é adicionado o álcool anidro".

ABACATE

Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(FAPESP), o Brasil é o terceiro produtor mundial de abacate, com cerca de 500 milhões de unidades produzidas por ano (dados de 2009). Cultivado em quase todos os estados, mesmo em terrenos acidentados, a produção se dá o ano todo, com 24 espécies que frutificam a cada três meses.

Apesar da enorme disponibilidade do fruto no Brasil, o óleo do abacate ainda é importado, pela falta de tecnologias adequadas para o processamento. O principal obstáculo para obtenção do óleo é o alto teor de umidade - o abacate tem 75% de água, em média -, que afeta o rendimento da extração. Esse foi um dos desafios que a pesquisa se propôs solucionar: aperfeiçoar as metodologias de extração para obter melhor rendimento.