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O Povo

Produção científica do Brasil cresce cinco vezes

Publicado em 10 setembro 2005

Por Eduardo Geraque, da Agência FAPESP

Não existe um indicador quantitativo que revele o contrário. A ciência brasileira passou por uma revolução nos últimos 20 anos. O número de trabalhos indexados, por exemplo, cresceu cinco vezes. Hoje, são produzidos no País e publicados em revistas internacionais mais de 17 mil artigos por ano.
''Um dos desafios agora deve ser com a qualidade dos trabalhos realizados'', afirma Eduardo Krieger, pesquisador do Instituto do Coração, da Universidade de São Paulo, e presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC). ''Isso pode começar nos congressos, por exemplo. É preciso que os trabalhos inscritos passem por seleção bastante crítica''.
Dentro da proposta de elevar a qualidade da ciência brasileira, Krieger acredita que o caminho mais seguro para isso é o da avaliação pelos pares. ''Temos que fazer com que os pesquisadores venham aos congressos e avaliem os trabalhos apresentados pelos alunos mais jovens. Outro ponto fundamental é premiar os trabalhos que forem considerados os melhores'', sugere.
Dados apresentados pelo presidente da Academia Brasileira de Ciência mostram que os indicadores de qualidade da ciência do Brasil, apesar de terem aumentado também nos últimos anos, ainda não chegaram na média internacional. O Brasil está hoje na 17ª posição do ranking da produção científica, segundo números de 2000. Apenas 1,33% da ciência global sai do País.
Na área de biomédicas, enquanto o impacto médio de cada país está em 8,6%, os trabalhos feitos em laboratórios brasileiros são responsáveis por uma taxa de 3,3%, bem abaixo da média. ''Isso mostra que precisamos dar mais atenção à qualidade da produção científica'', conclui Krieger.