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Produção científica ambiental no Estado de SP supera expectativas

Publicado em 13 janeiro 2009

Da Secretaria do Meio Ambiente

A importância da pesquisa científica ambiental para a prevenção de fenômenos naturais nocivos, ou, mais especificamente, inundações, deslizamentos de terra e erosões, assim como para a proteção da biodiversidade, é inquestionável. Com atenção redobrada para tais fatos, os pesquisadores dos institutos de Botânica, Florestal e Geológico, vinculados à Secretaria do Meio Ambiente, têm apresentado grande produção científica.

Durante os nove primeiros meses de 2008, realizaram 389 trabalhos, superando a meta de 120 publicações propostas pelo Projeto Ambiental de Pesquisa Ambiental, um dos 21 projetos estratégicos ambientais do governo. Os cientistas tiveram seus estudos publicados ou divulgados em diversos meios de comunicação especializados – revistas, simpósios e congressos, nacionais e internacionais, nas diversas áreas do conhecimento ligadas ao meio ambiente, ou seja, fitoquímica, fauna, anatomia e qualidade da madeira, silvicultura, botânica e ecologia, educação ambiental, hidrologia e melhoramento genético. Dessa forma, oferecem base técnica para ações do governo estadual e das prefeituras, e para a formulação de políticas públicas.

A diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi, coordenadora do Projeto Pesquisa Ambiental, realça a grande produtividade dos pesquisadores e lembra que “isso resulta também de redobrado empenho de todos os envolvidos nos processos”. Segundo Bononi, uma parte significativa das informações divulgadas é fruto de trabalhos de longo prazo, que envolvem cuidado e detalhamento, e exigem bom tempo para as investigações e checagens.

Inundações relâmpagos – Um exemplo é o trabalho denominado Estudos climáticos voltados à compreensão das inundações em Jaboticabal – SP, apresentado pelos geógrafos Gustavo Armani e Miriam Ramos, do Instituto Geológico, durante o 8º Simpósio Brasileiro de Climatologia Geográfica, em Alto Caparaó, Minas Gerais, em agosto último.

Segundo Armani, os estudos das “inundações relâmpagos” ocorridas anos atrás naquele município foram iniciados em 2006, por solicitação da Defesa Civil do Estado. O grupo responsável pelo trabalho realizou mapeamentos de riscos e histórico de ocorrências, entre outros levantamentos, que até hoje vêm subsidiando a prefeitura. Eles permitem o redimensionamento de galerias de águas pluviais e outras obras importantes para a adequada drenagem da bacia. Além disso, as metodologias desenvolvidas pelos pesquisadores são referência para planejamento ambiental urbano, na gestão de bacias, e formulação de planos de manejo, em unidades de conservação.

Outro resultado é o livro Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade no Estado de São Paulo, lançado em novembro passado, pelo Instituto de Botânica e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A publicação contém dados biológicos consistentes sobre 92.183 fragmentos de vegetação natural remanescente. Por meio deles, são destacadas as condições da fauna e da flora e apontadas áreas prioritárias para ações de criação ou ampliação de unidades de conservação.

Comércio ilegal – A publicação é um dos resultados do Projeto Biota-Fapesp, iniciado em 1999, com 160 pesquisadores de várias instituições. Entre outros, os dados sobre os remanescentes vegetais motivaram a elaboração de resoluções da Secretaria do Meio Ambiente como a que estabelece o zoneamento agroambiental, destinada à expansão das atividades sucroalcooleiras.

Já a monografia Comércio Ilegal de Avifauna na Região Metropolitana de São Paulo, que teve a participação da pesquisadora Elaine Aparecida Rodrigues, do Instituto Florestal, recebeu menção honrosa no 51º Concurso Cientistas de Amanhã da 60ª Reunião Anual da SBPC, em julho, na Universidade de Campinas. Elaine orientou a estudante Ágata Cobos Salgado, de 16 anos, que cursa o ensino médio em São Paulo e participa do programa de jovens da Reserva da Biosfera.

A estudante fez um levantamento do número de ocorrências e procedimentos adotados pela Polícia Militar Ambiental com relação ao comércio ilegal de avifauna na Grande São Paulo. Entre outras conclusões, constatou que enquanto existir consumidor, sempre haverá pessoas para retirar esses animais da natureza e promover o comércio ilegal. Assim, “a fiscalização e a conscientização, por meio da educação ambiental, são essenciais para desestimular o consumo e quebrar esse círculo vicioso”.