Notícia

Cidade Verde

Processos erosivos destroem áreas do litoral brasileiro

Publicado em 30 janeiro 2019

Por Francisco Soares Santos Filho

Em julho de 1996 viajei com a família para apresentar o mar para o meu filho caçula, prestes a completar seu primeiro ano de vida. Como todo bom piauiense, visitamos várias praias do nosso litoral, o que incluiu a Praia de Macapá, um dos cartões postais, na época ainda selvagem, do litoral do Piauí.

Na oportunidade ouvi o depoimento de um morador da região falando que o mar estava avançando e destruindo parte daquele paraíso. Alguns anos depois voltei ao lugar e parte do que conhecera já não existia mais, porque fora tragado pelo avanço do mar.

O fenômeno de modificação do recorte costeiro é chamado tecnicamente de Progradação. A progradação pode ser positiva, quando há deposição de material sedimentar, fazendo com que a praia aumente de largura, ou pode ser negativa, quando o mar avança e provoca erosão, reduzindo a largura da faixa de praia e invadindo o continente.

O processo de progradação é resultado da dinâmica marinha. Tem sido estudado por pesquisadores como o geógrafo baiano Dieter Muehe que coordenou a elaboração do livro Erosão e Progradação do litoral brasileiro, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente que concentrou estudos e mapeamentos em praticamente todos os estados brasileiros, deixando de fora apenas o litoral do Piauí (talvez por ser o menor).

A progradação é um processo que chama a atenção dos estudiosos, especialmente pela possibilidade de intensificação em razão do fenômeno de aquecimento global. Pela ideia do aquecimento global o nível dos oceanos tenderia a aumentar pelo derretimento das calotas polares, provocado pelo aumento da temperatura do planeta. A questão é polêmica e por isso suscita cuidados e olhares de especialistas do mundo inteiro.

Dada a importância da faixa litorânea brasileira, o tema já foi tratado várias vezes por pesquisadores em suas comunicações científicas e termina sendo tratado também por revistas de divulgação científica como a Pesquisa FAPESP. Semana passada um vídeo tratando sobre o tema foi disponibilizado apontando que o problema ocorre em mais de 60% da extensão do litoral brasileiro, afetando áreas de importância turística, como no caso da Ponta de Seixas, o ponto mais oriental do Brasil, situado na Paraíba.

Acompanhe o vídeo abaixo:

https://youtu.be/nRfnxcsmGok

Até o próximo post…

 

SOBRE
FRANCISCO SOARES SANTOS FILHO é piauiense de Teresina, casado e pai de 04 filhos. Professor há mais de 30 anos em escolas tradicionais e atualmente leciona nas duas universidades públicas. Biólogo com Mestrado e Doutorado em Botânica, estudou a vegetação litorânea do Piauí. É autor de livros, artigos e materiais instrucionais. Escreve sobre diferentes temas de Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação e quer contribuir com a popularização da ciência. Viva a Ciência! Ciência, Viva!

SOBRE

FRANCISCO SOARES SANTOS FILHO é piauiense de Teresina, casado e pai de 04 filhos. Professor há mais de 30 anos em escolas tradicionais e atualmente leciona nas duas universidades públicas. Biólogo com Mestrado e Doutorado em Botânica, estudou a vegetação litorânea do Piauí. É autor de livros, artigos e materiais instrucionais. Escreve sobre diferentes temas de Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação e quer contribuir com a popularização da ciência. Viva a Ciência! Ciência, Viva!