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Procedimento Sucessório da empresa familiar: análise das vantagens e desvantagens

Publicado em 02 dezembro 2018

As empresas familiares no Brasil são encarregadas por gerar alto número de empregos, contribuindo assim com a melhoria de seus indicativos socioeconômicos. Sendo indiferente se a empresa é de grande ou pequeno porte ou seu ramo, o crescimento econômico no pais continua sendo o mesmo. O estudo é referente a essas corporações, para obter conhecimento sobre seus procedimentos, influencias e a sua durabilidade nos negócios, descrevendo características e a sua competência para se manter no mercado.

Diante disso, é importante observar que a empresa familiar é dirigida por membros da mesma família, mas que também pode expor dificuldades para permanecer no mercado.

O processo de planejamento sucessório ele pode acarretar em organização e continuidade desde de que ele seja bem planejado, caso contrário ele poderá levar a falência a empresa. Estabelecendo as sucessões futuras, ocorrendo assim uma gestão, em que apesentam a separação de assuntos familiares dos profissionais.

É nesta ordem de ideias, que este trabalho tem por objetivo conhecer como ocorreu o processo sucessório em Empresas Familiares do Sul de Santa Catarina. Portanto, a seguir, será apresentado o referencial teórico, delimitado em duas seções. Primeiramente, é preciso entender a definição de empresas familiares e também mostrar a importância destas empresas para a sociedade e economia do país. Em seguida, são apresentadas ideias e conceitos sobre como proceder diante dos processos sucessórios e a importância do planejamento diante da sucessão empresarial.

O presente artigo tem, como objetivo geral, analisar como demostram os processos de sucessão familiar na composição e, com propósitos específicos, reconhecer os fundamentos consumidos para seleção dos referentes sucessores, da apresentação de vantagens e desvantagens.

1. A Evolução Histórica da empresa familiar

O modelo tradicional de família, nos dias hoje não é mais o único, com o passar dos anos foram se constituindo novos tipos de famílias. Macedo por exemplo acredita que existe dois modelos de família, o moderno e tradicional. Onde o tradicional demostra ter paternalismo, onde a figura do pai representava responsabilidade em trazer o sustento da família e tomar as decisões. Em contrapartida o moderno, destaca a presença da figura feminina, demonstrando que também pode ajudar no sustento da família e tomar decisões.

Determina como uma empresa por familiar, quando está ligada a uma família pelo menos há duas gerações e seu resultado influencia na política geral da empresa e nos interesses da família (DONNELLEY, 1987).

Para Lodi (1993), familiar é a empresa cujo processo de sucessão está ligado ao fator hereditário e quando ela se encontra a partir da segunda geração. Quando ainda está na geração do fundador, o autor a considera como uma empresa pessoal e não familiar.

A empresa familiar é uma propriedade controlada por um indivíduo ou por membros da família (Barnes e Hershon,1994).

É aquela que possui sua origem e sua história vinculadas a uma família ou que mantém membros da família na administração dos negócios (Bernhoeft, 1987)

As empresas familiares apresentam algumas características próprias consideradas problemáticas e nem por isso devem ser vistas como impossibilitadas de sucesso, “características próprias que constituem verdadeiros desafios, e as soluções nem sempre ocorrem com facilidades” (Lerner,1996, p.153).

Destaca – se que a consequência de um fator negativo não se dá somente pelo fato de familiares fazerem parte da diretoria da empresa, mas sim pela falta de atenção relacionada aos problemas desse relacionamento (DONATTI, 1999).

Entretanto, para atingir o bom desempenho empresarial, os executivos precisam manter equilíbrio entre a razão e a emoção (FREITAS; KRAI, 2010).

Contudo, acrescentam que o profissionalismo e a necessidade de competência para gerenciar são essenciais não apenas para os gestores, mas também para os familiares, fazendo com que o serviço dos profissionais qualificados se torne fundamental para o desempenho da empresa Freitas e Krai (2010).

As citações anteriores comprovam que os autores se emprenham de igual maneira, para conceitualizar as evoluções sobre as empresas familiares. É perceptível que as empresas devem ter uma organização mínima para gerar estratégias e decisões satisfatórias e organizadas.

2. Vantagens e desvantagens do gerenciamento familiar

A relação entre pessoas não é toda fácil de lhe dar, por questão de costumes e personalidades, e claro que a partir do momento em que as mesmas são familiares, pode acabar afetado mais do que o normal, de forma positiva ou negativa. Certamente que dependera da união e organização de todos para sobressair mais os pontos positivos desta relação.

2.1. Vantagens

O planejamento de uma empresa independe de ser familiar ou não é de estrema importância, pois é o reflexo do futuro da empresa. Portanto em casos de empresas familiares este futuro consiste permanecer por várias gerações em um mesmo negócio. Mas para isso é necessário o comprometimento para ver o crescimento do negócio, a transmissão de conhecimento, que é adquirida com o tempo demandando experiência e que deve ser passado para as próximas gerações, que tomaram conta do negócio. E por fim a confiabilidade é fator importante para se manter no mercado pois demonstra reputação estável, e os bons resultados com os clientes, funcionários e fornecedores.

Todo esse cuidado traz como consequência as vantagens de ter uma empresa familiar, mas destacamos alguns pontos fornecidos por estudiosos autores:

A liderança é indispensável em todas as espécies de organização, pois, segundo Chiavenato (2000), o gestor deve conhecer a natureza humana e saber como influenciar as pessoas. "Um líder não é simplesmente alguém que desfruta da satisfação de estar no comando, mas alguém cujas ações têm as mais profundas consequências na vida de outras pessoas." (BORNHOLDT, 2007, p. 153).

Drucker (1995) reconhece que a administração familiar não se delimita apenas a pequenas ou médias empresas, pois algumas das maiores instituições do Brasil e do mundo são governadas por famílias. "Encontram-se grandes empresas controladas por famílias no Brasil, EUA e Europa, como Banco Itaú, Votorantim, Wal-Mart, Klabin, Gerdau, Ford, Coca-Cola, Pão de Açúcar Motorola, Hewlett-Packard, Rothschilds, entre outras." (FREIRE ET AL, 2010, p. 716).

É caracterizado pelo entusiasmo dos membros da família que participam da gestão da empresa; o conhecimento, que é adquirido e passado para as outras gerações, mas sempre mantendo a tradição resguardada dentro da empresa; a flexibilidade; o pensamento em longo prazo; a cultura estável; as tomadas de decisões rápidas; e a confiabilidade dos clientes, que preferem fazer negócios com uma empresa antiga e conservadora a fazê-lo com uma empresa que tende a constantes mudanças de política (Frugis, 2007).

2.2. Desvantagens

A gestão deve trabalhar de forma harmônica, caso contrário pode desfazer tudo o que foi produzido pelo fundador, demonstrando assim que deve haver a reciclagem para ter uma gestão mais qualificada. A falta de disciplina, é um dos fatores de desvantagens que atrapalham o crescimento da empresa, assim como a informalidade onde por exemplo a falta de controle orçamentários pode acarretar em várias divergências futuras.

A rigidez, que pode tornar as empresas ultrapassadas; o processo de sucessão, que é repleto de dificuldades; as questões emocionais; pois muitas vezes o administrador se utiliza da emoção em vez da razão, levando pelo lado da família e não da empresa; e a liderança, que também é um fator de grande importância numa organização familiar (Frugis, 2007).

Portanto Donatti (1999) e mais atualmente Nordqvist et al. (2013) apontam que a realidade do mercado contemporâneo mostra que a parceria da família pode ter bom desempenho. Vale ressaltar que o resultado negativo não se dá somente pelo fato de familiares fazerem parte da diretoria da empresa, mas sim pela falta de atenção relacionada aos problemas desse relacionamento (DONATTI, 1999).

Vries; FlorentTreacy; Carlock (2009, pag. 82) aponta que: Disputas familiares acirradas que desemboquem na empresa podem ser devastadoras. Se uma família não tiver desenvolvido seus próprios padrões de comunicação e conduta para lidar com o conflito, tais desavenças possivelmente acabarão decididas na arena empresarial.

A falta de liderança é considerada também como uma desvantagem, caso, no momento de realizar a sucessão, não haja nenhuma pessoa capacitada para assumir a posição do fundador, o que ocasionará o fim da organização (Frugis ,2007).

Por isso, alguns pontos devem ser levados em consideração: uma empresa familiar não pode aceitar e suportar que os membros da família que nela trabalham sejam incompetentes e irresponsáveis; o favoritismo em tomadas de decisões deve ser evitado, e os planos de sucessão, as etapas no desenvolvimento profissional e as intenções de mudanças na organização devem ser discutidos abertamente, através de retiros e conselhos familiares.

Os argumentos acima, esclarecem que as empresas familiares, tem efeitos satisfatórios com suas ações, bem como também a casos que há empresas que não conseguem chegar a um bom resultado e se manter no mercado. Demonstrando o quanto administração está presente na funcionalidade, em saber controlar as vantagens e desvantagens

3. Processo sucessório de empresa familiar

O processo sucessório, ele está relacionado a sobrevivência e expansão quanto a ampliação da organização da empresa. Ele é extramente delicado por se tratar de uma modificação no quadro administrativo, porque atinge diretamente a todos os envolvidos no negócio, e por ser um ato de transição e seguimento pode trazer um desconforto a todos. O momento deve

ser de total planejamento, para que o sucessor tenha capacidade de dar continuidade a empresa familiar, e obter o sucesso.

Para Leone (2005), a sucessão familiar ocorre quando uma geração deixa que outra geração assuma o comando da empresa, sendo uma das características mais marcantes, pois é baseada na comunidade do sangue.

Leone (1991), também expõe que a sucessão pode acontecer de duas formas: gradativa e planejada. Na forma planejada, o fundador elabora um plano esquematizando como e quando irá acontecer a sucessão.

Defendendo assim, que o processo de sucessão para ser planejado, tem que ser avisado a todos os familiares, inclusive os colaboradores da empresa, informando detalhes de como anda o planejamento do processo. Logo, a autora explica que o processo só é confirmado como sendo planejado se forem informados os detalhes de como está sendo feito o planejamento a todas as partes interessadas (Leone,2005).

Segundo Bernhoeft (1989), existem seis pontos fundamentais que devem ser analisados para que o processo de sucessão aconteça: o sucedido, o sucessor, a organização, a família, o mercado e a comunidade.

Souza (2012) acredita ser significativo a preparação do sucessor, fazendo com que os filhos acompanhem o planejamento desde o início. Mas a família precisa estar preparada caso o filho não seja a pessoa escolhida para assumir a empresa.

Os filhos têm curiosidade em conhecer o trabalho dos pais. É justamente essa curiosidade que os leva frequentarem a empresa. No início, ajudam com tarefas mais simples, depois vão assumindo mais responsabilidades, conhecendo todos os setores da empresa até ocuparem o lugar do pai na administração (Fernandes, 2012).

Bernhoeft (1989), aborda que sobre o resultado da sucessão é o mercado. Nesse especto, é importante que o sucedido faça uma avaliação de como o processo está sendo visto fora da empresa, levando em conta os clientes, fornecedores e os concorrentes. É importante saber quem são realmente os clientes e verificar se, mesmo ocorrendo a sucessão, a empresa continuará a atender suas necessidades. Outro fator a ser examinado é a relação com os fornecedores, pois, caso um deles enfraqueça, a empresa como um todo pode ter dificuldades.

3.1. Estágios no processo de sucessão

Longenecker, Moore e Petty (1997) exibem as etapas que se encontram na sucessão, que é considerada um processo de alteração extenso e cansativo:

I. Estágio Pré-empresarial: É considerado um planejamento informal. E ocorre quando o sucessor cresce com a empresa, é familiarizado com ela pois desde de criança comparece a empresa.

I. Estágio Introdutório: São experiencias que ocorrem anteriormente, e que o sucessor já capaz de iniciar os trabalhos nos negócios da família.

II. Estágio Funcional Introdutório: É o preparo dos filhos na empresa, para ganhar experiência e trabalhar por tempo parcial.

III. Estágio Funcional: O sucessor vai atuar em horário integral de todas as atividades.

IV. Estágio Funcional Avançado: O sucessor encarrega-se das obrigações gerenciais da empresa.

V. Estágio Inicial de Sucessão: Institui quando nomeado o sucessor a presidente da empresa, ficando o mesmo responsável pela empresa, mas com assistência do fundador.

VI. Estágio Maduro de Sucessão: No momento em que se completa a transição é já lider.

Os estágios citados acima, é significativo para o processo de sucessão pois demostra várias faces que uma empresa pode adquirir de acordo com a sua organização, são exemplos que acontecem no dia a dia. Entretanto deve ser monitorado o planejamento para se adquirir um melhor resultado.

CONCLUSÃO

O trabalho apresentado teve como objetivo explicar o processo de sucessão em empresas familiares, bem como mostrar a sua importância. O fundador obtém consigo a autoridade e a responsabilidade em manter o negócio, para ele a empresa faz parte de sua vida e deve ser muito bem cuidada, demonstrando resistência da parte do mesmo ao pensar que chegara o momento da transição de liderança.

O sucessor deve ter capacidade e profissionalismo para continuar a administração que lhe foi passada, saber lhe dar com os problemas e com as vitorias, e acima de tudo respeitar tudo aquilo que foi criado pelo fundador.

Compreende-se que há empresas que não conseguem dar seguimento aos seus empreendimentos, porque o processo sucessório é dificultoso e muito delicado, por esse motivo que deve ter o planejamento para que ocorra da melhor forma possível. Destaca-se pontos positivos pelo processo de transição, que vem em forma de preservação da empresa feita pelos membros da família.

Contudo, é percetível que o processo sucessório é uma mudança que mexe com toda a estrutura da empresa, causando um certo desconforto e insegurança a todos por não saberem como vai ser depois de iniciada a liderança, ocorrera de forma passageira pois qualquer tipo de mudança causa essa hesitação inicial.

Grande parte das empresas familiares estão conscientes da importância do planejamento sucessório e de seus benefícios, que são vários e que trazem ótimos resultados a todos os envolvidos principalmente para as novas gerações.

Referências Bibliográficas

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