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Problema inesperado em São Paulo: milhares de poços artesianos operam sob risco tóxico e colocam em alerta aquíferos que ajudam no consumo de água de 22 milhões de pessoas (16 notícias)

Publicado em 30 de abril de 2026

Na Região Metropolitana de São Paulo, poços irregulares ampliam o desafio de monitorar aquíferos usados por condomínios, indústrias, clubes e hospitais, enquanto áreas industriais antigas concentram solventes tóxicos, cadastros incompletos e riscos persistentes à água

Com 22 milhões de habitantes e consumo médio de 61.600 litros de água por segundo, a Região Metropolitana de São Paulo enfrenta risco nos poços irregulares , que podem captar água subterrânea em áreas contaminadas por resíduos industriais. Os dados do artigo são desta matéria da Agência FAPESP 

Poços irregulares dificultam o controle

A região depende quase totalmente de mananciais superficiais para o abastecimento público, mas cerca de 18% do consumo total vem de aquíferos. Essa parcela chega por aproximadamente 14 mil poços privados.

O volume subterrâneo usado alcança cerca de 347 milhões de metros cúbicos por ano. O problema é que dois terços desses poços não estão formalmente cadastrados.

Reginaldo Antonio Bertolo afirma que para cada três poços construídos, dois são irregulares. O poder público não conhece essas captações nem avalia a segurança da água.

A falta de controle se torna mais grave porque muitos poços foram perfurados em antigas zonas industriais.

Essas áreas, hoje desindustrializadas e em reconversão imobiliária, carregam passivos ambientais difíceis de administrar.

Resíduos no subsolo podem afetar aquíferos usados para consumo humano.

Solventes industriais elevam o risco

A preocupação central envolve solventes clorados, especialmente percloroetileno e tricloroetileno. Esses compostos foram usados como desengraxantes industriais na limpeza de peças metálicas e são descritos como altamente tóxicos.

Faltam informações públicas sobre quem usa esses solventes e em quais quantidades. Também existem lacunas regulatórias sobre descarte e reciclagem.

Hidrocarbonetos vazados por postos de gasolina tendem a se degradar mais rapidamente, enquanto solventes clorados permanecem por mais tempo no ambiente subterrâneo.

Quando se degradam, podem gerar compostos “filhos” ainda mais tóxicos que os originais. O bombeamento em profundidade cria gradiente hidráulico descendente e pode levar contaminantes para níveis mais baixos.

Mapas revelam sobreposição crítica

O estudo cruzou zonas industriais, áreas contaminadas por solventes clorados e poços de abastecimento. Em São Paulo, essas dimensões aparecem com frequência no mesmo território.

A Mooca, bairro desindustrializado da capital, exemplifica o problema. Mapas mostram pontos de captação próximos ou sobrepostos a locais contaminados e a áreas onde não deveria haver captação.

O quadro é mais grave porque os poços irregulares não aparecem nos mapas oficiais. Com isso, a dimensão real do rissco pode ser maior que a registrada.

Esse padrão ocorre em outras áreas desindustrializadas. O processo começou no final dos anos 1970, avançou na década seguinte e se intensificou com a saída de fábricas da capital.

O resultado incluiu galpões abandonados, subsolo contaminado e novas ocupações em áreas pouco preparadas.

Pela legislação paulista, se uma área contaminada estiver em raio de 500 metros de um poço, o responsável deve apresentar relatórios de qualidade da água ao órgão ambiental.

Ao aplicar esse critério, os autores identificaram 17 aglomerações de áreas contaminadas e poços com raios sobrepostos em Jurubatuba, Jaguaré, Mooca, Vila Prudente, Diadema, Mauá e Osasco.

Contaminação persiste em profundidade

Nessas regiões, áreas contaminadas podem funcionar como fontes multiponto, com plumas que se interceptam. Há poços profundos usados para ingestão humana dentro desses cinturões de contaminação.

A gestão costuma ocorrer no limite de cada propriedade, mas a água subterrânea circula além das fronteiras imobiliárias. Esse descompasso dificulta enfrentar um problema espalhado pelo subsolo.

Remove-se solo superficial para controlar riscos imediatos, como vapores tóxicos em edificações. Mesmo assim, grande parte da massa contaminante permanece em profundidade e continua transportada pela água subterrânea.

Até 2020, apenas 18,6% dos locais contaminados por solventes clorados estavam classificados como reabilitados para o uso declarado. A categoria não significa eliminação total da contaminação.

No cadastro paulista, foram identificadas 596 áreas com histórico de solventes clorados. Mais da metade seguia em remediação, enquanto 26% permaneciam em investigação.

A contaminação tende a se concentrar nos primeiros metros do aquífero. Porém, quando se bombeia água a 100 metros de profundidade, a zona rasa contaminada pode migrar lentamente para baixo.

Camadas geológicas menos permeáveis podem atuar como filtro natural, mas há incertezas sobre sua eficácia ao longo de décadas. O limite de potabilidade é da ordem de partes por bilhão.

Jurubatuba aponta caminhos de gestão

Jurubatuba, na zona sul paulistana, é a área mais estudada da Região Metropolitana. Mesmo assim, três quartos dos sítios locais carecem de informação detalhada nos cadastros ambientais.

Metade corresponde a instalações industriais com histórico documentado de uso de solventes clorados. O monitoramento local é visto como ensaio para ações mais amplas, incluindo manchas industriais do ABCD paulista.

A SP Águas informou que estudos hidrogeológicos foram promovidos em Jurubatuba para aperfeiçoar a gestão, integrar órgãos e entender o transporte de contaminantes.

A nota cita unificação de bancos de dados, gestão adaptativa e comunicação simplificada com a população. A Cetesb foi procurada, mas não se manifestou até a publicação.

Enquanto isso, os seguem como ponto decisivo para dimensionar o problema, impedir o uso da água subterrânea em áreas mais amplas e orientar medidas explcitas de longo prazo.