Notícia

Jornal da USP

Pró-Ciências recebe inscrições até o dia 30

Publicado em 20 outubro 1997

Vai até dia 30 o prazo para inscrição de projetos na terceira fase do Pró-Ciências, programa da Capes - da Fapesp, em São Paulo - destinado ao aperfeiçoamento de professores de 2° grau da rede pública. Abrange as áreas de matemática, biologia, física e química. Pág. 8 FAPESP RECEBE PROJETOS ESTE MÊS Até o dia 30 de outubro, pesquisadores universitários e professores de segundo grau podem inscrever seus projetos no Pró-Ciências, o programa da Capes - executado em São Paulo pela Fapesp - que visa à melhoria do ensino médio Ainda há tempo para que pesquisadores e professores da rede pública inscrevam seus projetos no Programa de Apoio ao Aperfeiçoamento de Professores de Segundo Grau em Matemática e Ciências (Pró-Ciências) - o projeto mantido pela Capes que visa ao treinamento de docentes do ensino médio nas áreas de biologia, física, matemática e química. Até o próximo dia 30, a Fapesp - responsável pela execução do programa no estado de São Paulo - recebe as propostas. Por exigência de suas normas, porém, os projetos enviados à Fapesp precisam contemplar não apenas a reciclagem de professores, mas também a pesquisa experimental de novas metodologias de ensino. Por isso, as propostas devem ser apresentadas por grupos de que participem pesquisadores universitários e professores de segundo grau. Mais informações sobre o Pró-Ciências podem ser obtidas pelos telefones (011) 838-4008 e 838-4007. Criado em 1996, o Pró-Ciências é uma iniciativa da Capes mas sua execução depende das secretarias estaduais de educação e das fundações de amparo à pesquisa. Em São Paulo, o objetivo do programa é treinar os cerca de 10 mil professores de biologia, física, matemática e química que atuam no segundo grau. E isso já está sendo feito. Na primeira fase do programa, em novembro de 1996, a Fapesp selecionou 23 projetos que visavam à reciclagem de mais de 1.500 professores. Uma segunda fase, encerrada em março passado, contemplou outros projetos e beneficiou mais alguns milhares de professores (conheça no texto abaixo alguns dos projetos aprovados). Agora, no dia 30 de outubro, se encerram as inscrições para a terceira fase do Pró-Ciências. O programa da Capes - que tem duração de três anos - repassa anualmente R$ 3,5 milhões só para o estado de São Paulo. AS AÇÕES DO PRÓ-CIÊNCIAS Além de repassar verbas, a Capes também acompanha de perto a execução do Pró-Ciências nos estados. No dia 6 de outubro, por exemplo, ela realizou no Instituto de Química da USP o Primeiro Seminário de Acompanhamento das Ações do Pró-Ciências. Nesse evento, foi discutida exclusivamente a execução, em todo o Brasil, do Pró-Ciências na área de química. Participaram coordenadores de projetos em andamento em várias regiões do País, o diretor de Avaliação da Capes, Adalberto Vasquez, o coordenador geral do Pró-Ciências, Paulo Roberto Menezes Lima, e o diretor científico da Fapesp, José Fernando Peres. Na abertura do encontro, Peres elogiou a Capes por transferir verbas para os estados - o que favorece a otimização dos recursos - e destacou a integração entre pesquisadores e professores promovida pelo Pró-Ciências. "Nós temos que mostrar o nosso potencial de fazer ciência e de transferir esse conhecimento para as pessoas." No encontro, os participantes abordaram os problemas que enfrentam para executar o Pró-Ciências nos estados. O principal deles é a falta de infra-estrutura das escolas estaduais, que não dispõem de salas, equipamentos e laboratórios adequados. Outra dificuldade é que o ensino de química é muito técnico, sem relação com o cotidiano. Isso foi detectado por uma pesquisa feita pela Secretaria da Educação Média e Tecnológica (Semtec) do Ministério da Educação, representada no seminário pela pesquisadora Lia Rosemberg. De acordo com essa pesquisa, a química é apontada como a disciplina que a maioria dos alunos, pais e professores consultados excluiria do currículo escolar. "O domínio do conhecimento é fundamental e interfere diretamente no desempenho do professor", avaliou Lia durante o seminário. "É preciso que os professores dominem o conteúdo para que possam transmiti-lo aos alunos de maneira simples e vinculada ao cotidiano." É esse tipo de contribuição aos professores e ao ensino público em geral que o Pró-Ciências - com a ajuda da Fapesp - quer realizar. As inscrições para a terceira fase do Programa de Apoio ao Aperfeiçoamento de Professores de Segundo Grau em Matemática e Ciências (Pró-Ciências) devem ser feitas até o dia 30 de outubro na Fapesp. Os telefones para informações são (011) 838-4008 e 838-4007. UMA AJUDA AO ENSINO PÚBLICO Um projeto proposto à Fapesp pela Sociedade Brasileira de Genética foi um dos mais bem-sucedidos programas promovidos pelo Pró-Ciências neste ano. Segundo esse projeto, cerca de 200 professores de biologia foram treinados nos municípios de Ribeirão Preto, Campinas, Piracicaba, São José do Rio Preto o Botucatu. A ênfase foi o ensino de genética. Na etapa inicial do projeto, cinco grupos de 40 professores de vários municípios tiveram aulas, aos sábados, em unidades da USP, Unicamp e Unesp. Depois, foram escolhidos três professores de cada grupo para acompanhar mais de perto o trabalho dos pesquisadores nos laboratórios daquelas universidades e repassar esse conhecimento aos seus colegas. Na área de matemática e física, um projeto proposto pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Ourinhos - iniciado em fevereiro - foi responsável pelo treinamento de 32 professores, 17 deles de matemática e cinco de física. A primeira fase de reciclagem durou 11 dias. Foram oito horas de trabalho, que incluiu aulas expositivas teóricas pela manhã e atividades dirigidas à tarde. Depois dessa primeira etapa, os professores levaram trabalhos para casa e, em fins de semana de março, abril e maio, participaram de encontros de 16 horas cada. Neles, os professores apresentaram suas "lições de casa" e relataram o que estava ocorrendo na sala de aula. Em julho, voltaram a ter um curso intensivo. Além de reciclados em suas disciplinas, os professores foram treinados em tarefas feitas no computador: navegar na Internet, preparar provas e elaborar planilhas para cálculo de notas. Certamente, esse projeto trouxe avanços para os professores, que no início do projeto desconheciam princípios elementares de matérias fundamentais dos programas de física e matemática do segundo grau. A professora Reiko Isuyama, do Instituto de Química da USP e coordenadora de um dos projetos aprovados pela Fapesp, destaca que, além de melhorar o ensino público, o Pró-Ciências dá outra importante contribuição: lembrar os pesquisadores de sua responsabilidade para com o ensino médio. "Muitos professores universitários acham que a educação não é um problema deles", diz Reiko. "Precisamos mudar essa mentalidade."