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Monitor Mercantil

Privilegiando o conserto de equipamentos para pesquisa

Publicado em 29 outubro 2018

Ao longo dos últimos 15 anos houve um investimento significativo por parte de várias agências de fomento (com destaque para Finep, Fapesp, Faperj e Fapemig) no sentido de dotar as nossas instituições científicas com uma boa infraestrutura de pesquisa. Esta infraestrutura inclui equipamentos de elevado custo (valor médio de US$ 400 mil) e sofisticação, como microscópios eletrônicos, ressonância nuclear magnética, espectrometria de massa, entre outros.

Podemos afirmar que muitos dos laboratórios são equivalentes aos existentes em países líderes na Ciência mundial, como Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. Ressalto ainda que, graças a uma política de governo de disseminar a atividade científica por todo o país, encontramos laboratórios com equipamentos de caráter multiusuário e multi-institucional não apenas nas principais instituições do Sudeste e do Sul, mas também naquelas localizadas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Falta de recursos afetou manutenção e prejudicou laboratórios

Nos últimos três anos visitei algumas dezenas destas instituições e pude constar a excelência da infraestrutura em laboratórios localizados na Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia), na Universidade Federal do Semiárido em Mossoró (Rio Grande do Norte) ou na Universidade Federal de Grande Dourados (Mato Grosso do Sul), entre outras.

Esta ampla distribuição da infraestrutura científica nacional é resultante direta de um dispositivo legal para o Fundo de Infraestrutura (CT-Infra), que corresponde a 20% do total dos fundos, que estabelece que, no mínimo, 30% dos recursos referentes ao Fundo Setorial de Infraestrutura sejam aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

É hoje de conhecimento da sociedade brasileira que nos últimos anos houve uma redução significativa nos investimentos em Ciência e Tecnologia no país. Para exemplificar, o FNDCT que chegou a investir cerca de R$ 3,3 bilhões em 2014 está investindo apenas R$ 1 bilhão em 2018. Tal fato teve influência direta na infraestrutura científica do país. Algumas centenas de equipamentos altamente especializados apresentaram problemas de manutenção e estão parados por falta de recursos para o seu conserto.

A consequência imediata é a impossibilidade de que as pesquisas em andamento, que já sofrem com a falta de recursos de custeio para compra de reagentes, meios de cultura, etc, passem a não contar com equipamentos analíticos especializados que são fundamentais para agregar qualidade aos projetos de pesquisa em andamento. Os principais prejudicados são os milhares de alunos de mestrado e doutorado que desenvolvem suas teses nas instituições científicas brasileiras.

A partir da constatação deste fato o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram um programa emergencial de R$ 30 milhões para permitir que, ao longo dos próximos anos, todos os equipamentos existentes sejam reparados e passem a funcionar normalmente.

Uma das características deste programa é que as solicitações de conserto podem ser apresentadas mensalmente, em regime de fluxo contínuo, com previsão de que entre o pedido e a liberação dos recursos não passe mais de dois meses. Por este motivo, este programa foi denominado de SOS equipamentos e as primeiras liberações de recursos estarão ocorrendo neste mês de novembro.

É fundamental que a comunidade científica brasileira submeta propostas, seguindo as regras estabelecidas no edital publicado no site da Finep (www.finep.gov.br) permitindo, inclusive, o levantamento real do problema que pretendemos resolver.

Wanderley de Souza

Professor titular da UFRJ, membro da Academia Brasileira de Ciências e diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep.