Notícia

BOL

Privação de sono causa alterações nos genes, mostra estudo

Publicado em 08 julho 2009

Estudo conduzido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra como a privação de sono REM (aquele relacionado ao sonho) causa alterações genéticas. E, após o período de descanso posterior, os efeitos não são totalmente revertidos.

 

De acordo com o experimento, ratos privados por 96 horas do sono REM - fase que ocorre, em humanos, predominantemente na segunda metade da noite e que cientistas acreditam estar relacionada às funções cognitivas como atenção e memória, entre outras funções - apresentaram modificações em 78 genes transcritos. Depois de 24 horas de descanso, 62% dos genes tiveram sua expressão normalizada.

O estudo foi publicado na revista "Behaviourial Brain Research".

A pesquisa foi feita no Instituto do Sono, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fapesp (Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo).

O córtex cerebral dos animais foi analisado em "microarrays" - lâminas preparadas com arranjo de fragmentos de RNA - e os dados foram validados

Uma das autoras do estudo, Camila Guindalini, explica que estudos anteriores já haviam demonstrado que algumas das alterações biológicas causadas pela privação de sono REM não são completamente revertidas depois de um período de rebote de sono - termo utilizado para indicar o fenômeno de um sono mais intenso após um período de privação.

"Sabemos que depois de 96 horas de privação de sono REM o animal não pode voltar à situação normal após o rebote. Ele pode demorar até dez dias para recuperar as condições anteriores. Um outro trabalho, por exemplo, mostrava que fêmeas privadas do sono por 96 horas, durante uma fase específica do ciclo estral, tinham o ciclo interrompido por dez dias", afirmou à Agência Fapesp.

O novo trabalho mostrou que as alterações verificadas nos animais após a privação de sono REM têm uma base molecular no cérebro. Com isso, os dados obtidos forneceram um conjunto de transcritos que podem estar relacionados à regulação do sono REM e à base biológica de distúrbios do sono.

A pesquisadora diz que agora o grupo pretende estudar as alterações em outras áreas do cérebro além do córtex.

Do UOL Ciência e Saúde, com informações da Agência Fapesp