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Esteta

Prioridade diferenciada

Publicado em 09 abril 2015

Por Heitor Shimizu, da Agência FAPESP

“Queremos desenvolver mais oportunidades de colaboração em pesquisa com a Argentina, que é um parceiro muito importante para o Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, na palestra de abertura da FAPESP Week Buenos Aires nesta quarta-feira (08/04).

O simpósio, que termina na sexta-feira, reuniu em seu primeiro dia pesquisadores brasileiros e argentinos, além de dirigentes e representantes da FAPESP e do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet), que organizam o evento em Buenos Aires.

“A FAPESP tem uma estratégia intensa de colaborações internacionais. Com a Argentina, temos cooperações importantes, como a que viabiliza o projeto Llama, que será discutido em uma sessão neste evento. Sabemos que existe uma boa intensidade de interações científicas entre a Argentina e o Brasil, mas queremos mais. E queremos interações mais estruturadas e bem organizadas em torno de projetos de longo prazo”, disse Brito Cruz.

O diretor científico destacou mecanismos que a FAPESP oferece para apoiar o intercâmbio em pesquisa, como os que financiam a atuação de cientistas de outros países no Brasil.

Entre os exemplos citados estão o Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, o Auxílio à Pesquisa – Pesquisador Visitante, o São Paulo Excellence Chair e as Escolas São Paulo de Ciência Avançada.

“Outra modalidade importante é a das Bolsas de Pós-Doutorado, que são oferecidas a cientistas de qualquer país. A Argentina é um dos países que mais utiliza essa modalidade oferecida pela FAPESP”, disse.

Brito Cruz também traçou um panorama da ciência no Estado de São Paulo, responsável por cerca de 45% da ciência produzida no Brasil e onde são formados a cada ano 40% dos novos doutores no país.

O diretor científico destacou três particularidades do sistema paulista de ciência e tecnologia. A primeira é que o investimento total em pesquisa e desenvolvimento em São Paulo corresponde a 1,6% do PIB do estado, enquanto que no restante do Brasil o valor é de 0,9%.

A segunda particularidade é que as empresas respondem por 60% do investimento em pesquisa e desenvolvimento em São Paulo; nos outros estados, esse investimento é de cerca de 25%. Por último, em São Paulo, 67% do investimento público em ciência e tecnologia é estadual. No restante do Brasil, o investimento é principalmente federal: 81% do total.

“São Paulo é, de longe, o estado que mais investe em ciência e tecnologia no Brasil. Em segundo vem o Rio de Janeiro, que investe dez vezes menos, seguido por Paraná e Minas Gerais, este último com investimento estadual no setor 24 vezes menor do que o de São Paulo”, disse Brito Cruz.

“Mas São Paulo não é dez vezes mais rico do que o Rio de Janeiro ou 24 vezes mais do que Minas Gerais. Isso se explica porque no Estado de São Paulo há uma prioridade diferente das dos demais estados para o investimento em ciência e em tecnologia”, destacou.

Segundo Brito Cruz, uma das consequências dessa prioridade diferenciada é que em São Paulo os investimentos em pesquisa e desenvolvimento com fundos captados de setores privados nas três universidades públicas (USP, Unicamp e Unesp) são comparáveis aos verificados em universidades nos Estados Unidos.

A FAPESP Week Buenos Aires continua nesta quinta-feira com debates sobre “Percepção pública e divulgação científica”, “História”, “Integração latino-americana” e “Desafios do ensino superior”.

Mais informações: www.fapesp.br/week2015/buenosaires.

De Buenos Aires

Agência FAPESP