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Primeiro instituto privado de apoio à ciência no Brasil aportará R$ 350 milhões em pesquisa

Publicado em 27 março 2017

Com uma doação de R$ 350 milhões, o documentarista João Moreira Salles e sua esposa Branca Vianna Moreira Salles lançaram nesta semana, no Rio de Janeiro (RJ), o primeiro instituto privado de apoio à ciência no Brasil, chamado de Serrapilheira. A nova entidade pretende apoiar pesquisas nos campos das ciências da vida, das ciências físicas, das engenharias e da matemática.

De acordo com os representantes do instituto, a receita bruta resultante da aplicação do montante doado – cerca de R$ 16 a 18 milhões ao ano – garantirá a estabilidade a longo prazo para apoiar projetos arrojados, que tenham potencial de produzir, no futuro, os chamados “breakthroughs” científicos.

“Apoiaremos poucos projetos, mas os melhores. Buscamos os melhores pesquisadores do país, com capacidade de criar ideias novas e mostrar que eles têm uma ideia que vai se destacar no resto do mundo”, disse o geneticista francês Hugo Aguilaniu, escolhido entre 138 candidatos, do Brasil e do exterior, para assumir o cargo de diretor-presidente do instituto.

Segundo João Moreira Salles, a propriedade intelectual das produções científicas resultantes da iniciativa não pertencerão ao instituto. “O Serrapilheira doa recursos. Não tem propriedade de nada”, afirmou, acrescentando que nem ele nem sua esposa interferirão nas decisões da instituição.

Uma das novidades do instituto é permitir que os pesquisadores tenham total flexibilidade no uso dos recursos doados. Moreira Salles garantiu que o diferencial da iniciativa é justamente poder alimentar as ideias mais ambiciosas dos cientistas, que normalmente não seriam aprovadas pelas fundações tradicionais. “Boa parte da ciência feita aqui no Brasil é apenas incremental. Nossa função é estimular os pesquisadores a serem ambiciosos desde o momento zero”, comentou.

A expectativa é que o instituto lance o primeiro edital já no início do próximo semestre e os resultados devem ser publicados no final do ano. As doações devem começar a ser feitas no começo de 2018. A seleção não estabelecerá um sistema de cotas, porém, conforme conta Branca Moreira Salles, o Instituto estará atento às proporções da diversidade racial, de gênero e da distribuição geográfica dos participantes. “Vamos fazer pesquisas qualitativas para tentar definir onde estão os gargalos para poder fazer as intervenções corretas”, afirmou Branca.

Outro ponto destacado foi a necessidade de alimentar uma cultura científica. Para isso, o Instituto Serrapilheira tem planos de, futuramente, investir 20% de seus recursos em projetos de divulgação científica.

 

Fonte: Agência ABIPTI, com informações do Jornal da Ciência e Agência Fapesp
Data: 24/03/2017
Hora: 16h20
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