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Primeira fase de vacinação não deve ter impacto imediato

Publicado em 10 fevereiro 2021

Por Gilberto Stam | revista Pesquisa FAPESP

Mesmo com a vacinação, iniciada em janeiro, a mortalidade por covid-19 no Brasil, atualmente em mais 225 mil mortes, deve continuar subindo por pelo menos mais três meses. Nesse período, o uso da máscara é o fator que mais pode contribuir para diminuir os óbitos —ainda que a máscara e o distanciamento social passem a ser adotados por 95% da população, o número de mortes deve chegar a cerca de 265 mil no final de abril.

Na ausência de máscaras e outros cuidados, o relaxamento das medidas preventivas pode acelerar as mortes, que subiriam até por volta de 284 mil.

Os dados são projeções do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, Estados Unidos. Elaborado com base em simulações matemáticas, esse cenário indica que a vacinação por si só praticamente não afeta o número de mortes se apenas uma parcela pequena da população estiver imunizada.

"A imunização do grupo de risco, somada às medidas preventivas, pode diminuir a pressão sob os serviços hospitalares, a falta de UTIs e o número de mortes, enquanto não atingimos a vacinação em massa, que é o único fator capaz de produzir a imunidade coletiva e controlar a epidemia/pandemia", explica o infectologista Julio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que não participou do estudo.

Segundo Croda, com 20% da população imunizada e prioridade para o grupo de risco, que é o objetivo da Covax —coalizão internacional criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que busca garantir o fornecimento de vacinas para os países mais pobres—, a pressão sobre o sistema de saúde já deve diminuir, mesmo que o vírus continue circulando.

Para que isso aconteça, devem ser priorizadas as pessoas acima de 60 anos, que representam de 80% a 85% das mortes, e os profissionais da saúde, com risco alto de infecção por causa do contato com pessoas com covid-19. "No ritmo atual de vacinação, vai demorar pelo menos seis meses para observamos algum impacto", ressalta Croda.

A Covax anunciou em janeiro que poderia fornecer cerca de 10 milhões de doses ao Brasil até o final do ano.

A curva de mortes calculada pelo IHME é uma projeção que não leva em conta a disseminação da nova variante de Manaus, já identificada em São Paulo e provavelmente se espalhando pelo país.

São fundamentais, portanto, as medidas de isolamento social, higiene das mãos e uso de máscara, bem como as medidas de restrição impostas pelo governo, também efetivas para as novas cepas.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.