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DCI

Prestação de serviço pela Internet, isenta

Publicado em 26 abril 1995

As empresas que oferecerem serviços de informações por meio da rede Internet estarão isentas neste ano do pagamento de taxas para o uso da estrutura de comunicações já montada para a comunidade científica. O custo de operação desta estrutura, avaliado em CR$ 25 milhões anuais, continuará sendo subsidiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que também continuará coordenando a Internet através da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Os usuários da rede que usarem os serviços destas empresas pagarão uma taxa de inscrição, definida livremente pelas empresas, e a tarifa telefônica pelo tempo de uso, com o custo de ligação telefônica local, mesmo quando se conectar um computador no exterior. Segundo o secretario de serviços de comunicação do Ministério das Comunicações, Renato Guerreiro, a decisão de não cobrar das empresas pelo uso da estrutura de comunicação e dos computadores que administram a rede, visa estimular a criação de prestadores de serviços em todo o país. Caso contrário, a Internet iria ficar concentrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ele observa que o custo desta rede já seria arcado pelo governo, mesmo que a Internet não fosse aberta a particulares. Atualmente a RNP atende a 30 mil usuários da área científica. Atualmente a RNP atende a 30 mil usuários da área científica, que entram no sistema por meio de computadores localizados em universidades e institutos de pesquisa. Com a abertura já há mais onze mil interessados cadastrados, que recebendo os serviços da rede a partir de primeiro de maio. Pela regulamentação publicada na última segunda-feira no Diário Oficial, qualquer empresa poderá criar serviços ou estruturas físicas para a Internet. Como as redes físicas não serão destinadas a transmissão de telecomunicações, não estão atingidas pelo monopólio estatal, segundo Guerreiro. Em breve, a coordenação da Internet deverá ser transferida do Ministério da Ciência e Tecnologia para um comitê que terá representantes do governo e da sociedade, inclusive organizações de classe. Quando a capacidade dos equipamentos atuais for esgotada e se tornarem necessários novos investimentos para ampliar o acesso a rede, este comitê e quem terminará e que forma o custo destes investimentos serão repassados as empresas usuárias do sistema, segundo Guerreiro. Para entender como funcionará a rede Internet no Brasil, é necessário conhecer o papel dos seus quatro personagens principais: o usuário, o Provedor de Serviço de Conexão a Internet (PSCI) o Provedor de Serviços de Informações (PSI). Através deste sistema, o usuário final, que pode ser qualquer cidadão com um computador dotado de sistema de comunicação telefônica (Modem) poderá consultar arquivos de bancos de dados, bibliotecas, efetuar compras no exterior ou mesmo conversar com colegas ou pessoas desconhecidas espalhadas pelo mundo. A rede física que será utilizada pela Internet ficará sob responsabilidade da Embratel e das empresas estaduais de telecomunicações. A esta estrutura estarão ligados os Provedores de Serviços de Conexão (PSCI), que venderão canais de comunicação com a Embratel. Os clientes destes PSCI serão os Provedores dos Serviços de Informações (PSI), que oferecerão ao público serviços como jogos e informações diversas - até mesmo catálogos de lojas. Os usuários poderão ingressar no sistema através dos PSI, que serão repassadores das senhas de acesso a rede. (AJB)