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Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Presidente e diretor científico da Fapesp falam à Comissão de Ciência e Tecnologia

Publicado em 16 outubro 2013

Celso Lafer, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da entidade, participaram nesta quarta-feira, 16/10, de reunião da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação. A sessão foi presidida por Orlando Bolçone (PSB) e foi requerida pelo deputado Vitor Sapienza (PPS), tendo como objetivo a prestação de contas dos avanços da fundação.

O presidente Celso Lafer lembrou que a Fapesp foi concebida na "Constituição Estadual de 1947, que previa criação de um instituto de incentivo à pesquisa científica, e isso é um exemplo de como o Poder Legislativo pode trabalhar de forma suprapartidária, pensando mais nos benefícios da população que nas relações políticas".

Segundo Lafer, os projetos que se inscrevem à procura de financiamento são analisado por assessores aos pares, para garantir a impessoalidade prevista pela administração pública. "A Fapesp tem dado apoio a diversas microempresas que buscam recursos para implementar suas ideias. Neste ano aprovamos dois projetos por semana, e isso é ótimo para a economia."

Apoio da iniciativa privada

Brito Cruz afirmou em sua fala que "no campo científico, o Brasil todo carece de apoio da iniciativa privada. A única exceção a essa regra é o Estado de São Paulo, onde as universidades têm boa relações com grandes empresas, assim como nos EUA e Europa". O diretor científico ressaltou ainda que o Estado "é o único onde a maior parte dos recursos destinados à pesquisa vem do governo estadual, e não do federal".

Um dos temas destacados na reunião foi o Projeto Biota, financiado pela Fapesp, que estuda a biodiversidade do Estado e ajuda legisladores nas questões relativas ao meio-ambiente. Brito Cruz citou também grupo de pesquisadores que visa aumentar a produtividade média de cana-de-açúcar no interior paulista de 84 para 148 toneladas por hectare. O deputado Reinaldo Alguz (PV) questionou se esse aumento é uma previsão ou um fato consumado, e o presidente esclareceu que em muitas regiões esse aumento já aconteceu. "Nossas pesquisas não querem só aumentar só a produtividade, mas também reduzir o consumo de água nas plantações e analisar o problema da monocultura".

Alguz também demonstrou preocupação quanto à descentralização do conhecimento científico no Estado, afirmando que o interior paulista necessita de acesso à tecnologia para a produção agrícola. Brito Cruz afirmou que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é uma das instituições apoiadas pela Fapesp. "O fato de os nossos projetos serem mais presentes na região metropolitana é por causa das universidades, que estão nessas regiões desenvolvendo suas pesquisas", explicou.

Conflito de interesses

O presidente e o diretor científico citaram os maiores desafios enfrentados pela Fapesp: as restrições na economia brasileira, a burocracia na hora de fechar contratos entre universidades e grupos privados, e as "divergências naturais" entre esses dois grupos.

"As universidades querem a formação de profissionais, enquanto a iniciativa privada quer a lucratividade. Isso não conseguiremos resolver nunca", disse Brito Cruz.

Estiveram presentes os deputados Welson Gasparini (PSDB), Ana Perugini (PT), Estevam Galvão (DEM), Reinaldo Alguz (PV), Rafael Silva (PDT), Vitor Sapienza (PPS), Orlando Bolçone (PSB) e Gilmaci Santos (PRB).