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Presidente do Confap e da Fapesc fala sobre novas parcerias para pesquisas

Publicado em 22 outubro 2016

Por Alessandra Ogeda

O engenheiro mecânico catarinense Sergio Luiz Gargioni é uma referência fora do país quando o assunto é o apoio à pesquisa, ao desenvolvimento científico e da inovação. Presidente da Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), Gargioni participou esta semana do EEBA 2016 (Encontro Econômico Brasil-Alemanha), na cidade de Weimar, e participou da agenda do governo catarinense que estabeleceu novas parcerias no Estado da Turíngia.

Em 2017 ele deixa a presidência do Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) após quatro anos de trabalho voluntário, quando levou a entidade para um outro patamar de reconhecimento internacional. Durante a gestão de Gargioni foram estabelecidas parcerias importantes, como a feita com o Fundo Newton, do Reino Unido, e recentes conquistas com a Suíça e com o European Research Council.

Professor há 44 anos do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, lecionou também na Universidade de Brasília. Preside o Conselho de Administração do Ciasc (Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina) e participa como membro de diversos conselhos, como da SCPAR Porto de Imbituba, Sapiens Parque, IFSC, IEL/SC e Sesi/SC. Atuou também em diversas funções nos governos federal e estadual. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista feita com ele no EEBA 2016:

Alessandra Ogeda - O senhor está na reta final do seu mandato de quatro anos no Confap. Qual é o saldo que o senhor faz deste período, especialmente das parcerias internacionais?

Sergio Luiz Gargioni – Estou no Confap há quase quatro anos, terminando o meu mandato. Nós abrimos várias frentes. A maior delas foi com o Reino Unido, com o Fundo Newton, com o qual a gente garante pelo menos 3 milhões de libras por ano só com as fundações. Claro, tem que ter a contrapartida.

Alessandra Ogeda - Esta parceria com o Fundo Newton tem dois anos?

Sergio Luiz Gargioni – Dois anos e meio. Em abril (de 2017) fará três anos que a gente assinou em São Paulo. Já foram vários editais, com várias instituições de lá, porque cada uma das instituições aproveita este fundo para fazer parceria conosco. Então o Cnpq de lá, por exemplo, é dividido em setores. Tem a área médica, de biotecnologia, tem engenharia, as quatro academias, então isso foi algo que andou muito bem porque a gente conseguiu assinar o termo geral em abril e em dezembro a gente já tinha 74 projetos aprovados em Florianópolis. Fizemos o evento na Capital e a partir dali cada Estado pegou os seus projetos financiados e pagou e deu prosseguimento com eles.

Alessandra Ogeda - Santa Catarina aprovou muitos projetos?

Sergio Luiz Gargioni – Não foram muitos. Ficamos, naquela época, com oito projetos. Não foram muitos.

Alessandra Ogeda - Como funciona essa parceria com o Fundo Newton? Existe um número determinado de projetos por ano ou o recurso que é fixo?

Sergio Luiz Gargioni – É o dinheiro. Você define a área, a regra do jogo, faz o edital comum para o Brasil inteiro e para eles também, um edital só que é feito em inglês. A proposta é única, com parceiro de lá (Reino Unido) e parceiro daqui, isso vai para uma plataforma e lá tem um comitê internacional que, no caso lá, foi feito via internet.

Alessandra Ogeda - Desde que a parceria com o Fundo Newton foi assinada, todo o recurso foi utilizado ou a cada ano há mais recursos disponíveis?

Sergio Luiz Gargioni – Não, a cada ano há mais (recurso). Agora estamos com o edital aberto na área médica. Acabamos de aprovar agora três workshops para Santa Catarina. São 14 no Brasil. Também resultado de um edital. É um produto que quem administra é o conselho britânico, que é essa entidade inglesa que trata de capacitação e recursos humanos. Eles tem dois produtos, que chamam de “English Resource Connect” e “Resource Links”. O Connect é preparar o pessoal para fazer papers internacionais e projetos internacionais, então eles trazem especialistas de lá e vem aqui para dar aula durante uma semana. O outro, que é o “Resource Links”, daí sim é um workshop de um determinado tema. Alguém propõe, e tem que ser um pesquisador líder daqui e um pesquisador líder de lá e essa reunião pode ser aqui ou lá. Ela reúne 40 pessoas sobre um tema para ver a situação dele e a partir daí é que surgem as propostas mais à longo prazo de pesquisa.

Alessandra Ogeda - Nestes workshops é feita uma imersão em um tema. Serão promovidos três workshops destes em Florianópolis?

Sergio Luiz Gargioni – Estamos aprovando isso agora. Nem foi divulgado ainda. Esta parceria é com os ingleses, que abriram as portas. Quem fez isso foi o Confap, abrindo as portas para todos os Estados.

Alessandra Ogeda - Este convênio com o Fundo Newton tem um prazo para terminar?

Sergio Luiz Gargioni – Tem um prazo. Ele tinha, no início, para o Brasil, três anos e 9 milhões de libras por ano. Agora, já foi para cinco anos e 11 milhões de libras. Estendemos porque o projeto foi muito bem sucedido e para conseguirmos lançar editais novos.

Alessandra Ogeda - O projeto foi estendido e tem mais recursos. Mas nestes quase três anos todo o recurso disponibilizado foi utilizado?

Sergio Luiz Gargioni – As fundações estaduais, que são viabilizadas ou facilitadas pelo Confap... porque o Confap é a associação das fundações, quem faz o acordo, e daí todo mundo adere... quer dizer, quem quiser, nem todo mundo adere. Depende do tipo de edital. Porque às vezes você faz um edital em uma área em que Amazonas não quer, por exemplo. O Estado não acha que será interessante (para ele) e não adere porque terá que dar contrapartida.

Alessandra Ogeda - Essa contrapartida normalmente é de quanto?

Sergio Luiz Gargioni – A gente começou na relação de um para um, ou seja, para uma libra de lá, tinha que ter uma libra daqui. Mas depois nós mudamos e ao invés de fazer um encontro de valores, fizemos um encontro de esforços. Porque o nosso encontro é mais barato. A quantidade de dinheiro aqui equivalente à libra dá para fazer muito mais do que eles conseguem fazer lá. Então tudo bem, você tem um pesquisador lá e temos um aqui, e se o nosso custa um e o deles custa seis, o problema é deles. Então não foi usado, mas por quê? Porque esse recurso todo não foi garantido pelo Confap. Eles fizeram acordo com o Senai, que não decolou, fizeram acordos com outros ministérios que também demorou e não formatou, e nós que fomos mais rápidos. Dos 15 países, eu fui à Londres para fazer a primeira apresentação, e o nosso foi considerado modelo no Brasil, apesar dessa complexidade.

Alessandra Ogeda - Mas então estes resultados positivos foram conquistados através das fundações estaduais?

Sergio Luiz Gargioni – Sim, através das fundações estaduais, que foram muito mais ágeis. Então por isso que todo o recurso (disponibilizado) não foi usado. Mas agora, mesmo com mais gente em jogo, eu suspeito que o Brasil não está utilizando todo o potencial.

Alessandra Ogeda - Mas isso acaba sendo normal em relação aos editais de pesquisa, não? Normalmente não se utiliza todo o recurso disponível.

Sergio Luiz Gargioni – Não se utiliza porque a burocracia é complicada, porque não tem contrapartida. A gente teve dificuldades no Rio de Janeiro, por exemplo.

Alessandra Ogeda - A questão do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, pode afetar em algo esta parceria com o Fundo Newton?

Sergio Luiz Gargioni – Não, porque é recurso do governo inglês. Não tem recurso da comunidade europeia, o que é outro tema. Até no primeiro momento eles cogitaram se iria enfraquecer a economia inglesa, britânica, e não teria o recurso, que é do governo mesmo. Esse recurso vai para 15 países, e o Brasil é um deles. Na América tem ainda na Colômbia, no México e no Chile, e o Brasil tem a maior cota. Depois tem China, tem Turquia, tem Rússia e outros. Mas até agora o Brexit não afetou em nada.

Alessandra Ogeda - Esse acordo com o Reino Unido, então, foi o mais importante da tua gestão?

Sergio Luiz Gargioni – Foi o mais importante, o que deu a imagem de boa performance e de confiabilidade. O Confap ficou conhecido internacionalmente. Todo mundo falou bem. Qualquer reunião que a gente ia falavam do Confap. E a partir daí então abrimos outras avenidas. Assinamos acordos com a Irlanda, com a Suíça, com a França a gente já tinha e reforçou. Depois teve com os Estados Unidos.

Alessandra Ogeda - Todos estes acordos de pesquisa tem a mesma base daquele feito com o Reino Unido?

Sergio Luiz Gargioni – Tem de tudo. Com a França é na área de informática, e os projetos são pequenos. Com a Fundação Bill e Melinda Gates, que é a fundação americana, são todos da área de saúde pública. E não são grandes projetos, são editais que dão US$ 100 mil para os projetos que eles aprovam mundialmente. É um edital mundial. E aqueles melhores projetos entre os financiados eles dão US$ 1 milhão. E a cada ano tem uma reunião mundial de parceiros. Nós vamos participar nesta semana na Inglaterra. Não sou quem eu vou, mas um colega nosso do Paraná que é médico e que da outra vez foi para a China. Nós vamos renovar o convênio no Mato Grosso do Sul com a Fundação Bill e Melinda Gates. Depois temos outro acordo na área de biotecnologia com os Estados Unidos. Mas de todos estes, o que tem maior aporte financeiro é ainda o do Reino Unido.

Alessandra Ogeda - Qual é a característica dos outros acordos para pesquisa?

Sergio Luiz Gargioni – Os outros são relativamente pequenos. Com a Suíça é relativamente novo, eu só assinei no ano passado. Já começou a andar, mas tem algum problema lá no primeiro edital. Teve uma dificuldade com o Rio de Janeiro, que não conseguiu pagar a primeira contrapartida. Então estamos negociando ainda estes entraves e este desconforto. Ele parou e vai rodar novamente. Mas tem um pedacinho da história que está funcionando, que é parecido com este de Berlim, para startups. Além disso, temos alguns acordos que Santa Catarina faz e que são bem específicos.

Alessandra Ogeda - Quais acordos feitos por SC o senhor destacaria?

Sergio Luiz Gargioni – Por exemplo, esse com Berlim, que é para startups. Além disso, temos vários namoros. Estamos tentando com Israel fazer uma ponte. Com a Irlanda, que é um país muito bom para cooperar. Fizemos com eles um acordo com a Confap no qual a Fapesc está habilitada.

Alessandra Ogeda - Neste mês também foi assinado um novo acordo com a Comunidade Europeia. Quais são as características deste acordo e a importância dele para as pesquisas?

Sergio Luiz Gargioni – Esse acordo a gente vinha negociando com a Comunidade Europeia há muito tempo. Há uns dois anos que este acordo está avançando. Antes do projeto Horizonte 2020, com a Comunidade Europeia existia o projeto FP7. Naquele período, que foi até 2005, todos os projetos que eram Brasil com a União Europeia, a União Europeia pagava 100%. Depois mudou a categoria, e aí chegou o Horizonte 2020, com 79 bilhões de euros, e nós vimos que havia um monte de editais, mas a parte brasileira o Brasil tinha que pagar. E daí deu um vácuo. Isso a partir de 2010.

Alessandra Ogeda - Então foi a contrapartida do Brasil que acabou travando as pesquisas e o acesso a esses recursos?

Sergio Luiz Gargioni – Sim, porque tinha que ter contrapartida e não tinha como fazer. E eles não queriam desenvolver projetos conjuntos. Eles querem combinar de fazer um (projeto) lá e um aqui. Você pode pesquisar um mesmo tema, mas tem que ser em duas partes, entrando lá e aqui e depois casa. Diferente dos ingleses, com quem a gente casa (a pesquisa) antes e depois reparte o que tem que repartir. Essas relações são complexas porque a gente se queixa da burocracia brasileira, mas a burocracia de Bruxelas é muito maior. Tanto que o Confap teve que contratar uma consultora que trabalhou no Brasil, mas mora em Roma, e só cuida de buscar alternativas na Comunidade Europeia. E nesse interím teve dois episódios. Para poder implementar estes projetos, a Comunidade Europeia, como eles (países) são muito diversificados e tem muita burocracia, eles abrem um edital para entidades que gerenciam isso. Então são vários consórcios e nós estamos em um destes que é liderado por Portugal. Neste consórcio, além do Confap, temos a Unicamp, o Porto Digital do Recife, a Tecnopuc, tem a Protec, mas nenhuma com a capilaridade que nós temos. Agora saiu um segundo consórcio no qual nós entramos e, assim, o Confap quer ser o coordenador, o porta-voz e o divulgador de todas as linhas de pesquisa da Comunidade Europeia. Que são muitas, são 100 editais por ano.

Alessandra Ogeda - O Confap atuaria como divulgador destes editais no Brasil?

Sergio Luiz Gargioni – Sim, no Brasil nós faríamos isso. Em um determinado dia, a Comunidade Europeia, que tem uma diretoria que cuida só de assuntos internacionais para pesquisa, que é (dirigida) pela Maria Cristina Rosso, me ligou e disse que eles tem 10 milhões de euros para o Brasil para biocombustível de segunda geração, e tinha que ter mais 10 milhões de euros de contrapartida que ficou dois anos no Ministério de Ciência e Tecnologia e ninguém deu um palpite, e ela passou em Brasília e disse que ia tirar os 10 milhões de euros. Íamos perder. Daí eu pedi para ela uma chance, isso há um ano e meio. Esse case é interessante porque ele foi lembrado agora na assinatura (do acordo com a Comunidade Europeia). A primeira pergunta que eu fiz para ela foi porque os 10 milhões de euros não poderiam ser 5 (milhões de euros). Para dar 10 milhões de euros no total. Fizemos isso e eu consegui viabilizar a contrapartida. Saiu o edital junto com a Fapesp, ministério, etc. Está sendo financiado agora um consórcio de um grande projeto que vai ser deliberado até dezembro e será contratado em março e foi elogiado enormemente. Daí a Confap ganhou moral e fomos convidados para dar um próximo passo, com eles dizendo que queriam fazer um acordo com o similar ao Cnpq europeu, que é o European Research Council. Eles queriam fazer com uma única entidade brasileira, e queriam fazer com o Cnpq, que enrolou novamente, e daí assinamos o acordo na semana passada com o Confap.

Alessandra Ogeda - Na prática, como vai funcionar esse acordo entre Confap e o European Research Council?

Sergio Luiz Gargioni – Esse conselho europeu financia pesquisa de ponta em toda a Europa. O que tem de melhor eles financiam, e com muito dinheiro. E com esse acordo eles estão dizendo assim: todos os financiados por nós poderão receber pesquisadores brasileiros como pós-doutorado. É uma janela que se abriu. E eles fizeram, até hoje, com sete países só. Em dezembro vou saber quantos financiados eles têm. Eu fiz essa pergunta agora lá. Porque agora eles vão consultar todos os projetos e vão dizer assim: tem sete países homologados, talvez entre o Canadá como oitavo, e o pesquisador vai dizer aonde ele quer ir. Esses são projetos na Europa, mas tem outros países no acordo, como Japão, Estados Unidos e Argentina. Daí um pesquisador que atua em um trabalho de ponta na Europa diz que quer ter um brasileiro lá, e ele tem dinheiro para pesquisa. Cada um vai dar uma oferta. Do tipo assim: eu estou nesta área, eu tenho espaço para trazer brasileiros para chegar aqui, tenho dinheiro para pesquisa, para manter. Outro vai dizer que não tem dinheiro para manter e que tem que vir (o pesquisador brasileiro) com bolsa. Outro vai ter que vir só com a passagem. Mas a princípio é um pesquisador que vai ter um salário, que vai participar de uma pesquisa de ponta.

Alessandra Ogeda - Este pesquisador depois vai poder voltar para o Brasil com um conhecimento de ponta que pode fazer toda a diferença para novas pesquisas no país.

Sergio Luiz Gargioni – Evidente. Porque lá ele não tem estrutura (para continuar), não tem como se desenvolver. E um critério que eles estão colocando, e não é nada social ou estratégico, é a competência. Eles vão escolher a nata do Brasil.

Alessandra Ogeda - Como a Confap vai fazer o trabalho de escolha ou encaminhamento de pesquisadores do Brasil?

Sergio Luiz Gargioni – Será simples. Em dezembro eu vou ter lá a informação de quantos (financiados) tem, para onde (os pesquisadores iriam), eu vou divulgar isso e depois a gente começa a telefonar para cada um deles para saber como recebem e quanto podem pagar (pelos pesquisadores). Daí quem tiver interesse vai participar. Daí faremos o link (com a Europa). Eu estou animadíssimo, porque este é um jeito de você utilizar dinheiro da Comunidade Europeia em um ambiente fantástico e formando gente de uma forma que nunca tivemos. Eles estão valorizando muito isso e nós também. Nestes dois anos trabalhamos para isso, mas não imaginávamos que conseguiríamos uma parceria deste tamanho. Esse acordo nos credencia de forma especial, porque apenas sete países podem entrar neste processo. O Confap vai organizar isso no Brasil.

Alessandra Ogeda - Além destes acordos já estabelecidos, a Confap está negociando novos acordos?

Sergio Luiz Gargioni – Estou aqui (no EEBA, em Weimar) tentando encurtar o caminho com a Alemanha. Mas é um pouco complicado porque já tem acordos estabelecidos e aí fica difícil você fazer o arranjo, tem muitas entidades, querem saber quem é o nosso parceiro. Só que aqui (o objetivo) é estimular a cooperação entre startups. Isso que estamos fazendo, com a Fapesc, com Berlim, mas eu quero fazer com a Confap e todas as regiões. A Fapesc fez um acordo no ano passado com a Berlin Partner, e o que aconteceu? A Berlin Partner, a pedido de quatro ou cinco grandes empresas alemãs, já tradicionais, como a Oslam, por exemplo, procurou boas ideias de startups que poderiam servir para elas. Essas empresas pagaram seis semanas para acelerar estas startups aqui. Foi isso que aconteceu. Eles levara 15 (startups), tinham ingleses, finlandesese, alemães e brasileiros. Dos 15, cinco brasileiros, todos catarinenses. Eles trabalharam e, depois, teve a competição. Eu assisti a competição, onde tinham diversas pessoas, como reitores, empresários, autoridades, e tivemos a felicidade de ter uma dupla de Chapecó como vencedores.

Alessandra Ogeda - Quais serão os próximos passos da parceria da Fapesc com a Berlin Partner?

Sergio Luiz Gargioni – Nós vamos fazer a segunda rodada e, depois, agora, tem uma missão deles (alemães) para o Brasil. Agora não vai parar tão cedo. Esta segunda rodada será nos moldes desta primeira. Mas também há uma outra questão: a startup catarinense que venceu já foi convidada por uma grande empresa alemã para fazer um projeto conjunto. Então você pega uma gigante com uma (startup) recém-nascida, então o nosso papel agora é estudar o assunto, ver se é viável, se a empresa (de SC) vai perder ou vai ganhar. Vamos fazer um tipo de consultoria para eles. A mesma coisa aconteceu com a Suíça, que tem um organismo no Brasil que se chama Swissnex.

Alessandra Ogeda - Como ele funciona?

Sergio Luiz Gargioni – É um escritório, uma unidade do governo suíço que faz o intercâmbio entre startups de diversos países e a Suíça. No ano passado eu conheci esse escritório porque eu fui convidado para fazer parte de um júri em Zurique. Eu participei e tinha convidados da Índia, do Brasil e mais um grupo de suíços que passaram uma semana em treinamento em Lausanne, apresentaram os projetos e ganharam prêmios. Eles rodaram novamente esse projeto este ano, sem prêmio, escolheram 10 do Brasil e, destes 10, temos quatro de Santa Catarina. E eles foram os melhores.

Alessandra Ogeda - Quais são as características deste projeto?

Sergio Luiz Gargioni – Eles convidaram e esse grupo foi para o Rio e, agora, estão indo para Lausanne, na Suíça, onde vão ficar mais um período. Tipo esse em Berlim. No de Berlim foram seis semanas, e este (outro projeto) é uma semana só na Suíça. Eles vão em novembro. No ano passado, duas empresas suíças ganharam 10 mil euros e duas brasileiras ganharam R$ 25 mil. Não eram empresas ainda, CNPJ, mas eram tecnologias que podiam gerar empresas. Então foi uma pesquisadora da Unicamp e um rapaz de Minas Gerais, da UFMG. Então temos um espaço enorme...

Alessandra Ogeda - Este projeto com a Suíça é pelo Confap ou pela Fapesc?

Sergio Luiz Gargioni – É pelo Confap. Mas como nós temos o Sinapse (da Inovação), eles ficaram muito encantados com o Sinapse e, rapidamente, das 10 vagas, quatro foram nossas.

Alessandra Ogeda - Como a Fapesc fez parceria com a Berlin Partner, não teriam outras oportunidades de fazer parcerias com municípios ou Estados alemães?

Sergio Luiz Gargioni – Tem. Podemos fazer com ecossistemas regionais, porque nós somos regionais. Estamos pensando, neste sentido, em abrir com a Holanda e com a própria Inglaterra. Com a Espanha a gente já namorou.

Alessandra Ogeda - Neste sentido vocês concorrem com o mundo, porque todos querem fazer estas parcerias, não?

Sergio Luiz Gargioni – Todo mundo quer fazer, mas Santa Catarina tem uma vantagem. Primeiro que nós começamos mais cedo com a nossa estrutura de apoio à tecnologia. A Fundação Certi, da qual fui um dos fundadores, tem 32 anos. Aliás, foi no dia do meu aniversário, 31 de outubro. A Acate, que é uma instituição importante. Temos 4 mil empresas e 50 mil trabalhadores no setor. Quando nós fizemos o Berlin Partner, nós dizemos “Ok, então vamos abrir um edital, que continua aberto, dizendo que vamos financiar até R$ 60 mil para uma pequena empresa que quisesse achar um parceiro em Berlim”. O edital está aberto e até hoje não apareceu (um interessado).

Alessandra Ogeda - Por que até hoje não apareceram interessados?

Sergio Luiz Gargioni – Porque não é assim que acontece, chegamos a esta conclusão. Você está começando uma empresa agora, como você vai adivinhar que lá em Berlim tem um parceiro que te interessa? É um investimento enorme. Então chegamos à conclusão que tem que ter alguém que faça esta ponte. E este alguém é a Fundação Certi. Então temos a expectativa de, neste ano, antes que feche o edital, ter umas quatro ou cinco empresas já trabalhadas, com um parceiro (identificado), para quem vamos dar esse dinheiro para fazer esse casamento. Esse é um primeiro ensaio.

Alessandra Ogeda - Também tem que ser startups que se vejam capazes de já fazer uma parceria internacional, não?

Sergio Luiz Gargioni – Exato. Porque esses que foram convidados, foram convidados. Alguém os selecionou, nós pagamos a passagem e o resto os alemães pagaram. Aí fica fácil. Alguém financiou, e já tinha um endereço específico, eles selecionaram. Agora, você com uma pequena empresa, recém-criada, com um ou dois anos (de existência), se aventurar... a turma lá não é fácil não. Agora, a nossa ideia é multiplicar isso. Por isso hoje a imagem de Santa Catarina é boa. A imagem do Confap é boa. Tem que aproveitar, porque ficou um vácuo, inclusive das agências nacionais, que não compareceram na relação internacional. Eu percebi isso e entrei como Confap, e aí ganhamos imagem internacional. Hoje todo mundo sabe o que é o Confap, o que faz. Toda vez que você diz que tem 26 fundações com capilaridade nacional e com orçamento razoável, por que não?

Alessandra Ogeda - Quais serão as tuas próximas ações?

Sergio Luiz Gargioni – Agora nós vamos para a França, em uma missão, no dia 12 (de novembro). Eu vou para a França ficar mais uma semana com um grupo em torno de 10 fundações para reforçar essa relação com a França. Vamos pelo Confap. Daí quero dar um passo adiante, fazer um upgrade nesta relação com a França, além do financiamento de pesquisas. Queremos fazer uma relação entre ecossistemas. O modelo de Santa Catarina com Berlim está uma beleza, e queremos expandir.

Alessandra Ogeda - Na França vocês vão buscar uma parceria com que região, com que ecossistema?

Sergio Luiz Gargioni – Isso nós vamos descobrir. Essa é uma das intenções da viagem. Claro que estará lá pessoas do Alagoas, do Recife, de outros lugares, e aí eu tenho que ver qual é o interesse médio, mas acho que não será difícil. Vamos para conhecer melhor também o sistema de pesquisa da França, as agências todas que trabalham lá, as oportunidades... ainda que a gente saiba que a França está com pouco dinheiro, assim como nós. Eu queria sair daquela relação de fazer um edital comum e fazer um arranjo de ecossistemas, e se entrar mais fundações (além da Fapesc), que bom. Acho que Recife tem interesse, talvez Goiás, dentro de uma área. Por exemplo, vamos a Bordeaux, que é mais da área agrícola. Talvez Goiás tenha mais interesse ali. Montaigne já é diferente.

Alessandra Ogeda - Quanto tempo será de viagem pela França?

Sergio Luiz Gargioni – Nove ou 10 dias. Até o final do ano, para o Exterior, teremos apenas esta viagem. Mas teremos também a nossa reunião do Confap que, esete ano, será em Campo Grande. O encontro será nos dias 8 e 9 de novembro. E antes disso, temos a reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, que é presidido pelo presidente da República, e vai ser no dia 10 à tarde, e do qual eu participo também. No dia 7 terei uma reunião pelo Confap no Cnpq, do qual eu sou conselheiro. Tem Embrapii também.

Alessandra Ogeda - No âmbito do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia ou do Cnpq tem algo que está sendo discutido e que deverá sair logo do papel?

Sergio Luiz Gargioni – Tem o INCT, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia que está para sair, mas é uma coisa antiga, desarrumada, que agora acho que a gente conseguiu arrumar. Metade da conta paga pelas fundações... e, de novo, é um agenciamento do Confap. Porque a gente falou da área internacional, mas o agenciamento com as agências nacionais também é feito pelo Confap. A conta será metade das fundações e metade Cnpq e Finep. No total, serão 100 aprovados provavelmente no país inteiro. Foram 350 (inscritos), 100 aprovados com financiamento, divididos em programas de cinco anos e envolve muita gente. Já é a segunda rodada. Atrasou porque faltou liberação de dinheiro.

Alessandra Ogeda - Santa Catarina está contemplada pelo INCT?

Sergio Luiz Gargioni – Tem cinco. E nós vamos ter que dar contrapartida. Acho que todos em Florianópolis. Porque este INCT são top também. Assim como eu falei que na Europa são financiados os melhores, aqui também seria alguma coisa parecida na devida proporção. Este é um projeto que está saindo agora, contratando no início do ano que vem. Daí cada Estado dá a sua parte, com São Paulo, que tem muito mais, dando R$ 100 milhões, nós (Santa Catarina) vamos dar R$ 10 milhões. Rio de Janeiro vai dar R$ 50 milhões. A gente faz parceria com todo mundo. Com a Finep a gente faz, com o setor privado também. Com a Fiesc, fizemos uma parceria para o Observatório (da Indústria), eles passam dinheiro para nós, nós gerenciamos e aportamos mais dinheiro. Fizemos com a Acafe agora, recentemente, 94 projetos. Eles passaram dinheiro para nós, dobramos o dinheiro e gerenciamos, dentro da nossa metodologia. Fizemos com a Udesc, com a Fronteira Sul, o IFSC quer fazer também. Hoje temos 1 mil projetos na Fapesc em andamento, alguns projetos que duram cinco anos, outros são pequenos.

Alessandra Ogeda - Como a Fapesc seleciona os projetos e iniciativas que vai apoiar?

Sergio Luiz Gargioni – Tudo por parecer ad hoc, usamos especialistas da área. Como, por exemplo, em nanotecnologia. Aí você chama dois ou três, que dão uma nota, avaliam, e depois tem um comitê que avalia no final. Se é um projeto mais emergencial, daí tem o balcão em que a própria diretoria avalia, mas sempre baseada em um parecer. Mas toda a análise, e isso é no mundo inteiro, é por pares. Isso é um ritual. Fazemos através de edital, com regras, e tem que ser candidato. E o grande drama nosso, em Santa Catarina, é que temos muito projeto bom mas pouco dinheiro. A gente fica frustrado. Sobra muito projeto. Atendemos tipo 20% e poderia atender 50%.

Alessandra Ogeda - Como não é possível atender um número maior de projetos, não seria possível encaminhar os melhores para estas parcerias internacionais?

Sergio Luiz Gargioni – A gente faz isso, mas combinamos antes. Não dá para abrir edital... temos que sair desde o início (com o projeto) direcionado para aquela competição. Cada competição tem a sua regra, e daí só vale para aquela. Fazemos isso. Temos um projeto com a Finep, que está terminando agora, para dar apoio a projetos de pequenas empresas e que eles ganharam até R$ 600 mil a fundo perdido.