Notícia

Boletim do Acadêmico

Presidente da ABC: C&T para o avanço sócio-econômico do país

Publicado em 05 junho 2007

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, o matemático Jacob Palis, fechou com seu discurso a cerimônia de posse dos novos Acadêmicos. Palis considerou a Reunião Magna de 2007 da Academia Brasileira de Ciências símbolo de uma nova etapa na vida da instituição, cuja direção tem o orgulho de compartilhar "com meus colegas Hernán Chaimovich, Evando Mirra, Ivan Izquierdo, Jerson Lima, Luiz Davidovich e Marco Antonio Zago".
O presidente reafirmou as propostas da nova diretoria, divulgadas por ocasião da posse em 18 de abril. Entre elas, estão iniciativas importantes como a criação de seis vice-presidências regionais, para promover e reproduzir ações da ABC, dando-lhes características regionais; o estímulo aos jovens cientistas, com escolha de cinco por região para afiliarem-se por cinco anos à ABC, visando à posterior inserção em seus quadros; o estímulo à participação mais efetiva de mulheres na Ciência, através de iniciativas como a parceria com L'Oréal e a Unesco, com oferta de bolsa-grant para jovens pesquisadoras das áreas de Biologia, Física e Astronomia, Matemática e Química.
Palis destacou também a continuidade da cooperação com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência de maneira geral e especialmente no acompanhamento do orçamento nacional de C&T, e a instalação de grupos de estudos sobre variados temas de característica multidisciplinar e de primeira importância para a sociedade e o avanço da Ciência. "Com isso, a ABC oferece sua opinião qualificada e isenta sobre tópicos candentes, visando sua melhor compreensão e a possível adoção de políticas apropriadas para tratá-los."
Vários grupos de estudos já estão trabalhando intensamente, como os da Amazônia, o de Ensino de Ciências no Nível Básico e o de Aprendizagem Infantil. "Hoje estamos instituindo o grupo de estudos da ABC sobre Mudanças Climáticas e Impactos Ambientais, e estão também na agenda outros grupos para tratar de temas como: doenças parasitárias, biotecnologia e alimentos transgênicos, energia-bioenergia e nanociências, doenças crônico-degenerativas e trauma e violência."
Para tanto, o presidente espera contar com o entusiasmo e engajamento de outros membros da Casa, "comparável ao daqueles que se dispuseram a dedicar sua inteligência e seu esforço para a produção de documentos propositivos, fortes e de grande impacto, tais como os realizados sobre a Reforma do Ensino Superior e sobre uma Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação."
Nas últimas décadas a área de C&T evoluiu consideravelmente no país. "Somos muito mais visíveis perante o mundo científico e também perante nossa Sociedade, uma vez que nossa produção científica de qualidade vem crescendo consistentemente nas últimas três ou quatro décadas. Mas também é claro que muito mais deve ser feito para atingirmos investimentos da ordem de 2% do Produto Interno Bruto, piso atingido por países mais desenvolvidos. Esses recursos devem ser aplicados com um rigor que nos leve a um patamar mais elevado de competência em C&T." Uma parceria mais abrangente e frutífera com o setor produtivo é fundamental para que haja inovação, afirmou Palis, e dependerá também do aporte do próprio setor produtivo neste total. "Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação são objetivos cruciais para a Nação e, certamente, poderão ser plenamente alcançados, sendo necessário para tanto a garantia de sólidos e crescentes investimentos em ciência e tecnologia básicas."
O momento é especial, segundo Palis, pela confiança que a Academia tem de que o ministro de Ciência e Tecnologia compartilha efetivamente dessa visão, assim como os demais dirigentes do MCT e de suas Agências, CNPq e Finep e de ministérios irmãos, como o MEC, e neste a Capes; o MDIC, e neste o BNDES e o Inmetro; o da Agricultura, e neste a Embrapa; o da Saúde, o MRE e o da Cultura, dentre outros. O presidente também constatou um importante e crescente engajamento de Secretarias Estaduais de C&T e suas Agências de Amparo à Pesquisa, com destaque para a Fapesp, a Faperj, a Fapemig, a Facep, a Fapeam e a Fapergs. "Ciência e Tecnologia constituem, afinal, o passaporte para o avanço sócio-econômico da Nação e de sua presença afirmativa e altaneira, mas sobretudo solidária, como parte da agenda positiva de comunicação entre os povos."
Com o apoio da TWAS-Rolac, Escritório Regional para a América Latina da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS), a nova direção pretende contar sempre com pesquisadores de grande destaque de outros países da região, visando ao aumento da cooperação científica. "Nesse sentido, será também fundamental o apoio da Ianas (InterAmerican Network of Academies of Sciences) e do Escritório Regional do International Council for Science (ICSU-LAC), o que também põe em destaque nosso objetivo de ampliar de forma coordenada as ações da ABC, uma vez que essas entidades internacionais optaram todas elas por sediar em nossa Casa seus Escritórios regionais.
O relato de Eduardo Krieger, quando da posse da nova diretoria, pintou com cores fortes a atuação da ABC em entidades internacionais — com especial destaque para o IAP e o IAC -, como dirigentes, como coordenadores de estudos científico-tecnológicos internacionais e como co-signatários de documentos posicionando as Academias de Ciências frente a temas de primeira importância para a humanidade. Mais recentemente, a ABC foi incorporada ao grupo de Academias que subsidia o G-8, além de integrar o Consortium for Science, Technology and Innovation for the South (Costis), formado pelo Grupo dos 77 e o Science and Technology for Society Forum (STS Fórum). "Em todas essas atividades a ABC tem encontrado um forte apoio do MCT e suas Agências CNPq e Finep", ressaltou Palis.
O reconhecimento da relevância da Academia na cooperação internacional culminou com o protocolo tripartite de coordenação de esforços com o MCT e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). "Hoje, a ABC co-dirige o Conselho Científico do Acordo de Cooperação Brasil-Índia, posição que lhe foi confiada pelo MCT, mantendo-se estreita sintonia de atuação em prol dos nossos interesses científico-tecnológicos. Desenha-se algo semelhante com relação ao México, à China e outros países.
Ao encerrar a solenidade e encaminhar os convidados ao coquetel, Palis provocou risos ao lembrar que a Academia conseguiu toda essa visibilidade mesmo com as modestas instalações que possui hoje, e agradeceu o empenho do governo federal em conseguir para a ABC uma nova sede.
(Elisa Oswaldo-Cruz para o Boletim do Acadêmico)