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Presidente a pique

Publicado em 02 janeiro 2021

Em seminário promovido pela Fapesp, especialistas do Brasil e do exterior analisam lideranças frente à pandemia

Quando se trata de enfrentar uma doença altamente transmissível como a Covid-19, o comportamento humano pode ser tanto parte do problema quanto da solução, de acordo com especialistas em ciências sociais e comportamentais.

Reunidos durante o seminário "Values-Based Behavior under Covid-19" (Comportamento baseado em valores sob a Covid-19), no âmbito da série Fapesp Covid-19 Research Webinars, os especialistas compartilharam diferentes visões sobre o tema.

Enquanto não há vacina ou tratamento eficaz disponível, aderir a medidas como distanciamento físico, uso de máscara e higienização frequente de mãos e objetos segue sendo a principal forma de conter a disseminação.

A pergunta é qual a razão de algumas nações lidarem com esse desafio de forma tão mais eficiente do que outras?

Para Jay Van Bavel, professor de Psicologia e Ciências Neurais da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, o perfil de liderança de cada país é um dos fatores determinantes da qualidade da resposta à pandemia, uma vez que ela envolve medidas de âmbito nacional, como fechamento de fronteiras, restrição de viagens, desenvolvimento de políticas públicas e mobilização de recursos médicos e científicos.

Levam vantagem, segundo o pesquisador, nações comandadas por "líderes identitários", isto é, capazes de inspirar confiança, promover a cooperação e um senso compartilhado de identidade entre seus seguidores, como é o caso da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern.

"Ela talvez seja a liderança mais eficiente do planeta, especialmente no enfrentamento da Covid-19. Ela ficou famosa por usar a estratégia da liderança identitária e costuma se referir ao país como seu 'time de 5 milhões de pessoas'".

No outro extremo, o pesquisador coloca seu próprio país, os Estados Unidos, campeão mundial em casos e mortes por Covid-19. "Falhamos catastroficamente", disse Bavel.

Assim como Donald Trump, a gestão do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, frente à pandemia é desaprovada pelos especialistas. "O nacionalismo narcísico não se mostrou um preditor tão robusto de adesão às medidas sanitárias. Esteve associado a comportamentos de risco".