Notícia

Gazeta de Ribeirão

Preservação ameaçada

Publicado em 25 novembro 2008

Meio ambiente Por não ter feito ‘lição de casa’, Ribeirão tem baixa prioridade para ações estaduais de conservação

Devido aos baixos índices de vegetação e fauna remanescentes, Ribeirão Preto não foi classificada como um dos pontos prioritários para ações de preservação do Estado. Pelo mapa de conexões urgentes, um dos materiais lançados ontem no livro do Programa Biota, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o município é classificado como 2 em uma escala crescente que vai até 8.

De acordo com Ricardo Rodrigues, coordenador do programa, a compensação em corredores biológicos deve vir da região, onde biomas mais complexos foram identificados. “Em Ribeirão sobraram poucos fragmentos. E como há poucas florestas, a cidade não foi indicada. Mas na região há pelo menos oito grupos que reivindicaram proteção”, disse.

Rodrigues afirmou que a próxima etapa é conseguir transformar a plataforma em leis de preservação e conservação. “A resolução (sobre supressão de matas nativas) já foi criada para áreas que não podem ser desmatadas nem por um benefício social, como a ampliação de uma estrada. Mas é preciso institucionalizar, transforma todas as diretrizes em Lei”, disse Rodrigues.

Na região de Ribeirão, as conexões urgentes estão em municípios como Luis Antonio, Serra Azul e Morro Agudo, classificados no nível 7, e no noroeste, onde há trechos de nível 8. “Há grandes fragmentos florestais interessantíssimos para conservação da diversidade na região de Ribeirão”, afirmou o coordenador.

Mata ameaçada

A professora Elenice Varanda, do departamento de biologia da USP de Ribeirão, afirmou que os fragmentos de mata atlântica na cidade correm sérios riscos. “Ribeirão está com uma situação muito ruim em relação à manutenção de fragmentos. Além de ter sobrado pouco, há problemas como o efeito de borda [cipós sobre as copas que barram a luz e matam as árvores]”, disse Elenice.

Livro norteia ações em SP

O livro Diretrizes para Conservação e Restauração do Estado de São Paulo, do Programa Biota, foi lançado ontem no Instituto de Botânica da Capital. Com capítulos temáticos sobre os nove anos de estudos do Biota, o material traz 30 mapas e um levantamento das Unidades de Conservação estaduais e municipais para orientar o poder público. Os dados foram coletados por 160 pesquisadores e há dois anos vêm sendo usados na formulação de políticas públicas estaduais. O zoneamento agroambiental da cana para o setor sucroalcooleiro, da Secretaria de Agricultura, e as regras para supressão de vegetação nativa, da Secretaria de Meio Ambiente, são algumas das medidas lançadas este ano com base nos mapas do Biota. “A próxima etapa é incorporar mais dados e fazer análise de modelagem com mudanças climáticas e questões de matriz”, disse Ricardo Rodrigues, coordenador do programa. A tiragem é de 2,5 mil exemplares que serão doados a e instituições de pesquisa. (DC)