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Presença feminina na docência cresceu 1% em uma década

Publicado em 09 maio 2018

Em uma década, a participação feminina entre os professores cresceu somente 1%, subindo de 44,5% para 45,5%. Os números foram pesquisados por Renato Pedrosa, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Educação Superior (LEES) e docente do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências da Unicamp.

Segundo o pesquisador, o percentual de participação feminina no ensino superior público é de 45% e no privado é de 46%. Ele destaca, no entanto, que 51% dos títulos de doutorado obtidos no país entre 1994 e 2014 foram por mulheres. “Apesar de já haver uma maioria de mulheres qualificadas, inclusive para atuar no setor público, o que determina essa distribuição é a estrutura do emprego na universidade”, avalia. O professor ainda diz que as universidades públicas tendem a contratar mais homens docentes pela maior concentração em certas áreas que, historicamente, o predomínio é masculino, como das engenharias, por exemplo.

Pedrosa ressalta que o pequeno aumento de mulheres docentes no ensino superior não é reflexo de uma falta de qualificação, até porque, de 2000 a 2016, a participação feminina subiu de 36% para 42% entre os líderes dos projetos submetidos à Fapesp. “O crescimento pequeno da mulher na docência é por causa da estrutura do sistema. Você tem mais mulheres se formando, terminando a pós-graduação, mas o emprego por área não mudou”.

Pedrosa, também coordenador do Programa Especial de Indicadores da Fapesp, publicou os dados na Revista Pesquisa da Fapesp nas edições de fevereiro e março deste ano. Sua pesquisa indica que o número de professores e professoras em exercício no país subiu de 302 mil em 2006 para 384 mil em 2014, totalizando alta de 27%.

Ele também comenta que o crescimento está concentrado nas universidades públicas. Nesses casos, a alta foi de 68%, passando de 101 mil para 170 mil docentes. Para Pedrosa, esse crescimento relativamente pequeno não tem a ver com preconceito. “O principal dado que confirma isso é o da liderança feminina nos projetos de ciência”.

A professora e coordenadora associada do curso de graduação em Ciências Econômicas da Unicamp, Milena Fernandes de Oliveira, comenta sobre esse crescimento ter sido tão pequeno. “Acredito que seja por causa das condições sociais e culturais que ainda não são adequadas para que a mulher siga a carreira acadêmica”.

Professora de Ciências Econômicas da Unicamp Milena Fernandes diz que o ambiente universitário ainda é bastante masculino (Foto: Fernanda Romio)