Um estudo inédito revelou a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) em sedimentos e organismos marinhos da Bacia de Santos, no Brasil, em profundidades que variam entre 400 e 1.500 metros. A pesquisa, realizada por cientistas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), destaca a poluição em áreas que antes eram consideradas menos afetadas por atividades humanas.
Os pesquisadores coletaram amostras durante cruzeiros do navio oceanográfico Alpha Crucis, em 2019, e analisaram a presença de dois tipos de POPs: bifenilas policloradas (PCBs), que são usados como isolantes elétricos, e éteres difenílicos polibromados (PBDEs), que atuam como retardantes de chamas. Os resultados mostraram que, enquanto os PCBs foram detectados nos sedimentos, tanto os PCBs quanto os PBDEs estavam presentes nos peixes analisados.
Entre as espécies estudadas estavam peixes como Parasudis truculenta e Hoplostethus occidentalis, evidenciando a contaminação da fauna local. Gabriel Stefanelli-Silva, primeiro autor do estudo, enfatiza a importância de compreender a origem desses poluentes, que podem ser transportados pela atmosfera e impactar a vida marinha a grandes profundidades.
A pesquisa também focou na presença de microplásticos em invertebrados, como o pepino-do-mar Deima validum, que apresentou altos índices de contaminação. Os microplásticos, classificados como fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros, foram identificados em várias espécies analisadas, levantando questões sobre a fonte de contaminação, possivelmente ligada a atividades industriais na Bacia de Santos.
Para garantir a integridade das amostras, os pesquisadores seguiram protocolos rigorosos que incluíam o uso de roupas e ferramentas livres de fibras sintéticas, além de controles ambientais. Este levantamento inicial sugere a necessidade de estudos mais aprofundados para entender a extensão e os efeitos da poluição nas águas profundas do Brasil.
Os pesquisadores ressaltam que o mar profundo, apesar de difícil e caro de acessar, é crucial para monitoramento ambiental. Com a presença de microplásticos e poluentes, é evidente que mesmo os ambientes mais remotos não estão imunes aos impactos das atividades humanas. O próximo passo envolve a continuidade das pesquisas para mapear a extensão da contaminação e suas consequências para a biodiversidade marinha e a saúde dos ecossistemas oceânicos.