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Presença de Dentista na UTI reduz risco de infecções

Publicado em 21 novembro 2014

Um estudo realizado com 254 pacientes internados na UTI do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP constatou que ter um dentista atuando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode reduzir as chances do desenvolvimento de infecções respiratórias nos pacientes.

 

A importância do estudo reside no fato de ele ser o primeiro, em nível mundial, a demonstrar que os pacientes de UTI precisam de cuidados para com a cavidade oral que vão muito além do cuidado básico esforçadamente prestado pela equipe de enfermagem.

 

Durante a pesquisa, um cirurgião-dentista compôs a equipe da UTI, prestando cuidados semanais aos pacientes. Após vários estudos na literatura médica indicarem que a maioria dos episódios de pneumonia começava na boca, isto é, as bactérias proliferavam na cavidade oral e depois se disseminavam para as vias respiratórias.

 

Pacientes em UTI, entubados ou não, habitualmente recebem da equipe de enfermagem cuidados de higiene oral básico, por meio da limpeza mecânica da boca e aplicação de antisséptico.

 

Viemos a conhecer a Dra. Teresa Márcia de Moraes, cirurgiã-dentista, e que pioneiramente, vinha implementando um programa de tratamento odontológico aos pacientes da Santa Casa de Barretos. Daí surgiu a ideia de testar a eficácia desse tratamento, que resultou na prevenção de mais da metade dos casos de pneumonia, como demonstra o nosso estudo, explicou um dos responsáveis pela pesquisa, professor Fernando Bellíssimo Rodrigues.

 

No estudo realizado no HCFMRP, foram introduzidos serviços profissionais avançados de um dentista. Além da higiene básica, metade dos pacientes, 127, recebeu de 4 a 5 vezes por semana, conforme a necessidade de cada um, tratamentos bucais avançados como remoção de tártaro, restauração de cárie, raspagem da língua, escovação dos dentes e até extração dentária.

 

Enquanto a outra metade, outros 127, chamado grupo controle, recebeu apenas a higiene básica. Os cuidados foram prestados durante todo o tempo de internação na UTI, que variou de 48 horas até 49 dias. Todos foram seguidos até a alta médica da UTI. A mudança na rotina trouxe resultados satisfatórios em relação à vulnerabilidade dos pacientes naquela conjuntura.

 

Ao comparar os resultados da evolução clínica dos dois grupos, o estudo revelou que aqueles que receberam tratamento odontológico avançado apresentaram uma incidência de infecção respiratória de 8,7%, contra 18,1% no grupo controle, o que equivale a uma redução de 56%, produzida pelo tratamento odontológico.

 

Para a efetiva implantação do tratamento odontológico em UTI, há que se treinar especificamente o cirurgião-dentista e planejar suas atividades, conjuntamente com os demais profissionais que atuam nesse cenário, incluindo a equipe médica, de enfermagem e de fisioterapia, disse Rodrigues.

 

Infecções hospitalares

 

As infecções hospitalares são hoje consideradas um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. E as infecções respiratórias são as mais frequentes, principalmente afetando pacientes em tratamento em UTI. Dados da literatura médica mostram que de 34,5% a 50% dos pacientes que contraem pneumonia associada à ventilação mecânica (equipamento comum em UTI) não sobrevivem.

 

Resultados e apoio

 

Os resultados obtidos no estudo realizado no HCFMRP mostram a importância de incluir o trabalho de um profissional a mais, no caso o cirurgião-dentista, na rotina desses serviços hospitalares, garantindo maior controle das bactérias causadoras das infecções mais comuns.

 

Os resultados da pesquisa foram publicados na edição de novembro deste ano da revista Infection Control and Hospital Epidemiology, editada pela Society for Healthcare Epidemiology of America.

 

O estudo recebeu financiamento da FAPESP e da FAEPA e é resultado do trabalho em equipe da cirurgiã dentista escolhida para o projeto, Dra. Wanessa T. Bellíssimo Rodrigues, conjuntamente com a CCIH, os Departamentos de Medicina Social, Clínica Médica e Cirurgia da FMRP-USP.

 

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* Publicado em 21/11/2014