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Valor Investe

Preocupado com o corte na Capes? Veja opções para financiar pós

Publicado em 04 setembro 2019

Por Rafael Gregorio | Valor Investe

A suspensão das bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior, a Capes, desanimou quem planeja voltar a estudar.

Como o governo federal anunciou segunda-feira (2), serão cortadas neste mês 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, e não serão aceitos novos pesquisadores neste ano. Esse foi o terceiro anúncio de cortes de bolsas em 2019 – governo Jair Bolsonaro já extinguiu 10% delas desde o início do ano, o equivalente a mais de 11 mil benefícios. Com o corte, o governo deixa de investir R$ 37,8 milhões no ano.

Para piorar, as bolsas do CNPq também estão sob risco; nesta terça-feira (3), o ministro da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, disse que vai remanejar R$ 82 milhões para pagar o saldo de setembro, mas o orçamento dos meses seguintes segue não garantido, e a classe científica teme um apagão no setor.

Mas nem tudo está perdido.

Além de bolsas ofertadas por faculdades públicas e privadas e de programas estaduais de fomento, como o da paulista Fapesp – também ameaçados, é verdade –, há no mercado alternativas de crédito para a educação executiva, desde grandes bancos até instituições digitais e passando por fintechs especializadas.

Atento à aflição do potencial estudante com a escassez de verbas públicas para estudar e de olho nos prazos de inscrição de instituições de ensino no país e no exterior neste segundo semestre, o Valor Investe lista opções para financiar uma pós-graduação ou um MBA em 2020.

Fintechs especializadas

Despontam no mercado serviços inovadores de crédito digital puxados por startups e fintechs especializadas em financiar estudos – e, mais especificamente, cursos da chamada “educação executiva”, como pós-graduações e MBAs.

Conheça três delas:

Biva

De um lado, estudantes buscando opção para pagar estudos, e, de outro, investidores dispostos a assumir mais risco para ter melhores retornos, eis a premissa da Biva.

A plataforma de financiamento coletivo oferece crédito bancado por investimentos de pessoas físicas – é o peer-to-peer lending, ou empréstimo de ponta a ponta.

O acesso é rápido, por meio de aplicativo de celular. O custo efetivo varia de 2,1% a 6,8% ao mês.

Criada em 2015, a startup teve seu controle – 50,5% do capital, mais especificamente – comprado por R$ 11 milhões, em 2017, pela PagSeguro, empresa de meios de pagamentos do grupo UOL.

Geru

De modelo P2P lending, similar ao da Biva, a Geru diferencia-se por não focar especificamente o financiamento de estudos. De qualquer forma, é uma fintech ativa nesse segmento.

A startup criada em 2015 informa já ter processado mais de R$ 6 bilhões de empréstimos, a taxas que variam de 2% a 8,2% ao mês.

Intersector

Intersector, uma fintech especializada em custear cursos de educação executiva, anunciou nesta semana que receberá R$ 35 milhões em investimentos ainda em 2019.

Criada em Belo Horizonte, em 2015, e com unidades próprias também em São Paulo, Curitiba e Campinas, a empresa tem modelo inspirado em mecanismos de financiamento de países como Estados Unidos e Austrália.

A fintech informa já ter financiado mais de 2.500 alunos diretamente, em programas com custo entre R$ 10 mil e R$ 60 mil e ticket médio de R$ 20 mil, e atualmente trabalha com mais de 20 escolas parceiras, como a PUC-MG e a IBE, uma conveniada da FGV.

Segundo o CEO Kleber Câmara, a empresa planeja um aporte de R$ 35 milhões ainda neste ano, entre investimentos dos fundadores e outros investidores, e almeja dobrar de tamanho até 2020.

Câmara vislumbra um amadurecimento do mercado de financiamento de educação executiva no Brasil, “ainda pouco explorado e com elevado potencial de crescimento”, diz.

Crédito em bancos digitais

Entre a nova geração de bancos online, dois responderam à consulta do Valor Investe com detalhes sobre linhas de financiamento dedicadas – ou dedicáveis – a estudantes de olho em pós-graduação e MBA. Veja:

Banco Inter

Possui uma linha de crédito chamada “home equity” que, segundo a instituição, costuma ser utilizada para o financiamento da educação executiva.

Lado ruim: “este é um crédito colateralizado”, explica o banco. Ou seja, depende de garantia amparada em um imóvel.

Lado bom: a taxa de juros é pré-fixada em 1% ao mês, com prazo de até 84 meses, valor mínimo de R$ 100 mil e máximo de 50% do valor do imóvel oferecido em garantia.

C6 Bank

C6 Bank tem um programa de fomento de negócios inovadores que impulsiona a startup Provi, dedicada a conceder crédito para pessoas que buscam capacitação.

O programa tem instituições parceiras, como a Ironhack, uma escola de programação e design interativo baseada em São Paulo, mas serve também outras entidades.

A taxa de juros é de até 3% ao mês, os prazos vão de 12 meses a 24 meses, e, até aqui, o programa financiou R$ 2 milhões de cerca de 200 estudantes – o curso de valor mais alto custa R$ 20 mil.

O interessado deve baixar o aplicativo da Provi no celular e abrir acesso a dados em redes sociais que serão analisados via machine learning, “para tornar o processo mais ágil e preciso”, informa a empresa.

Crédito em grandes bancos

Os maiores bancos do país, como Itaú (por meio do programa PraValer), BradescoSantanderCaixa Banco do Brasil, oferecem linhas de crédito para financiamento na pós-graduação.

O funcionamento é similar ao dos financiamentos de casas e automóveis: prazos e taxas de juros dependem da renda do solicitante e de garantias reais.

Bolsas de entidades estrangeiras

Há algumas opções para brasileiros financiarem estudos por meio de bolsas de entidades estrangeiras. Veja algumas delas a seguir:

Fundação Lemann

Por meio do programa Lemann Fellowship, oferta bolsas de pós-graduação para cursos específicos em universidades parceiras no exterior, como Yale, Stanford e Harvard, nos Estados Unidos, e Oxford, na Inglaterra. Os bolsistas são selecionados pelas próprias universidades – a premissa é já ter sido aprovado.

Santander Universidades

O programa de bolsas de estudo do banco trabalha com universidades brasileiras conveniadas e leva alunos para China, Portugal e Espanha.

Fundação Carolina

A fundação oferece mais de 500 bolsas por ano para cursos de pós-graduação na Espanha. Além da opção de fazer o curso todo no exterior, há também uma alternativa para completar a formação em uma instituição espanhola, as chamadas bolsas de mobilidade.

Erasmus Mundus

O programa Erasmus Mundus é financiado pela União Europeia e oferece bolsas integrais para mestrado e doutorado, além de opções de intercâmbio para estudantes de graduação e pós-graduação.

Fundação Estudar

A entidade (mais uma do milionário Jorge Paulo Lemann) financia pós-graduações no exterior para jovens brasileiros de até 34 anos. As inscrições para 2020 estão abertas.

Instituto Ling

A entidade chinesa mantém o programa Start MBA/MPA, para bolsas de estudo parciais em universidades nos Estados Unidos e na Europa. Para concorrer, o candidato precisa já ter sido aprovado para mestrado de tempo integral na universidade desejada e comprovar a necessidade de apoio financeiro para realizar seu mestrado.

Consulado Geral do Japão

Oferece bolsas para brasileiros interessados em mestrado e doutorado no Japão em áreas como arquitetura, enfermagem, direito e música. Também oferece bolsas para graduação e para professores dos ensinos fundamental e médio.

Veja, aqui, outras alternativas de financiamento de estudos no exterior.

Bolsas próprias de faculdades

Muitas universidades e faculdades privadas oferecem bolsas, totais ou parciais, para alunos – normalmente, aqueles mais bem classificados nos processos seletivos.

Algumas instituições também têm seus próprios programas de financiamento estudantil. Se por um lado essas opções ainda são escassas, por outro elas costumam cobrar juros menores e com menos burocracia.

O site Quero Bolsa é uma boa alternativa para começar a pesquisar instituições de ensino com programas próprios de financiamento estudantil.

Financiamento público

Com a suspensão das bolsas da Capes, restaram poucas opções de financiamento público para estudar em pós-graduação e MBA. Uma delas é a do Fies, com taxas subsidiadas e opção para pós-graduação em outros países.

Embora ameaçados, há também programas estaduais, como o da paulista Fapesp.

A vantagem dessas muitas alternativas de bolsas é que o estudante não precisa se preocupar com o pagamento posterior, algo que você precisa pensar se resolver financiar os seus estudos pelo Fies, por exemplo. Já a desvantagem das bolsas é que quase sempre não é possível acumular o estudo com um emprego formal, pois os programas exigem dedicação exclusiva.