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Diário de S.Paulo

Prefeitura vai pesquisar doença mental de sem teto

Publicado em 31 agosto 2006

Pela primeira vez, a Prefeitura de São Paulo vai pesquisar os problemas mentais dos moradores de rua para iniciar po líticas de atendimento adequado a eles. O trabalho será feito por meio de um convênio, assinado ontem, entre o Núcleo de Epidemia Psiquiátrica do Hospital das Clínicas e a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.
A proposta, segundo o secretario da pasta, Floriano Pesaro, agora precisamos saber quem são e quais os problemas que afetam esses moradores. Segundo Pesaro, uma pesquisa feita pela Fundação Instituto de pesquisas Econômicas (Fipe) apontou que metades dos moradores que tem algum distúrbio mental são dependentes de álcool ou drogas.
"Agora precisamos saber por que bebem, onde e como começou,quem fornece, qual a freqüência, rotina de tudo isso."
A pesquisa vai abordar 500 moradores de rua ou que passam a noite em albergues, abrigos especiais ou moradias provisórias.
Segundo a Prefeitura, vivem na Capital cerca de 12 mil pessoas nessa situação.

Investimento
O diretor do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do HC, Wang Yuan-Pang, estima que sejam investidos cerca de R$ 400 mil na pesquisa. A verba, segundo ele, viria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Cerca de 30 pesquisadores recrutados e treinados para essa função vão trabalhar no projeto. Eles abordarão os moradores de rua durante a noite e contarão com uma equipe de segurança.
A partir dos resultados, serão criadas políticas de atendimento a esses moradores, entre elas as Repúblicas Terapêuticas — casas com capacidade para 50 pessoas que receberão acompanhamento psiquiátrico. "É um albergue diferenciado", acrescentou Pesaro. "Não são manicômios, são casas."